Ridiculos S.A


Somos todos ridículos. Sim, todos nós. Eu, você e aquele cara ali sentado com cara de quem não está nem aí. No fundo, ele também se sente ridículo porque ficou plantado esperando alguém que não veio e agora toma um café frio enquanto decide para onde ir.

Você também sabe que é ridículo toda vez que veste uma peça de roupa cara para demonstrar uma condição que não tem a alguém que não está interessado - e volta para casa frustrado novamente.
Eu sei que sou indiscutivelmente ridículo tentando disfarçar a solidão lendo um jornal de ontem e respondendo as palavras cruzadas todas pela metade, fazendo de conta que é só para esperar a chuva passar.

Somos todos ridículos. Em vários aspectos. Ninguém escapa das pequenezas e vergonhas da vida.
A apresentadora feliz do telejornal do meio-dia também se sente ridícula ao carregar o corretivo na maquiagem para esconder as olheiras de uma noite mal dormida, em consequência de um coração partido. Enquanto lê mecanicamente no teleprompter frases escritas por outra pessoa, conclui que nenhuma daquelas notícias lhe interessa, pois o seu mundo já acabou de qualquer maneira.

A gostosona da academia, no fundo, sabe que é completamente ridícula por se cobrar doentiamente uma forma perfeita, pois não reconhece em si mesma outras qualidades que não as pernas torneadas e o abdome enxuto. O pedreiro, que levanta junto com o sol, volta para casa diariamente sentindo-se o mais ridículo dos seres humanos, por construir mansões maravilhosas nas quais nunca poderá morar.

O seu melhor amigo também se sente ridículo te pedindo dinheiro emprestado para pagar as contas enquanto não consegue um emprego. E quando bebe demais e acaba derramando novamente as mesmas lamentações sobre você. E o técnico do seu time também chora sozinho no vestiário depois de perder o campeonato, sentindo-se miseravelmente ridículo.

Aquele cara que é o melhor da turma do basquete, aparentemente tão bem resolvido, só tem essa vida social insanamente agitada porque busca preencher cada minuto do tempo livre que tem, com qualquer atividade que seja, simplesmente porque não consegue lidar com o próprio vazio existencial - e, para ele, ficar só é desesperador.

Somos todos ridículos buscando a aprovação alheia, fazendo coisas das quais não gostamos, com as quais não concordamos, simplesmente por acharmos que a opinião dos outros vale mais que a nossa própria. Somos primitivamente ridículos tentando fazer parte de um grupo, tentando impressionar, nos vangloriando por feitos infantis que nada representam. Somos ridículos nos sentindo desnudos perante os olhares da multidão.

Somos todos ridículos quando fraquejamos e desistimos dos nossos sonhos, nos apavorando com qualquer obstáculo no caminho. Somos profundamente ridículos quando tentamos controlar nossos sentimentos, disparando frases de efeito patéticas e gritantemente artificiais.

Eu sou e você também é. Sim, somos ridículos.
Somos desprezivelmente ridículos quando imploramos por atenção - muitas vezes nos contentando com migalhas.
Somos ridículos quando queremos ter razão a qualquer custo - mesmo quando sabemos, no nosso íntimo, estar errados -, ou quando argumentamos tão calorosamente a ponto de nos contradizer.

De perto, somos todos ridículos.
Somos ridículos porque queremos ser aceitos, admirados - ainda que passando uma imagem milimetricamente construída e lapidada.
Somos todos ridículos em nossas inseguranças. Somos ridículos porque a honestidade nos expõe e, no fundo, somos todos crianças assustadas com a ideia de ter feito algo (ou tudo) errado e sermos punidos por isso.
Somos ridículos porque queremos agradar. Somos ridículos pura e simplesmente porque queremos ser amados. Somos ridículos assim porque somos humanos.

O carteiro e o poeta

O Carteiro e o Poeta.

O que é essa danada inquietude que nos faz estrangeiros dentro da própria casa? Qual o sentido da vida quando não se contenta com o dado e busca atingir novos horizontes? Tudo isso tece  a trama central e existencial do “O Carteiro e o Poeta”.
As indicações a seguir sobre o filme são partir da literatura publicada no site www. :
Il Postino ('O Carteiro e o Poeta') é um filme dirigido por Michael Radford e fala sobre a amizade entre o poeta chileno Pablo Neruda e Mario, um humilde carteiro italiano que deseja aprender a fazer poesia.
Baseado no livro Il Postino de Antonio Skármeta. O roteiro foi adaptado por Anna Pavignano, Michael Radford, Furio Scarpelli, Giacomo Scarpelli e Massimo Troisi que também interpretou o carteiro. A história se passa na Itália nos anos 50.
Resumo: Por razões políticas o poeta Pablo Neruda se exila em uma ilha na Itália. Lá, um desempregado quase analfabeto é contratado como "carteiro" extra, encarregado de cuidar da correspondência do poeta. Gradativamente se forma uma sólida amizade entre os dois. O carteiro Mario, aos poucos, aprende a escrever seus sentimentos por Beatrice, e Neruda ganha, em troca, um ouvinte compreensivo para suas lembranças saudosas do Chile.
Ficha técnica:
  Data de lançamento22 de setembro de 1994 (Itália)
  • Elenco: Massimo Troisi, Maria Grazia Cucinotta, Philippe Noiret, …

