Qualquer lugar!

Qualquer lugar!




O lugar não é aqui! Resta-nos o medo dos bárbaros!
Talvez seja o medo da barbárie e da conspiração.
Ainda estou por aqui, com todos e com o medo do outro.
Todo lugar pode o certo, não se tem outras possibilidades.
O que dizer dessa degeneração? Um misto de náusea e revolta.
Qual é o lugar apropriado? Errante e sem paradeiro, vamos caminhando.
O futuro? Nada de expectativas, apenas deixamos que se arrastem os devires.
A fraternidade. Como vivenciá-la entre tanta mediocridade e banalidade!
Nem libertação e nem escravidão, é o marasmo mesmo que nos corrói.  
Os bons sentimentos, as boas companhias! São bálsamos para ir suportando.
Pessimismo?  Não vejo que cadáveres caídos e tantos urubus que tateiam!
Decepção ou insegurança? Talvez se tenha esperado demais e criado ilusões.
Perplexidade diante desse barril de pólvora, guia  de um tempo que não existe.
Qual é o lugar certo se a periculosidade é inerente ao existir?
Qualquer lugar serve se tudo é a mesma coisa!




POSSIBILIDADE

Possibilidade




Amanhã é a possibilidade do que ainda não existe
Sonhar é a possibilidade do que ainda não se pode fazer
Pensar é a possibilidade do que ainda não aterrou
Imaginar é a possibilidade do que ainda não vingou
Chorar é a possibilidade do que já se perdeu
O outro é a possibilidade de ver o que eu não sou
Violência é a possibilidade do que ainda não se aceitou
Tolerância é a possibilidade do que ainda se pode dialogar
Depressão é a possibilidade do que ainda não se superou
Acreditar é a possibilidade do que ainda se pode esperar.
Tudo é a possibilidade do que ainda não se percebeu como nada.
Possibilidade é a possibilidade do que ainda se quer viver!


Desafetos

DESAFETOS



Um gosto amargo de tristeza e decepção é ancorado pela mesmice e pela indiferença, isso fundamenta o individualismo e o desânimo que abate sobre o peregrino. Nesse vale de impiedade e de ganância, o que nos resta? Desaguar-se no desespero e na angústia e inebriar-se por torpes satisfações? Acabrunhar-se no próprio peso e arrastar-se sem perspectivas numa estrada desconhecida? Esconder-se nos infinitos mistérios e alienar-se em práticas rituais e desencarnadas? Revoltar-se e maltratar a si mesmo, colocando-se como esquadrão ácido e feroz? Acreditar em dias melhores e começar paulatinamente a remoção dos pedregulhos e expulsar todo apego e privilégio? Qualquer que seja a solução, essa é inacabada e violenta. Sem garantia de sucesso ou de reconhecimento. Como lidar com essa ambiguidade estrutural e reticente duma realidade que se mostra escarnecida e cínica? É impreterível um posicionamento e uma atitude. O preço será demasiado alto e o custo pode extrapolar as próprias intenções de continuidade? Qual certeza se agarrar para não sucumbir no turbilhão de hipocrisias e falsas evidências? O temor de ser levado pela enxurrada de desenfreadas aparências e salvação pode ferir profundamente de modo a não se ter mais uma válvula respiratória. 

Indiferença e violência: questionamentos!

Indiferença e violência: questionamentos!



