CHOVE, CHUVA

CHOVE, CHUVA



Por Pe. Jorge Ribeiro





É verdade que as pessoas desejam a eternidade
Mas não sabem o que fazer na tarde de domingo quando chove,
A chuva causa certo dessabor
Acalma os ânimos das pessoas que se perdem nos próprios devaneios e projetos.

Sem chuva a vida se torna seca,
Sem chuva o mundo respira a seco,
Sem chuva o pensamento é seco e a seca desseca,
Com muita chuva a vida é arrasta ao turbilhão das grandes devastações
Com muita chuva a história é levada com os destroços de vidas destruídas.

Chove chuva, mas não molha a alma
Essa é ansiosa e deseja ardentemente ser consumada
Ó chuva não apague as chamas de um amor verdadeiro e eterno;
Ó sol que seca e que irradia calor e intemperança,
Ilumina os pontos escuros de quem tateando busca encontrar a sua estrada!

O sol e a chuva, o calor e o vento,
As manifestações da natureza que expressam os movimentos do espirito;
Esse movimento que não se deixa enferrujar pela mesmice do eu sempre presente.
Chove chuva, mas não destrói o meu amor!
Chove chuva, mas não traga o terror!
Chove chuva e faz nascer a esperança!
Chove chuva e banha os meus sonhos de criança!
Chove chuva e floreia nossas vidas!
Chove chuva e todas as sombras ilumina!

Chove, chuva!!!!!!!

Salve Sant’Ana Ditosa

“Salve Sant’Ana Ditosa”


Por Padre Jorge Ribeiro
www.pjribeiro.blogspot.com

“Salve, Sant'Ana ditosa! Salve nossa Padroeira, nosso escudo poderoso, farol brilhante da Feira”.

o Sertanejo é um sentimental. Percebe as coisas muito mais com a emoção e o sentimento que com a razão. Dai as datas relacionadas aos afetos serem celebradas, vividas de forma entusiasmadas. Assim, dias das mães, dos pais, natal e também dia dos avós. Talvez por isso mesmo seja muito sentida e vivenciada no sertão a festa de Sant’Ana. São diversas dioceses, paroquias, comunidades dedicadas aos avós de Jesus. Nem se importa muito os traços ou coerências históricas, o importante é a aproximação que o santo tem da pessoa e essa se sente familiar, parte integrante da caminhada do santo. Não é uma devoção distante e cerebral, mas de comunicação, de intimidade. E com Joaquim e Sant’Ana é assim. Um diálogo entre membros de uma família. Como é do conhecimento geral, celebra-se hoje a Festa de Sant’Ana, “mãe da Mãe de Jesus” e São Joaquim,  os pais daquela que se tornou a Mãe do Filho de Deus, ou seja, dos avós de Jesus, o Filho de Deus encarnado. Ele como parte da raça humana precisa também de uma família, de um vínculo que justifique a sua descendência e origem. Toda a nomenclatura fala de filho, pais, avós, quer dizer, de realidades palpáveis, não de algo calculado ou meramente formal.
Talvez seja por isso, que a partir uma devoção que fugiu de uma aproximação familiar para se tornar algo funcional tem distanciado o povo dos ideais cristãos e a devoção e imitação dos santos tem se tornado apenas um momento religioso na vida das pessoas e não abarca toda sua existência. Celebra-se bem, com rigor e primor, mas não tem muito o sentimento de pertença e intimidade.  É nesses momentos de festa dos santos que falam à realidade familiar e pessoal que se percebe uma maior entrega e certa profundidade na espiritualidade. Faz necessário resgatar o sentido de família, casa e simplicidade na vida cristã.
As celebrações diversas no mundo e, principalmente no serão brasileiro, carrega consigo a lembrança da experiência dos avós, esses duas vezes pais como reza o dito popular. Tanto assim que no calendário, ainda que laico e adverso à religião, segue em geral essa data como momento de recordar  e celebrar os avós.  O hino da festa da Arquidiocese de Feira de Santana, que carrega no nome da cidade e da arquidiocese a denominação de Sant’Ana, proclama “ditosa” Sant’Ana que eleva a feira de tropeiros na maior cidade do interior do sertão brasileiro. Sob a égide da Padroeira, os cristãos dessa terra e de outras com ela, busca a inspiração no silêncio e na perseverança desses santos avós.  Sabe-se pouco, mas independentemente da denotação apócrifa, permite certa compreensão da presença de Deus no meio da humanidade, sua entrada na história do povo e a indicação para que todos participem do Reino do Pai Eterno. Sant’Ana é invocada como mestra, educadora, dado que orientou Maria, sua filha, a futura mãe do Salvador, segundo a tradição e os valores bíblicos e assim permitiu o seu Sim ao chamado de Deus. Jesus encontra nesses avós sua origem terrena, o exemplo e os costumes próprios do seu povo para assim revelar Deus como Pai amoroso e misericordioso de toda a criação. Que são Joaquim e Sant’Ana intercedam por todos nós!