Análise do filme:
As longas estradas a percorrer:  a inquietação, os porquês, o desejo que impulsiona a busca de si mesmo.
A possibilidade que se abre com uma vida diversa da comum no lugar onde se vive: os grandes sentimentos nascem das coisas comuns.
O fascínio da poesia: um diálogo entre o mundo concreto e um mundo que busca o seu fundamento. A poesia explicada se torna banal. As palavras balanceiam como as ondam do mar. Como um barco balançando no meio das palavras, pois “as palavras são as piores coisas que existem”.
A aproximação e confiança: o que parecia uma relação improvável, tornou-se uma amizade, ou seja, o outro, ao menos para o carteiro, não se resumia a pura função ou personagem, mas um vínculo que oferecia a chance de concretizar os próprios desejos, ou seja, o Carteiro percebia no Poeta a real ligação entre os próprios sonhos e desejos e suas realizações.  O que seria uma curiosidade e uma tentativa quase desesperada de se aproximar da amada, mostrou-se como o salto qualitativo e um horizonte a ser explorado.
A pergunta por algo a mais: “estou cansado de ser um homem”, o que significa, estou cansado do mundo que mim é oferecido e dado e que almejo algo que responda melhor meus anseios de realização e que me satisfaça? Seria apenas a constatação de que as coisas e pessoas ao derredor não são mais suficientes? Ou que somos feitos para abraçar o infinito e a mesmice nos impede de olhar diversamente o futuro? Estou cansado de ter a mesma sorte de todos e de não ser eu mesmo?  
As metáforas: a linguagem para falar do extraordinário, quer dizer, da vida, do amor, do divino. Tudo é metáfora de algo que existe, diz o filme: “o mundo inteiro é metáfora de alguma coisa”, que as coisas aparentes são sinais de outras coisas, ou seja, que existe um fundamento que ultrapassa a simples manifestação do existente.
O que faz o homem um ser singular e na constante busca de si por além de si mesmo?  A inquietação, a solidão, a nostalgia, o desejo, a esperança… O filme mostra esse homem que na quase desesperada busca de si e do significado mais profundo da sua existência, acaba por ter na poesia e na figura de Neruda, a possibilidade de extravasar as suas sedes; o referido, o corriqueiro já não pode abarcar os seus limites, faz-se necessário caçar além de si e dos seus por algo que possa vir a preencher o seu vazio. O novo, o diverso ressoa o seu som e faz revigorar e despertar o que se encontrava adormecido, ou seja, do encontro com o outro, com o diverso nascem a coragem e a esperança. O desejo não é simplesmente desejo, é vida que brota e que pode se realizar.
Na sublinhada frase de Neruda: “Sinto falta do mar. Sinto falta dos pássaros. Manda para mim os sons de minha casa”, denota a nostalgia pelo vivido, mas também a insatisfação que se experimenta sempre. A poesia é a revelação dos sentimentos que denotam a expectativa por uma realização.