Quem é o outro? É apenas um EU fora de mim? Trato o outro como um espelho ou objeto ou reconheço a sua subjetividade e dignidade? Como nos vemos entre os outros? Como vemos a presença do outro? Qual o lugar do outro na minha vida? O que não sou eu é estranho ou complemento? Como reconheço o valor do outro? O outro é uma ameaça ou um estimulo? O outro provoca medo ou aproximação? Sou capaz de perceber e aceitar as qualidades ou bem dos outros?
Vivemos sem os outros? Que importância dou aos outros e o que eles vivem? Como reagimos ao diferente? Eu sou capaz de dialogar com o diverso? Qual valor atribuo ao que os outros vivem? Qual o parâmetro para julgar as ações do outros? Tenho consciência que sou o outro para os outros? Sou universal nos relacionamentos ou faço distinção e exigências?
O diferente é o mesmo que desigual? A diferença é a lei da natureza, a desigualdade é crime. Por que trato iguais como diferentes? Dou a devida atenção às pessoas ainda que sejam diferentes e diferenciadas? Aceito o que contradiz as minhas perspectivas? 
O que é a violência? O que lhe provoca? Seria reação ao diferente? Rejeição ao estranho ou que fere o meu egoísmo? Seria fruto das desarticulações a causa de provocações? Modo de se impor? Quais suas causas? O que provoca uma reação violenta?
Quais tipos de violência existem? Indireta, passiva, física, psicológica, simbólica e outras tantas.  A pressão. O uso dos privilégios. A mania de dar jeitinho. As promessas e ameaças.  A violência pode ser justa? Toda violência é condenável. Existe violência legítima? Pode se usar alguma forma de violência para se obter o bem ou o melhor?
Qual a relação entre violência e política? O estado usa de violência para conseguir seus propósitos? As leis e as sanções são formas de violência? Sem o poder o Estado conseguiria manter a ordem? Para se obter ordem é preciso poder? Quanto o poder se entrelaça com a força? E o uso da força, seja ela como for, não se manifesta como violência? Como classificar tempo de paz, seria apenas ausência de guerra? Guerra e paz são excludentes ou complementares? Seria preciso guerra para se conquistar a paz ou essa é desejo natural das pessoas?
Como superar a natural violência e tendência à indiferença que existe na estrutura das pessoas? Como viver num mundo competitivo sem perceber o outro como adversário ou ameaça? Como praticar o desarmamento existencial? Somos capazes , realmente, de viver o acolhimento e o diálogo?  Eis que uma esperança se abre…



O que nos sacia?

O que nos sacia?



Tudo que vem de mim mesmo ainda me deixa a desejar
E essa insatisfação tem alguma razão aparente?
Cada ponto de chegada demarca outra saída
A sensação de completeza dura apenas momentos
O que nos sacia vem de fora!


A fome de presença, a sede de afeto, o desejo de reconhecimento
De onde vem uma possível resposta?
Vejo que eu não me basto a mim mesmo
O que pode calar esse inquietante busca?
O que nos sacia nãos vem de fora



Interpelações sobre a felicidade
Reticências sobre as conquistas
Especulações sobre o infinito
Autotranscedência  apesar da falência
O que nos sacia vem do Outro


Consciência dos próprios limites
Incertezas sobre o depois
Fragmentações e divisões internas
Senso de absoluto mesmo na decadência
O que nos sacia?


A falta de silencio

A falta de silêncio




É um dado do qual não se pode escapar: vivemos em um marasmo generalizado, tanto no mundo sociocultural, quanto no mundo acadêmico e religioso. Essa normatividade que provoca certa anestesia nas atitudes das pessoas foi o pano de fundo das vinte cinco (25) razões para não se acreditar, que Bernhard Welte descreveu no itinerário do homem contemporâneo, ou seja, da passagem do crer ao nada.
O pensamento fantasioso e demasiado objetivista é o primeiro obstáculo, o homem não tem consciência que seu pensamento é ferido, falho e, sobretudo, perigoso, pois não mais se coloca a pergunta sobre o ser das coisas. O  segundo é o esquecimento dos próprios limites, quando não se percebe a barreira do horizonte ôntico – cientifico, o da interdependência dos entes e aquele que o próprio mundo nos obriga. O terceiro se mostra como a exaltação dos bens materiais e a desmesurada confiança na ciência, que se pretende salvadora. Em quarto vem a absolutização das coisas e a anulação do tempo e do espaço como dons é outro obstáculo a crer. 
O quinto impedimento a crer seria o desaparecimento do entusiasmo, o não se espantar mais diante das coisas e das novidades. A sexta barreira seria mesmice e a vida sem investigação, para muitos os métodos e as normas paradigmáticas são suficientes para um novo conhecimento. Não se pergunta pelo ser das coisas, mas ha um contentamento na descrição normativa. A sétima barreira se apresenta como a renúncia das grandes questões, quer dizer, o medo de colocar a realidade dentro de grandes projetos inibe as grandes interrogações.
A oitava falha seria a falta de grandes nomes, não se tem grandes homens capazes de suportar o peso das grandes ideias, isso desencoraja também. Nona aparece como a inexistência de utopias e sonhos, onde a luta pela sobrevivência e pela vantagem falam mais alto, isto vem como um apaziguar-se com as migalhas e abandonar as aspirações. A décima barreira à crença se mostra como arrogância das propostas, como ideias regulativas e não como pensamento ferido.
Um outro limite ao crer é a ausência da graça, se faz calar a voz de tudo que soa religioso, divino, assim impossibilita o crer. O ponto central, que tomamos como título dessa reflexão, é a falta de silêncio, não se pensa o ponto inicial das coisas e da própria vida, mas se enche de coisas e sons. O outro limite unido ao anterior é o medo do diálogo, um vício a não falar com o Tu, desprende a ter uma relação eu-tu.
A outra causa para não crer seria a desconfiança, essa suspeita em relação ao outro e ao desconhecido. A outra dimensão seria a inflação do amor, ou seja, o conformismo que leva o amor a ser instrumentalizado. Um outro impedimento seria o problema histórico, dado que se absolutiza os eventos que são historicamente comprovados. A Mania de grandeza seria esse fator para se resistir ao crer.  Um outro seria a fragmentação ou rejeição da condição de escutar o outro.
A não consciência do próprio nada aparece também como impedimento ao crer, não reconhecer os limites humanos nas suas infinitas manifestações.
Não querer, não saber e não ter, ou seja, deixar-se possuir pelo vazio, ou seja, resistir a não ser nada, isso também impede a pessoa de acreditar. Somente se esvaziando é que se pode se reconhecer como tal. Desse modo, a apropriação é um outro impedimento, para crer precisa praticar o  isolamento, o desapego de si e das coisas, um destaque solitário. A falta de política do amor, isso dificulta a crença, pois é preciso que a inteligência criativa supere aquela instrumental.
Ele ainda coloca que uma Igreja distraída também seria uma das razões para não se crer, pois somente uma igreja que faça a diferença e não que pratique a diferença pode dar um testemunho atraente. Somente quando Ela seja garantia do depositum fidei e profética então ela é construtiva.

