A vida como absurdo

O absurdo da vida sem Deus

William Lane Craig

Originalmente publicado como: “The Absurdity of Life without God”. Texto disponível na íntegra em: http://www.reasonablefaith.org/the-absurdity-of-life-without-god.
Traduzido por Marcos Vasconcelos. Revisado por Djair Dias Filho.
A necessidade de Deus e da imortalidade
O homem, escreve Loren Eiseley, é o Órfão Cósmico. É a única criatura no universo que pergunta: “Por quê?”. Os outros animais têm os instintos para guiá-los, mas o homem aprendeu a fazer perguntas. “Quem sou eu?”, pergunta o homem. “Por que estou aqui? De onde vim?”. Desde o Iluminismo, quando sacudiu de si os grilhões da religião, o homem procura responder a essas perguntas sem fazer referência a Deus. Mas as respostas obtidas não são divertidas, mas tenebrosas e terríveis: “Você é subproduto acidental da natureza, resultado de matéria mais tempo mais acaso. Não há razão para que exista. Tudo que lhe espera é a morte”.
O homem moderno pensava que, ao livrar-se de Deus, também se livraria de tudo que o reprimia e coibia. Em vez disso, descobriu que, ao matar Deus, também matou a si mesmo. Pois, se não há Deus, a vida do homem torna-se absurda.
Se Deus não existe, homem e universo estão condenados à morte. O homem, como todo organismo biológico, deve morrer. Sem a esperança de imortalidade, a vida do homem leva somente à sepultura. Sua vida não passa de uma centelha nas trevas infinitas, uma centelha que aparece, brilha e morre para sempre. Portanto, todos se encontrarão cara a cara com o que o teólogo Paul Tillich denominou de “a ameaça de não ser”. Porque, embora saiba agora que eu existo, que estou vivo, também sei que algum dia não existirei mais, que não serei mais, que morrerei. Esse pensamento é desconcertante e ameaçador: pensar que a pessoa a quem chamo de “eu” deixará de existir, não será mais!
Recordo-me vividamente da primeira vez em que meu pai me disse que algum dia eu morreria. De algum modo, como criança, esse pensamento jamais me ocorrera. Quando ele me disse, fiquei cheio de medo e de tristeza insuportável. E, embora ele procurasse repetidamente me garantir que isso estava muito longe, isso não parecia importar. Fosse cedo ou tarde, o fato inegável era que eu morreria e deixaria de existir, e o pensamento me esmagava. Finalmente, como todos nós, cresci simplesmente aceitando o fato. Todos aprendemos a viver com o inevitável, mas a consciência repentina da criança permanece verdadeira. Conforme observou o existencialista francês Jean-Paul Sartre, tantas horas e tantos anos não fazem diferença, já que se perde a eternidade.
Quer chegue mais cedo ou mais tarde, a perspectiva da morte e a ameaça da inexistência é horror terrível. Certa vez, porém, conheci um estudante que não temia essa ameaça. Ele contou que fora criado numa fazenda e estava acostumado a ver animais nascendo e morrendo. Para ele, a morte era simplesmente natural — uma parte da vida, por assim dizer. Fiquei perplexo com quão diferentes eram nossas perspectivas sobre a morte e foi-me difícil entender por que ele não sentia a ameaça de não ser. Anos mais tarde, acho que encontrei minha resposta ao ler Sartre. Sartre percebeu que a morte não é ameaçadora desde que a vejamos como a morte do outro, ou seja, do ponto de vista da terceira pessoa. É somente quando a internalizamos e a olhamos da perspectiva da primeira pessoa — “minha morte: eu vou morrer” — que a ameaça do não ser torna-se real. Conforme indica Sartre, muitas pessoas, no decorrer da vida, nunca assumem a perspectiva da primeira pessoa. É possível olhar até mesmo a própria morte do ponto de vista da terceira pessoa, como se fosse a morte de outra pessoa ou mesmo de um animal, como fazia meu amigo. Mas a importância existencial verdadeira da minha morte só pode ser considerada da perspectiva da primeira pessoa, quando compreendo que vou morrer e deixar de existir para sempre. Minha vida é somente uma transição momentânea do esquecimento para o esquecimento.