Privatização da fé e da vida religiosa ou espiritual

Privatização da fé e da vida religiosa ou espiritual



Uma problemática antiga dos estudos de religião diz respeito a se a religião seria, ou não, um fenômeno universalmente humano (homo religiosus). Apenas se pode afirmar que todas as civilizações passadas e atuais das quais se dispõe de documentação confiável apresentaram ou apresentam algum tipo de manifestação religiosa, mas isso não nos permite elaborar conclusões universalistas quanto a sociedades antigas sobre as quais pouco se sabe ou quanto a sociedades futuras (James, 1994).
Não é demais lembrar que os termos religião e religioso, de matriz latina, são estranhos à linguagem das culturas antigas (excluída a romano-latina) e das culturas não européias. E as interpretações que se fizeram do termo, historicamente, são muitas: escrúpulo, consciência, exatidão, lealdade; um estilo de comportamento marcado pela rigidez e precisão. A partir de Agostinho (354-430), enfatiza-se a exortação do homem para Deus, articulando-se religio a religando. Estava aberto o caminho para a idéia de ligação baseada na submissão e no amor entre o homem e Deus. Na atualidade, a idéia mais corrente é a de religare (tendo como fonte o termo latino relegere ou religáre), que não significa, necessariamente, religação com um Deus, mas, sim, com a existência, com o cosmos, com as dimensões invisíveis, com o divino, com o misterioso.
No início do século XX, coloca-se uma problemática básica (em termos do que são a origem e as âncoras do conhecimento) da Ciência da Religião: compreender ou explicar a religião e a religiosidade. Posteriormente, Evans-Pritchard escrevia sobre a atitude dos sociólogos e, em particular, dos antropólogos sociais, diante da fé e da prática religiosa, em sua maior parte, como francamente hostil, anti-religiosa. Seus contemporâneos seriam agnósticos e positivistas, apesar de a Antropologia ter surgido a partir dos estudos comparativos da religião. Segundo o autor, esta era tratada como superstição para a qual era necessária uma explicação científica. A maioria dos antropólogos "[...] sustentariam que a fé religiosa é uma ilusão, um curioso fenômeno que logo será extinto e que poderá ser explicado [...]" (Evans-Pritchard, 1986, p. 11). Afinal, a Antropologia teria sido produto de mentes que, com raras exceções, encaravam a religião como inútil, além do fato de esta ter dificultado o caminho do que era considerado como de regeneração racional da humanidade e do progresso.
De fato, concordando com Evans-Pritchard (ibid., p. 18), as leituras feitas por vários clássicos sobre a religião, no século XIX e no início do século XX (Comte, Durkheim, Marx, Freud, Weber), foram francamente críticas e desqualificadoras. A frase de Marx (1818-1883) de que a religião é o ópio do povo é a mais conhecida das afirmações, mas tanto ele, quanto outros grandes sociólogos e o pai da psicanálise, Freud (1856-1939), estavam convencidos de que a religião desapareceria com o desenvolvimento da ciência e da racionalidade moderna, postura que já se encontrava no pensamento, por exemplo, de Lucrécio, no século I a.C. Este afirmava que a religião nascia do medo do incontrolável, que sua função seria induzir os homens a realizar até mesmo coisas nefandas e que ela estava destinada a desaparecer.
Na atualidade, há autores que afirmam que se está diante de uma realidade que estaria apontando para uma possível implosão do próprio conceito de religião (Oro e Steill, 1977), o fim da religião (Giumbelli, 2002). Fala-se ainda de decomposição do religioso. O fato é que se assiste a uma perda crescente de autoridade das instituições religiosas, um processo de desinstitucionalização, de indiferentismo religioso, de carência de "vocação" ou de interesse pelo ingresso em ordens religiosas. Hortal (1993) pensa o processo, no início da década de 1990, em termos de que a religião teria virado artigo de consumo descartável. E uma das questões postas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) na abertura da revista onde foi publicado o texto de Hortal foi: "O que fazer diante da expansão dos grupos religiosos não católicos?".
O fato é que a religião e a religiosidade não desapareceram, mas estariam sendo revividas, como nos sugere o título do livro do sociólogo Berger (1996), Rumor de Anjos: a sociedade moderna e a redescoberta do sobrenatural. E os que se declaram "sem religião" são, em sua maioria, crentes sem vínculo institucional, podendo ser, inclusive, confundidos com religiosos, principalmente, por terem crenças próprias, sobretudo do universo cristão (Fernandes, 2006; Novaes, 2005). E este reviver, na atualidade ocidental, aponta para questões muito instigantes. Uma das mais evidentes é o processo de transmutação de religião em espiritualidade.
Espiritualidade refere-se, especialmente, a uma questão de natureza pessoal: resposta a aspectos fundamentais da vida, relacionamento com o sagrado ou com o transcendente, o qual pode (ou não) levar ao desenvolvimento de rituais religiosos e à formação de comunidades. Para Hill e Pargament (2003), a espiritualidade está ligada aos aspectos pessoais e subjetivos da experiência religiosa e a uma busca pelo sagrado, processo através do qual as pessoas procuram descobrir e, em alguns casos, transformar aquilo que têm de sagrado em suas vidas.
Este artigo trata de algumas das questões sobre o referido processo. Ou seja, a construção de um campo religioso pluralista marcado por duplicidades e multiplicidades; o crescimento da busca por uma religiosidade não convencional; a "psicologização" da religião; a privatização e individualização típicas da modernidade levadas às últimas conseqüências; a "empresarização" das igrejas e a "espiritualização" das empresas.
Estas reflexões são fruto, sobretudo, de anos de pesquisa que vem sendo desenvolvida no Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB), com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em torno da Sociologia das Adesões: religiosidades não convencionais. Estas se ancoram na capital federal e entorno. Entretanto, os seus resultados podem ser, em boa medida, generalizáveis, pelos motivos que se seguem.
Uma das etapas desta investigação foi uma pesquisa comparada internacional realizada com quase 4.000 estudantes universitários de 16 universidades em 10 países europeus e americanos (Argentina, Brasil, Colômbia, Uruguai, Alemanha, Áustria, Grã-Bretanha, Itália, Portugal, Estados Unidos) sobre religião e esoterismo (Valle-Hollinger, Siqueira e Hollinger, 2002). Confirmou-se a tendência, no Ocidente, da busca por religiosidades não convencionais. No que se refere ao processo de "psicologização" da religião, comprovou-se que a maioria dos estudantes teve algumas experiências com as práticas não convencionais ou New Age. Tal processo iniciou-se como pequeno movimento contracultural, na década de 1960, nos Estados Unidos, como uma reação às condições e à organização de vida das sociedades industrializadas. Fez parte de um movimento mais amplo de contestação, incluindo o movimento hippie e o estudantil. O ano de 1968 é um ano de referência para o movimento contestatório estudantil, que eclodiu na Europa e também na América Latina. As atividadesNew Age têm se tornado crescentemente populares, particularmente entre as novas gerações e os estratos da população com maior nível de escolaridade, articulando-se à utilização de práticas orientais, de crenças e práticas pré-capitalistas, à ecologia, aos movimentos pacifistas e holísticos (que buscam a unidade), dentre outros. Um número considerável dos estudantes teve um contato bastante próximo com o mercado esotérico.
O padrão de disseminação dessas atividades entre os diferentes países pesquisados não é tão distinto como é o caso da religiosidade e das crenças mágico-esotéricas. Métodos orientais de espiritualidade e cura têm sido praticados mais freqüentemente por estudantes dos países do norte e oeste da Europa. Fora desse continente, esses métodos têm maior grau de disseminação nos centros metropolitanos (como Brasília, Montevidéu e Medellín) do que em cidades menores e mais conservadoras. Os métodos esotéricos que já tinham uma longa tradição nas sociedades ocidentais (curandeirismo, cartomancia) são praticados, mais freqüentemente, pelos estudantes latino-americanos, mas também pelos norte-americanos.
Examinando-se os resultados internacionais das atividades New Age e não convencionais, com os resultados da religiosidade e das crenças mágico-esotéricas, pode-se afirmar que a prática esotérica na Europa norte-ocidental tem um caráter bastante secularizado: os métodos espirituais e esotéricos têm sido usados para obter experiências holísticas (emocionais, sensuais, cognitivas) e para explorar a própria personalidade, sem que isso implique, necessariamente, adesão às crenças associadas a tais práticas em seu contexto original. Por sua vez, os métodos espirituais e esotéricos na América Latina e também nos Estados Unidos têm sido vistos mais na sua forma original, isto é, ligados a um cosmo sagrado de entidades espirituais e divinas.
Em outras palavras, os resultados desta pesquisa confirmam o privilégio da capital do Brasil como objeto destes estudos. Ao mesmo tempo em que nela se fazem presentes crenças e práticas mágicas tradicionais da sociedade, o padrão de consumo de práticas New Age e não convencionais é semelhante aos da Europa.