A penúltima barreira é a temporalidade do ser, quer dizer, como esse tem se manifestado no tempo, a sua epocalidade, como ele tem se revelado ou desnudado. O ultimo item no impedimento do crer é o eclipse de Deus, a morte anunciada, sentimentos hostis em relação à fé. Somente no silêncio que o homem percebe que ele é livre mesmo diante de Deus.

VERTIGEM

VERTIGEM


O que é esse mal-estar que nos envolve e nos deixa desorientados? Por que essa constante desconfiança em relação ao outro e ao que se apresenta divergente? E essa suspeita com o que não se define como “eu” ou como “meu” será apenas fruto da fragmentariedade desse época de desrazão ou consequências das movediças artimanhas do ser ambíguo que estrutura a pessoa humana? O que está por vir? Uma vertigem incontrolada desfila pelas veias complexas da humanidade.
Partindo de um texto de Kundera: A insustentável leveza do ser, no qual se afirma que "O que é vertigem? Medo de cair? Mas porque temos vertigem num mirante cercado por uma balaústra sólida? Vertigem não é o medo de cair, é outra coisa. É a voz do vazio debaixo de nós, que nos atrai e nos envolve, é o desejo da queda do qual nos defendemos aterrorizados." Esse vazio do nada causa tanta impressão que é mais vertiginoso que a própria queda. O que é isso? Os códigos que já nos foram impressos causam essa sensação de movimento giratório e oscilante e por uma associação de ideias e de possíveis derrocadas, falta a segurança.

Essa fraqueza que aprisiona o ser é a mais alta expressão da nossa debilitada condição, ou seja, a vertigem é sintoma e fruto do nada existencial, que premune na queda a inexorável derrocada da condição humana em sua mais antagônica certeza, que é um não ser. A vida? Essa é apenas um parêntese entre facticidades e fatalidade. O destino? Um sonho que que haja um sentido em tudo que preconizamos. O futuro? Uma corrida ilusionaria verso o precipício. E o nada? Impossibilidades existenciais ou o vazio que se apresenta como única realidade vigente. E a sonhada estabilidade? Abriu-se um buraco negro nas esperanças de conciliação e tolerância, pois uma forte tendência ditatorial parece se desenhar no horizonte das nações. E esse lado obscuro que cada um carrega, o que significa? Nascemos com uma ferida ou é apenas uma falta que devemos completar com os outros? E o que nos resta? A vertigem.

Pra se pensar ....

Desespero anunciado

Desespero anunciado Para que essa agonia exorbitante? Parece que tudo vai se esvair O que se deve fazer? Viver recluso na pr...