O Poder déspota

O Poder déspota


“A ânsia de poder não é originada da força, mas da fraqueza”.


Por Pe. Jorge Ribeiro[1]


Segundo o filósofo grego Aristóteles (Metafísica) todo homem deseja naturalmente conhecer e o pensador italiano Maquiavel (O Príncipe) disse que todo homem ambiciona o poder. Entre uma afirmação e outra, emerge características que revelam a estrutura do ser humano. O homem quer conhecer, possuir, buscar para se reconhecer e manifestar o seu ser como humano, capaz de tantas coisas e assim poder se encontrar.
Entre as diferentes manifestações do ser do homem, o poder aparece como um traço problemático, dado que geralmente esse se mostra como domínio, superioridade ou distorção. O poder seria para ser exercido como serviço, mas na prática ele embriaga e envaidece os indivíduos que acabam se tornando uma ferramenta de corrupção e busca desenfreada de controle, ou seja, o poder corrói e muitas vezes distorce o seu papel.
As formas como as pessoas praticam o poder variam. Entretanto, o poder quando praticado como meio de autoafirmação se absolutiza e tiraniza, isso quando não se torna em ditadura. O poder tem também a proeza de revelar as pessoas como realmente são, isto é, de se mostrarem sem máscaras ou submissão, como se sentem essencialmente e se apropriando das palavras de Lincoln, que profetizou: “Quase todos os homens são capazes de suportar adversidades, mas se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder”.
O poder mal compreendido ou usado em benefício de engrandecimento pessoal acaba por transformar um instrumento de facilitação em um monstro que devora e quer cada vez mais se engrandecer. A sombra do poder provoca desconfiança, medo e sujeição, dado que tantas vezes esse se define ou se apresenta como detrimento da liberdade, um elogio ao incorreto ou revelação do lado obscuro das pessoas e da sociedade.
Seria o poder uma manifestação da sombra individual ou coletiva? As formas distorcidas do poder, seja individual ou coletiva seria a espécie de um colapso generalizado de inferioridade? O poder exercido de modo dominador revela a fraqueza ou explicita a ânsia castradora de quem a executa? É uma forma de defesa de si e do grupo? Quer dizer, um modo de se impor e de se afirmar como tal? Talvez o poder transformado em instrumento de repreensão seja a transferência da responsabilidade e da maldade ao outro e como meio de camuflar e exprimir a própria identidade, como justificativa e personalização das feridas dos não amados.
O autoritarismo que tanto conceitua o modo como o poder, e qualifica quem assim o faz como déspota, é gerenciado, acaba por revelar o seu  lado sombrio e negativo, isto é, de fechamento, intolerância, violência, egoísmo, irracionalidade e massificação despersonalizada. E quando o mau-humor, a mesquinhez e a falta de gosto pelo que faz se tornam assíduos, revelam os limites e as fantasias hipocondríacas de tais sujeitos. E quais as reações do poder ditador quando se percebe desafiado ou renegado? O ódio, a vingança e o castigo. Atentos! Caminha-se para uma ditadura global na qual o poder é metodologia de intimidação, ameaça e negação dos direitos primordiais. O processo de civilização para uma construção mais pacífica deve começar pela consciência e integração do lado sombrio do sujeito e da sociedade, ainda que seja uma verdade incômoda para quem assume a figura do poder. 




[1] Estudou filosofia, teologia e antropologia. Professor de filosofia.

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