A beira do abismo

À beira do abismo



Você já pensou em se machucar?
Todo homem tem seu limite
O desespero é a força dos agonizantes
Poucas pessoas suportam o sofrimento por muito tempo…
Cuidar de si é levar adiante os próprios objetivos…
A ingenuidade  é o passaporte dos inocentes.

Quem tem angústia não sabe medir o tempo
Quem sofre insônia não conhece calmaria
Quem acredita espera que o destino se mude
Quem sabe fingir não escreve autobiografia
Diante do nada tudo parecer ser muito vazio
A beira do abismo só resta a incerteza do próximo passo.


P. Jorge Ribeiro

Maio 2014

A vida é uma farsa

Minha vida é uma mentira



Possivelmente, se pararmos pra pensar, o grande ensinamento por trás de quase tudo na vida é a importância de mentir/simular. Star Wars, no fundo, fala sobre aquelas pessoas que conseguem aprender a mentir e aquelas que não conseguem. O ditado que diz que um casamento vale mais que mil mosteiros, em suma, fala sobre o bom senso de duas pessoas que sabem como pode ser gratificante simular com um sorriso no rosto.
Tento aprender (a duras penas) sobre isso desde que, certa feita, o Padawan Juliano começou a insistir na tecla “fake it” pra mim, que defendia a suprema verdade absoluta e contínua como o sublime cotidiano. Enquanto ele dizia isso eu deixava de levar em consideração o dito, falando que ele tava sendo só um gangstamodafoca. Claro, o nível mais sútil raramente é apreendido e se perde na insolência cotidiana. Então, tempos depois, o Last Psychiatrist colocou o tema de maneira mais For Dummies e eu consegui captar:
“Help me, please, I think I’m a narcissist.  What do I do?”
There are a hundred correct answers, yet all of them useless, all of them will fail precisely because you want to hear them.
There’s only one that’s universally effective, I’ve said it before and no one liked it. This is step 1: fake it.
You’ll say: but this isn’t a treatment, this doesn’t make a real change in me, this isn’t going to make me less of a narcissist if I’m faking!
All of those answers are the narcissism talking.  All of those answers miss the point: your treatment isn’t for you, it’s for everyone else.
If you do not understand this, repeat step 1.
Mentir, simular, é a essência de ver e se importar com o outro. E só se importa com o outro quem não é patologicamente imbecil, claro. Por isso, acredito eu, socialmente só existimos por termos essa capacidade incrível de criar ficção que diminui a danação.
E se agora tu te sentou aí no teu cantinho e pensou: HA, eu nem sou um narcisista, beleza, seguirei levando a verdade acima de tudo. Bom, certamente tu é um porco egoísta.
Por outro lado, tu também pode pensar que não precisa mentir, já que quando tu te importa com alguém a verdade é a sempre doce e suave. Além de ser uma mentira imbecil, nós raramente começamos nos importando com os outros logo de cara e o meu ideal é que isso seja universal, saca? O processo que nos leva a criar vínculos é uma longa teia de mentirinhas carinhosas que visam aproximação. De que outra forma tu conseguiria conhecer dobrinhas da alma de alguém, se não por ter passado longos períodos falando frugalidades, imbecilidades e invencionismos com essa pessoa? O romance, a amizade, o carinho, o amor familiar, tudo tem suas bases em pequenas ficções. E a ficção é linda.
Imagina acordar e toda a ficção do mundo ter sumido. How sad. Como delimitar o que é real, pra começar? De toda form, a vida seria bem vazia, eu acho. É como disse Leminski:
podem ficar com a realidade
esse baixo astral
em que tudo entra pelo cano
eu quero viver de verdade
eu fico com o cinema americano
Mas, enfim, acredito que gradações e intenções moldam tudo, incluindo os meandros ficcionais. Então, talvez o melhor jeito de exemplificar o que eu tou falando blablabla é sugerindo que tu veja The Invention of Lying, num mundo sem mentira, todo mundo é amargo, niilista, direto, sem amor e sem afeto. E sem livros. Nem filmes. Nem jogos de palavras. Um mundo asperger.

