Rotulo

Rótulo

Por Jorge Ribeiro




Basta que você repita um gesto ou uma atitude lá vem o rótulo.
Caso você não corresponda ao critério da maioria, logo recebe um rótulo
Por ventura você seja diferente ou diferenciado, automaticamente lhe marcam com um rótulo.
O rótulo é a besta fera de quem se incomoda com o diverso para permanecer na mesmice.
O rótulo é a raposa que se sente forte porque os outros são apenas frangotes.
O rótulo é a tornozeleira eletrônica que quer impedir os gestos livres.
O rótulo é a força dos cafonas para impedir as novas possibilidades.

Você comete um deslize ou um desguio e pra sempre viverá com esse rótulo.
Você se posicionou ou se esquivou numa situação e irão martelar sempre nesse rótulo.
Você assumiu uma posição ou negou uma petição e vai ser tachado com um rótulo.
O rótulo é o preconceito que se instala e quer virar lei.
O rótulo é o exclusivismo que se pretende normatividade comum.
O rótulo é a intolerância que quer se demarcar como hegemonia de classes.
O rótulo é o medo do outro que quer se estabelecer como ameaça e perda.

O rótulo é o azedume do ciúme que quer destruir, como inveja que provoca dilacerações e incertezas. O rótulo é a aberração de quem não consegue se desvencilhar das sombras da própria insignificância, pois é a arma de quem pretende coisificar e paralisar o outro. O rótulo é o grande monstro que quer engolir a espontaneidade de quem não vivem pra dar satisfação.



Filhos da Luz

Filhos da luz



O que nos define? O que nos constitui? Qual o nosso destino? Compreender a Teofania do divino para eliminar as sombras. Mas de onde vem esse desejo do eterno? Qual nossa origem mesmo?
O que se esconde por detrás de cada uma de nossas ações? Busca desleal de um horizonte jamais decifrado. O que significa essa continua manifestação de nós mesmos? Tateamos na espera de uma resposta.
As fotos são fenômenos dos desejos de se expressar. Queremos nos eternizar ou entrar na luz? O esplendor que invade as janelas mais fechadas é o sonho de quem está esperando a “estrela radiosa da manhã” (Ap 2 e 22).
O desejo, que vejamos a luz e sejamos iluminados, que essa busca da luz nos ajude a irromper a força da escuridão.
A conversão exige uma lenta transformação, para que se torne aquela imagem gloriosa, que e traduz a mais perfeita comunhão entre o terreno e o divino.
A luz proporciona um conhecimento recíproco, onde a compenetração é real: torna-se um só com o que ilumina, sem limites.
Que quer dizer filhos da luz? Alvejar a vida na transparência do próprio Deus. Ser filhos da luz? É viver cada passo como uma nova alvorada que se descortina.  E como fazer essa experiência do eterno?  Deixar-se consumir como Moisés na “Sarça ardente” e não se exasperar, pois como o povo conduzido para fora da escravidão, Deus como uma “Nuvem luminosa” nos guiará pelos rumos da terra prometida.
Magicamente, ser iluminado é como Elia, exaurir-se no “Carro de fogo” e se dar conta que os próprios olhos já contemplam a paz, como fizeram os “Discípulos no Tabor”.
Ser filhos da luz é fazer uma profunda experiência com o Absoluto, assim como “Maria e os apóstolos no cenáculo” no Pentecostes. Aproximar-se da luz é correr o risco de ser anulado como “Paulo na estrada de Damasco” e passar a exibir em vaso de barro um tesouro inestimável.
Ser filho da luz é acolher na própria consciência o inenarrável que se mostra como “Lâmpada que arde” e aponta para infinito, essa comunicação é possível por meio de Jesus Cristo, o “Sol Eterno que nos veio visitar”.


Ser da caatinga

Ser da Caatinga





Ser da caatinga: ser gente, ser forte, ser abandonado, ser eu
Ventos uivantes: tempestades carentes e terrenos arredios
Sorrisos amargurados: inclinação robusta e gemidos retorcidos
Convivência brejeira: riqueza de espécies e desertos desgarrados
Sentimentos arraigados: consideração de pedregulhos e leveza

Ser da caatinga: ser da roçado, ser solitário, ser contrário e contrariado.
Espinhos dilacerantes: agudos olhares e mãos fragilizadas
Vegetação rameira: linguagem aberta e almas generosas
Gente sofrida: gritos desafiadores e lenços estépicos
Sol escaldante: raízes profundas e águas carrascas

Ser da caatinga: ser inexorável, ser nordestino, ser arretado e aconchegante
Alma desmatada: degradação dos costumes e escassez dos celeiros
Futuro indeterminado: sutileza do mandacaru e das bromélias
Substratos rochosos: olhares ciprestes e esperança árida
Raça ameaçada: desejos emblemáticos e resignação incomum

Ser da caatinga: esmo da interação e desafio da sensibilidade.