O universo, também, enfrenta a morte. Os cientistas nos dizem que ele está se expandindo e tudo quanto nele existe distancia-se mutuamente cada vez mais. À medida que isso ocorre, o universo torna-se cada vez mais frio e sua energia se esgota. Finalmente, todas as estrelas se consumirão em chamas e toda matéria se desintegrará em estrelas mortas e buracos negros. Não haverá nenhuma luz. Não haverá nenhum calor. Não haverá nenhuma vida. Somente os cadáveres de estrelas e galáxias mortas, expandindo-se cada vez mais rumo à escuridão infindável e aos frios recessos do espaço — um universo em ruínas. Portanto, não é somente a vida pessoal do indivíduo que está condenada à morte. Toda a raça humana está condenada. Não há escapatória. Não há esperança.
O absurdo da vida sem Deus e a imortalidade
Se Deus não existe, o homem e o universo estão condenados. Como prisioneiros condenados à morte, aguardamos nossa execução inevitável. Não há Deus, e não há imortalidade. Portanto, qual a consequência disso? Significa que a vida em si mesma é um absurdo. Significa que a vida que temos não tem significado, valor nem propósito maiores. Atentemos para cada um desses argumentos.
Não há sentido maior sem a imortalidade e sem Deus
Se a pessoa deixa de existir quando morre, então, que significado supremo pode ser dado a esta vida? Que importância real tem se ela existiu? A vida da pessoa pode ter importância relativa a certos eventos, mas qual é a importância final de qualquer um desses eventos? Se todos os eventos não têm sentido, então que sentido último há em influenciar qualquer um deles? Em última análise, não faz nenhuma diferença.
Veja a questão de outra perspectiva: os cientistas afirmam que o universo se originou de uma explosão denominada big bang, cerca de 13 bilhões de anos atrás. Suponha que o big bang jamais tenha ocorrido. Suponha que o universo jamais existiu. Que diferença essencial isso faria? Seja como for, o universo está condenado a morrer. No fim das contas, não faz nenhuma diferença se alguma vez ele existiu ou não. Logo, o universo não tem nenhum significado maior.
A mesma verdade se aplica à raça humana. A humanidade é uma raça condenada à destruição num universo em processo de morte. Uma vez que a raça humana deixará finalmente de existir, não faz basicamente nenhuma diferença se ela algum dia realmente existiu. A humanidade é, portanto, não mais importante do que um enxame de mosquitos ou uma manada de porcos, pois o fim de todos eles é o mesmo. O mesmo processo cósmico cego que de início os lançou para fora no final os engolirá de novo totalmente.
E a mesma verdade se aplica a cada pessoa. As contribuições dos cientistas para avançar o conhecimento humano, as pesquisas dos médicos para aliviar a dor e o sofrimento, os esforços diplomáticos para assegurar a paz no mundo, os sacrifícios dos homens bons em todos os lugares para melhorar a condição da raça humana — tudo isso resulta em nada. Este é o horror do homem moderno: uma vez que ele termina em nada, o homem não é nada.
É importante perceber que, para que a vida tenha sentido, o homem não precisa apenas de imortalidade. A mera duração da existência não a torna significativa. Caso o homem e o universo pudessem existir para sempre, e não houvesse Deus, a existência deles continuaria sem maior sentido. Para ilustrar: li certa vez um conto de ficção científica em que um astronauta, abandonado em asteroide rochoso e estéril no espaço sideral, tinha consigo duas ampolas, uma com veneno e outra com uma poção que o faria viver para sempre. Compreendendo a sua situação terrível, com um único gole, sorveu o veneno. Mas depois, para seu horror, descobriu que tomara a ampola errada — havia bebido a poção da imortalidade, o que significava que estava amaldiçoado a existir para sempre, numa vida sem sentido e sem fim. Portanto, se Deus não existe, nossa vida é exatamente assim. Poderíamos ainda questionar a vida: “E daí?”. Daí, que não é apenas de imortalidade que o homem precisa, se a vida não tiver nenhum significado maior; ele carece de Deus e de imortalidade. Se Deus não existe, o homem não tem nenhum dos dois.