O desejo do desejo

DESEJAR O DESEJO



LACAN E O DESEJO DO DESEJO DE KOJÈVE – I


Autor: João José Rodrigues Lima de Almeida
Titulação: Doutor em Filosofia pela UNICAMP
Área: Filosofia da Psicanálise

Resumo: Este artigo defende a tese de que o principal operador da teoria psicanalítica de Lacan é a ontologia negativa de Kojève. Isto implica as seguintes consequências: (a) sua concepção de linguagem éidealista; (b) a negatividade fornece uma explicaçãodessubstancializada da organização do desejo; (c) mediante a antropologia kojeviana, Lacan pode aspirar a uma cientificidade particular para a psicanálise centrada na formulação lógica de uma subjetividade sem psicologia.

Abstract: This article defends the thesis that Kojeve’s negative ontology is the leading operator in the Lacanian psychoanalytic theory. This implies the following consequences: (a) an idealist conception of language; (b) the negativity provides a desubstantialized explanation of the desire’s organization; (c) through the Kojevian anthropology Lacan could aspire to a particular scientificity for psychoanalysis centered in the logical formulation of a subjectivity without psychology.

Palavras-Chave: filosofia da psicanálise, Lacan, Kojève.
Keywords: philosophy of psychoanalysis, Lacan, Kojève.


LACAN E O DESEJO DO DESEJO DE KOJÈVE
João José R. L. Almeida
Psicanalista
Doutor em Filosofia da Psicanálise pela UNICAMP
Na teoria da linguagem do sacerdote Tzinacán, cada palavra está concatenada com todas as palavras do universo, e o universo tem todas as palavras necessárias para descrevê-loO cosmos é uma espécie de rede infinita que uma mente infinita pode conter de imediato na consciência. A linguagem dessa mente infinita percorre instantaneamente todos os meandros da rede. Nessa linguagem, chamemo-la de “completude”, dizer “tigre” é dizer os tigres que o engendraram, os cervos e as tartarugas que devorou, os pastos de que se alimentaram os cervos, a terra que foi mãe do pasto e o céu que deu luz à terra. Uma palavra é, ao mesmo tempo, todas. De maneira que a enunciação de apenas uma, é a própria plenitude; não de maneira implícita, mas explícita, não de modo progressivo, senão imediato. A particularidade é inecessária, posto que o falante desta língua tem presente para si o universo, nele incluídas todas as particularidades. Tampouco o bem e o mal servem para algo: assim como nos jogos de azar a quantidade de números pares e ímpares tende ao equilíbrio quando estendidos na totalidade do tempo, do mesmo modo se misturam e se anulam as virtudes e as infâmias no final da história. Encarados pelo infinito, todos os nossos atos são justos, mas também indiferentes. Que importa, portanto, um dos seres humanos? Quem já entreviu o universo, quem já presenciou todos os ardentes desígnios do universo, não pode pensar em um homem ou em uma mulher, nas suas desditas e desventuras triviais, mesmo que essa pessoa seja ela mesma. Do ponto de vista humano e particular, dizer tudo é, ao mesmo tempo, dizer nada.1
Do ponto de vista humano, e particular, se quisermos completar a parte que falta de nossa limitação lingüística para chegar à “completude”, basta preenchê-la de “nada”. Não chegaremos, certamente, à teoria da linguagem de Tzinacán, porém, mais modestamente, teremos uma forma particular de teoria idealista da linguagem negativizante, não a própria “completude” como “preenchimento”, nem como antecipação presente de uma verdade como totalidade, mas a sua forma operativa como “não-todo” ou “incompletude” cuja função é anular as particulares pretensões de plenitude pela intervenção negativizante do resto ontológico não subsumido pelas aparências abstratas. Para o idealismo, há duas alternativas: ou o mundo, e toda a sua história, é a extensão da própria Razão, e “o Real é racional”, ou a Razão estendida não se identifica mais com o que pensávamos, mas é Outra, depois de absorver a desrazão, o irracional, o inconsciente e o subjetivo que lhe faltavam.