Jorge Ribeiro

Personalidades

Personalidades




Somos de momento!
Quantas personalidades possuímos? 
Que dizer das multifaces que expressamos?
É preciso criar fatos positivos sem desprezar as próprias fragilidades.
Agimos diversamente segundo as circunstâncias e conforme os interlocutores.
Como entender essa ambiguidade?
Será que todos sofremos de distúrbio de personalidade?
Não seria o jogo de interesses e de conveniências que fala mais alto?
E por que mudamos rapidamente?
Falta de coesão de identidade ou múltiplas personalidades?
Quais razões apresentamos nossas credenciais até antes  de nossa chegada?
O que nos faz debruçar mais sobre os erros que sobre os acertos?
O que nos leva a querer tanto bem e a desejar tanto o mal?
Somos assim mesmos fragmentados ou os acidentes nos faz desassociados?
O mesmo que faz prodígios, porque comete atrocidades?

Somos assim, um e múltiplo, personalidades!

Qual o teor da nossa vida?

LEITURAS: UMA reflexão SOBRE O TEOR DA VIDA  




Com o tempo tudo vira pó.  É triste quem leva a vida muito a sério. Isso aqui é uma ironia. A vida brinca e desafia a nossa vaidosa e irrisória pretensão de encontrar um nexo nas coisas. Só no delírio pode se entender esse país e só sendo louco pra entender a vida! Mas quem busca certezas e razões acabará por entrar em colapso. Só sendo desajustado para entender todas essa confusão despontada.
Essa descontinuidade desdobrada de ser você mesmo e outros personagens, que esquisofrênico é querer que tudo caminhe de modo sistematizado. Melhor ser heterodoxo e poder conviver com esse turbilhão de efemeridades que tentar encontrar um valor e terminar por se perder em estradas que não se sabe onde vai desembocar.
E como me situo dentro desse emaranhado de papéis e de realidades? Como todo mundo, mesmo os que não admitem: um bobo da corte ou como um fantoche. Cada um faz o seu sentido? Isso é arroubo psicológico ou terapia de auto superação, o que permanece é o descolorido de um amanhã e a luta para se ter maiores vantagens.
Que fantasia essa de conhecer mundos e pessoas, talvez essa seja a minha janela para uma existência menos aborrecida e seguir achando que a história na qual faço parte tem algo além da ansiedade e das incertezas!! As coisas vem atropelando e vamos nos esquivando ou optando por outras e isso provoca a sensação que somos senhores da nossa história e que nos reconhecemos nessa tentativa de autoconstrução. Puro engano! Toda tentativa  apenas favorece um ilusório ambiente mais próximo do que queremos, mas não passa duma narrativa de egos destroçados que se presta a compreender o que sucede. Cada vez que nos elucidamos mais, logo vemos ainda mais a nossa dependência de algo que não conhecemos e não sabemos explicar. A fé reforça essa dependência de Ser Absoluto, quando a Liberdade que se pretende absoluta procura encontrar explicação em si mesma. Tentativas vãs, pois diante de tais reticências, ou nos submetemos ou nos revoltamos. Meio termo? Ficar com a consciência enublada?
O que nos cansa é toda essa engrenagem de mentiras, desalentos e decepção. É um esforço memorável da religião, da ciência e de muitos outros seguimentos de oferecer uma configuração plausível ao que simplesmente está ai. Quem decide são sempre os outros! Tanta basbaquice e tanta mediocridade na desenfreada tentativa de driblar o inevitável, a caduquice do existir. Construímos um enredo e nos colocamos dentro e acreditamos que viver seja fruto de um emaranhado de leituras!

Pra se pensar ....

Desespero anunciado

Desespero anunciado Para que essa agonia exorbitante? Parece que tudo vai se esvair O que se deve fazer? Viver recluso na pr...