Projeto família

Projeto família


Por Pe. Jorge Ribeiro




Quando as Sagradas Escrituras afirmam: “amai-vos uns aos outros, pois o amor é o vínculo da perfeição” (Cl 3,14), quer estabelecer que o único vínculo indispensável para a construção, a solidificação e a edificação de uma família é o amor. Sem o amor pode ser qualquer outra sociedade, mas não família. Esse amor se estende não somente às pessoas, mas também ao ambiente familiar. Na família se aprende a virtude do perdão e da partilha, onde cada um deve encontrar o espaço adequado para sua afirmação e para conviver com os outros. É da família que deve partir o primeiro abraço de acolhimento e também a correção que reconduz ao caminho da verdade e da justiça. A compreensão e o acolhimento, de uns para com os outros, especialmente nos momentos difíceis, são indispensáveis para uma família se manter unida. Chagas, feridas, diferenças, reticências e incompreensões são manifestações comuns na nossa vida familiar, mas isso deve favorecer ainda mais a coesão dos que estão fazendo parte do projeto família, para que juntos e se favorecendo mutuamente, possam superar as eventuais dificuldades. Importa também que a família viva o projeto de sua relação através da oração. Orar para que haja a paz de Cristo dentro de nossos lares, pois sem Deus, nada conseguimos fazer de bom. A paz só será conseguida quando tivermos a humildade de pedir desculpas e aceitar o pedido de perdão da outra pessoa. É na família que se aprende a delicadeza no trato para com as pessoas. Uma delicadeza que deve ser incentivada a se exprimir nas relações familiares marcadas pelo amor, pela solidariedade, pelo respeito e pela fidelidade. Delicadeza também que se manifesta na escuta da vontade Deus, especialmente na oração familiar que deve ter seu lugar nos lares. Aqui vão alguns questionamentos para regimentar ainda mais a vivência familiar e solidificar os laços entre seus membros: como tenho colaborado para manter o clima de paz e serenidade dentro do ambiente familiar? Como tenho vivido a delicadeza no trato para com as pessoas que fazem parte da família? Qual o cuidado que tenho para com os membros feridos da família: doentes, idosos e excluídos? Qual a minha contribuição para que a presença de Deus seja a força e a luz de todos que participam e frequentam o nosso ambiente familiar? Deus abençoe você e a sua família‼

Alteridade e medo

o outro: alteridade e medo



O conceito de alteridade abarca tudo que diz respeito ao outro, mas também ao nosso, assim como ao que é de mais íntimo quanto ao mais estranho. Antropologicamente o estranhamento significa reconhecer a alteridade. O diverso de mim mesmo. O outro nem sempre é positivo e a literatura mostra em diversas dimensões. Do ponto de vista da filosofia o outro se mostra tanto como o sagrado, quanto como o diverso, o que causa medo. A epifania do outro manifesta diversas reações também e uma constatação é feita: tudo que vive tem medo. A sensação do medo é a de ser vigiado, mas também a de ser dominado.
Esse outro, diverso de mim, que me mete medo, está fora de mim ou interno a mim mesmo, as perspectivas são muitas. No Des Cannibales (Michel de Montaigne), o pensador francês faz a  reflexão na qual evidencia que os chamados de bárbaros e que temos medo é o que não temos domínio. Talvez por isso queremos exorcizar, extirpar o que não é nosso ou não são dos nossos. O diferente coloca outra possibilidade. A filosofia da libertação de Enrique Dussel, que é uma filosofia contextualizada na América Latina, fala desse medo da alteridade como a negação do outro.
O medo da alteridade seria porque nos sentimos ameaçados, isso insinua Tzvetan Todorov no seu La peur des barbares, o que significa que o medo do outro se traduz bastante como medo da inclusão ou da alteração. O diferente, muitas vezes é visto como o bárbaro, pois o desconhecido provoca insegurança e incertezas, e quem vive tem medo, mesmo porque a imaginação gera o medo. Essa cultura do medo gera o medo do medo (Montaigne), onde a alteridade se traduz em Face to face with fear (Krishnananda Amana) e isso é um dado.
Cabe então a pergunta: O medo do outro é medo de mim mesmo? O que dá a minha identidade? Ousaria dizer: Os meus medos. Tem-se de adestrar o inimigo interno, para se tornar “eu mesmo”, ou seja, o medo está no desconhecimento provocado pela indiferenciação de um tu com outro tu: De l’un et de l’autre (De Finance). Quem é o outro de mim? No perspectivismo soaria que cada um é cada qual. Isso quer dizer que o medo do outro é uma questão de perspectivas? Assim a alteridade não seria mera exterioridade, isso significa que o ponto de vista de cada um é que provoca esse extasiar-se diante da alteridade. Se quem vê tem medo (parafraseando Viveiros), concluo dizendo que, o que vive tem medo, quem não tem medo é um fantasma.

Referências bibliográficas:
Bolda da Silva, M. Metafisica e assombro. São Paulo: Paulus, 1994.
LEVINAS, E. Totalidade e infinito. Lisboa: Edições 70, 2000
Montaigne, M. Essais. Paris: Gallimard, 1965.
TODOROV, T. La paura dei barbari. Milano: Garzanti, 2008.


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