1. Refiro-me ao conto “La escritura del Dios”, em BORGES, 1971, pp. 133-141. 

O principal operador da teoria lacaniana, a hipótese de que desejo é falta, é uma concepção subsidiária da “ontologia negativa” deAlexandre Kojève. A idéia de falta, de perda, de corte, de limite, constitui a existência como tensão permanente, como luta infinita pela recuperação de um gozo definitivamente perdido. Para Lacan, o corte é ocasionado pela linguagem. Sua concepção de linguagem é idealista porque esta não se refere senão a si mesma; nada diz sobre o mundo, porque o exclui, nem sobre o sujeito, porque o subordina aos seus liames e deslocamentos. Esta característica também está presente no estruturalismo; afinal, para Lévi-Strauss, ser é estar na linguagem: “…os símbolos são mais reais que aquilo que simbolizam, o significante precede e determina o significado.”A diferença, entretanto, é que a concepção de linguagem de Lacan segue os parâmetros filosóficos kojevianos para comportar na estrutura a idéia de uma subjetividade.

Certamente a conceitografia de Lacan não é a mesma de Kojève. O sentido de “desejo como falta”, em Lacan, torna-se distinto porque o uso que se faz da idéia é outro. Enquanto em Kojève o conceito de desejo está vinculado a uma descrição da História como luta entre o Senhor e o Escravo, e o movimento social em sua totalidade aponta para um fim inexorável, em Lacan não há indicação de “final” nem se pretende descrever a “história”, mas o “sujeito”. A negatividade é aprofundada pelo ato da sua incorporação à psicanálise e à sua concepção de linguagem. O “desejo do desejo do outro” permanece ontologicamente dissimétrico para dar forma à impressão de um fundo patogênico. Deste modo, o sujeito, em confronto com o Outro, é uma inclusão da aniquilação do ser, da sua própria morte, do seu desaparecimento, na formação da subjetividade. Não há escapatória. No primeiro caso, a negatividade é a figura dominante que dispara o movimento histórico e a formação do ser humano como efeito da sociedade agonística; no segundo caso, é a figura absoluta e constituinte da psicologia no ambiente da “luta pelo puro prestígio”.

Como é possível chegar-se à conclusão de que a negatividade é constituinte da psicologia? Por que não pensar que a falta, o vazio ou o nada, surjam no próprio ato de desejar, no próprio exercício da subjetividade, sem separação prévia? Por que em vez de haver condicionante e condicionado, não se trataria apenas de uma constituição conjunta de duas entidades psicológicas, o desejo e o sentido de carência? Proponho duas evidências para provar o ponto. Primeiro, o argumento metafísico: enquanto o desejo pode ser interpretado, segundo o contexto, de um comportamento humano, nada pode ser interpretado do “nada” ou da “falta” como impulso do desejo. Para postular-se a existência de tais entidades, seria necessário efetuar o acréscimo de uma entidade ao comportamento. O fato de que exista uma abertura da possibilidade, de que exista uma impossibilidade de fundamento dos projetos, e de que a ação humana seja premida pela morte, não autoriza o pensamento da falta como componente organizador. O desejo não pode ser nada mais que uma produção sem fundamento, o desenrolar de uma intenção cujo projeto justifica-se apenas pelos elementos que integram a própria ação, e pelas outras ações correlacionadas, sem privilégios epistêmicos. Se não houver privilégio, não pode haver instrumento prévio, ou nada de fora da ação. O pensamento do desejo como falta, no entanto, apensa um fundamento ou elemento ao redor do qual dispõem-se ou constituem-se os demais. A diferença entre “falta a ser” e “ser em falta” é decisiva neste caso. Lacan ressalta apenas a “falta a ser”.

2.LÉVI-STRAUSS,C.,1950,p.XXXII. 

Em segundo lugar, o argumento temporal: para pensar-se o desejo como falta, esta deve anteceder na sucessão o movimento da espontaneidade volitiva; ela só é originária e fundante neste sentido. Se desejo é falta, não se pode desejar sem que o vazio se instaure precedentemente; deve haver antes de tudo o sentimento de perda, pois é justamente este sentimento que provoca o movimento de recuperação e empresta sentido à idéia do desejo como falta; a “falta” é, portanto, a explicação última do fenômeno do desejo como o primeiro da série na visão retrospectiva.

Kojève concebe o ser humano no plano da luta com o outro, à maneira de uma “presença real do nada no ser” ou como um “vazio ávido de conteúdo”.Mas este plano relacional e bidimensional não é mais que uma fenomenologia em clave histórica e intersubjetiva. Lacan não envereda pela fenomenologia, segue os caminhos da sua concepção de linguagem, e, assim, aprofunda a negatividade constitutiva ao desdobrar outros planos de ação lingüisticamente concomitantes. Deste modo, por exemplo, concebe o desejo como ação em plano tridimensional, subdividido na tríade necessidade-demanda-desejo; enriquece a antropologia agonística de Kojève idealizando a luta entre o eu e o outro na forma dinâmica do par limite/perda: o neurótico é aquele que não quer sacrificar sua castração em favor do gozo do Outro, deixando-o servir-se dela4 (denegação da própria falta pela pretensão de suprir – e, assim, afirmar – a falta do Outro); durante a fase topológica do seu pensamento, para dar a compreender como a demanda do neurótico é o objeto do desejo do Outro, postula, numa determinada dimensão, a demanda de amor como voltas em torno do vazio, como repetições em séries de idas e vindas a percorrer a parede interna do tubo de uma câmara de ar sem conteúdo. Mas, em outra dimensão, concorrente e simultânea, faz com que o movimento circulatório e contínuo da demanda, tomado em retrospectiva, realize um contorno ao redor de um suposto objeto de satisfação desconhecido: objeto de desejo do Outro, chamado “objeto a”, ou “causa do desejo” pelo resto que falta para inteirar a completude. Do ponto de vista da outra direção, o vazio da demanda contorna o “nada fundamental” [le rien fondamental] por excelência.5

3. KOJÈVE,A., 1947, pp. 91 e p. 167.
4. LACAN,J. 1966a, p. 826.
5. LACAN,J. 1961, lição de 30/05/1962. 

A diferença entre Kojève e Lacan estriba-se em que, no segundo, a negatividade constitutiva é cingida pela tridimensionalidade da linguagem mediante o postulado tético de modulações indissociáveis e cooperantes, denominados como “real”, “simbólico” e “imaginário”, e pelo fato de que a idéia de um final da história retira-se de cena. O “nada” estático fica diferente do “vazio” (se podemos fazer essa diferença), porque são “faltas” compreendidas segundo diferentes dimensões:

               (1) a primeira “falta” aparece no palco da demanda, quando esta gira ao redor do vazio (e não do nada) na busca da próxima insatisfação – a insistência do significante remete o movimento de busca para o eixo do seu próprio encadeamento (o simbólico), frustrando a demanda.
              (2) A segunda “falta” é fundamental e está no plano do real. Surge na falha do simbólico, ao mesmo tempo em que a impossível completude é bordejada na direção de outro eixo (o real) e dá conta de uma inevitável “castração” (“presença da ausência”).
               (3) O sujeito, para Lacan, é a apreensão imaginária (ou numa fantasia de sujeito ligado a um objeto) da representação que um significante remete a outro no seu movimento de contorno do objeto metonímico do desejo; ou, em outra figura recorrente, é a superfície unilátera cujo movimento contínuo serve-se dos dois lados, e representa-se pela fita de Moebius (veja os vídeos abaixo… postados porseletinof), inscrita nos contornos do vazio e do nada dos buracos encadeados dos toros entrecruzados.6

A introdução de uma teoria da linguagem no pensamento de Lacan, a partir da incorporação do estruturalismo em 1953, recobriu a fenomenologia do desejo como falta e a transformou em ação lingüística: o sentimento de perda e o nascimento do desejo acompanham a aquisição simbólica. A linguagem tornou-se a castração. O que resta desse corte, seria, no imaginário, o que falta ao sujeito para assegurar a completude do Outro, e, no simbólico, a incompletude insanável do Outro. Desta maneira, explica-se com eficiência o desejo pela negatividade

6. A figura de dois toros entrecruzados pelo seu furo central é a ilustração a que recorre Lacan no seminário IX, da “Identificação”, para demonstrar a idéia da circulação da demanda ao longo do eixo da alma do toro, bordejando, pelo movimento circulatório, o objeto do desejo do Outro, representado pelo vão central do segundo toro. Como são dois toros entrecruzados, o objeto do desejo de um é também a demanda do outro, e vice-versa.

mediante a demanda, posto que a parte faltante exerce uma poderosa influência de atração de dentro para fora do simbólico. Neste sentido é que o inconsciente, cuja condição é a linguagem, foi definido muitas vezes como “discurso do Outro”, e uma vez como “a parte do discurso concreto, como transindividual, que falta à disposição do sujeito para restabelecer a continuidade do seu discurso consciente”.7No fundo, trata-se sempre de conceitualizar o aspecto concreto pela força negativa que vem de fora e desmancha a ordem de dentro. A teoria lacaniana consiste em várias tentativas de formalização simbólica da conjunção deste negativo fundador e suas projeções imaginárias por meio do simbólico. Como se a conceitografia pudesse dar conta simultaneamente do externo e do interno, dopositivo e do negativo, do racional e do irracional, e dosubjetivo e do objetivo. Os pares são concebidos como indissociáveis pela retórica idealista, pelo recurso de assumir contradições e impasses como formas naturais da existência.

O problema lingüístico de Lacan não será analisado, entretanto, neste artigo. Meu propósito resume-se apenas ao enfoque da formação do núcleo dinâmico do projeto de umapsicanálise científica centrada na idéia de uma subjetividade sem psicologia. Lacan precisou da definição kojeviana para ter uma concepção do desejo que fosse ao mesmo tempo concreta e unívoca. Essa concepção satisfaria seu ideal de ciência, porque poderia efetuar com ela a redução de todos os fenômenos psicológicos a uma só raiz objetiva: o eu em conflito com o outro. O sujeito em Lacan já não é mais o mesmo da psicologia, substancializado; tampouco é o da fenomenologia, uma consciência a projetar e produzir um sentido. O sujeito em Lacan é um postulado quase-transcendental, uma divisão imposta pela perda, um ponto evanescente, inencontrável, sem referência, existência ou realidade empírica, mas pressuposto como condição de possibilidade das ações de desejo. Formalizar teoricamente a subjetividade em conjunção com a negatividade – no que resulta uma subjetividade alienada e evanescente – tornou-se uma aquisição permanente da teoria lacaniana, no sentido de apresentar sempre, e renovadamente, alguma solução impessoal e rigorosa para fenômenos totalmente insubmissos à sintetização em termos de hipóteses necessárias e universais.
Embora a influência kojeviana não seja sequer mencionada pela maioria dos comentadores de Lacan, ou seja minimizada em outros casos,penso que é factível a suposição de que todas as modificações e formas que a teoria lacaniana tomou respondem, no principal, a este operador de fundo. Considerando de outra perspectiva, a idéia é que a psicanálise lacaniana não é apenas uma teoria externalista e impessoal dos fenômenos mentais ou dos fatos psicológicos; isto é, uma teoria que apenas propõe como fator causal e eficiente do comportamento um terceiro elemento, a unidade fonológica significante e seus encadeamentos formais. Mais do que isso, o que basicamente distingue o inconsciente estruturado como uma linguagem, de Lacan, do inconsciente estrutural, de Lévi-Strauss, para tomar as duas teorias irmãs, é que, permanecendo iguais os explananda, oexplanans se diferencia fundamentalmente: Lacan acomoda a sua própria eficácia simbólica ao redor de um oco tomado como fator eficiente no fundo da causalidade. A causalidade significante teria, em Lacan, uma espécie de gerador que lhe serviria de fixação. A sua teoria poderia, se quisesse, terminar ali, onde a estrutura sintática tenciona dar conta dos fatos. Não obstante, ela tem a particularidade de seguir adiante e achar outros fatos últimos em si mesmos inexplicáveis. Veremos a seguir as principais influências de Kojève sobre Lacan, depois tentarei dilucidar por que Lacan aderiu à ontologia negativa de Kojève e, por fim, apresentarei uma interpretação acerca deste ideal de “completude negativa”.

7. LACAN, J.1966b, p. 258.
8. A maioria dos comentadores supõe que a influência é de Hegel, atropelando a diferença e o tipo de hegelianismo de Kojève. Assim, Phillipe Julien, por exemplo, não comenta a influência de Kojève: cf. JULIEN,P.,1993. Erik Porge a reduz somente à teoria do estágio do espelho, omitindo todas as outras variações e atribuindo, em muitos casos, apenas a uma influência hegeliana sem mencionar a intermediação de Kojève, cf.PORGE,E., 2000, pp. 68, 230. ElisabethRoudinesco, dilui a influência de Kojève juntando-a ao outro “K” aquem Lacan tomou conceitos de empréstimo, Alexandre Koyré, e situando-a unicamente numa suposta formação hegeliana anterior, cf.ROUDINESCO,E.,1994, pp. 101-120. David Macey, no afã de desfazer uma tese de unidade formal do pensamento lacaniano e vinculá-lo unicamente às reviravoltas da intelectualidade francesa da época, vê inclusive incompatibilidade entre a influência politzeriana e a de Kojève, como se uma fosse o pólo concreto e a outra o pólo abstrato da teoria lacaniana: cf. MACEY,D.,1988, p. 102. A única fonte de apoio e divulgador desta hipótese é Mikkel Borch-Jacobsen: Cf. BORCH-JACOBSEN,M., 1991, pp. 293-314; e BORCH-JACOBSEN,M.1990(1995). No Brasil, entre os poucos que mencionam o kojevismo em Lacan, senão os únicos, estão ARANTES,P. 1991, pp. 72-79, e 1992, pp. 64-77; além de SIMANKE,R. 2002.

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