O homem do século XX chegou a esse entendimento. Basta ler Esperando Godot, de Samuel Beckett. Durante toda essa peça teatral, dois homens conversam banalidades enquanto esperam chegar uma terceira pessoa, que nunca chega. Nossa vida parece com isso, é o que Beckett está dizendo; apenas matamos o tempo esperando — para quê, não sabemos. Numa trágica descrição do homem, Beckett escreveu outra peça teatral em que as cortinas se abrem revelando um palco entulhado de lixo. Durante longos 30 segundos, a plateia silenciosa contempla toda aquela sujeira. Logo o pano cai. É tudo.
Os existencialistas franceses Jean-Paul Sartre e Albert Camus também tiveram a mesma compreensão. Em sua peça Entre quatro paredes, Sartre retratou a vida como o inferno — a fala da última cena são as palavras de resignação: “Pois é, vamos continuar?”. Por isso, noutro livro, Sartre escreve sobre a “náusea” da existência. Camus também via a vida como um absurdo. No final de seu romance O estrangeiro, o herói de Camus percebe de repente que o universo não tem sentido e não existe Deus para dotá-lo de um.
Assim, se Deus não existe, a própria vida torna-se sem sentido. O homem e o universo não têm nenhum significado maior.
Não há valor maior sem a imortalidade e sem Deus
Se a vida acaba na sepultura, não há diferença em viver como um Stálin ou como um santo. Uma vez que, em última análise, o destino pessoal nada tem a ver com comportamento, pode-se também viver como quiser. Como sentenciou Dostoiévski: “Se não há imortalidade, tudo é permitido”. Nesse fundamento, escritores como Ayn Rand estão totalmente corretos ao louvarem as virtudes do egoísmo. Viva totalmente para si, ninguém tem que prestar contas! De fato, seria tolice agir de outra maneira, porque a vida é curta demais para prejudicá-la vivendo por outra razão que não o interesse próprio. Sacrificar-se por outra pessoa seria estúpido. Kai Nielsen, filósofo ateu que tenta defender a viabilidade de uma ética sem Deus, admite no final que:
Não conseguimos mostrar que a razão exige o ponto de vista moral, ou que todas as pessoas realmente racionais, cujos olhos não estão vendados pelo mito ou pela ideologia, não têm necessidade de ser egoístas individuais ou amoralistas clássicos. Aqui, a razão não toma decisões. O quadro que pintei para vocês não é nada agradável. Pensar a respeito dele me deprime [...] A razão pura e prática, mesmo com um bom conhecimento dos fatos, não levará à moralidade.1
Mas o problema torna-se ainda pior. Pois, sem levar em conta a imortalidade, se Deus não existe, não pode haver padrões objetivos para o que é certo e errado. Tudo quanto nos confronta é, nas palavras de Jean-Paul Sartre, o fato nu e sem valor da existência. Valores morais não passam de expressões de gosto pessoal ou de subprodutos da evolução e do condicionamento sociobiológico. Num mundo sem Deus, quem deve dizer quais valores são certos e quais são errados? Quem deve julgar que os valores de Adolf Hitler são inferiores aos valores de um santo? O conceito de moralidade perde todo e qualquer sentido num universo sem Deus. Como mostra certo ateu contemporâneo: “dizer que algo é errado porque [...] é proibido por Deus, é [...] perfeitamente compreensível para quem crê num Deus legislador. Mas dizer que algo é errado [...] embora não exista Deus para proibi-lo, não dá para entender [...]”. “O conceito de obrigação moral [é] ininteligível sem a ideia de Deus. As palavras permanecem, mas o seu sentido se foi”.2 Num mundo sem Deus, não é possível haver certo e errado, somente nossos julgamentos subjetivos, cultural e pessoalmente relativos. Isso significa que é impossível condenar como maus a guerra, a opressão ou o crime. Nem é possível enaltecer como bons a fraternidade, a igualdade e o amor. Pois, num universo sem Deus, não existe bem nem mal — há exclusivamente os fatos nus e sem valor da existência, e ninguém para dizer que você está certo e eu, errado.
Não há propósito maior sem a imortalidade e sem Deus
Se a morte está em pé com os braços abertos no final da trilha da vida, qual é o objetivo da vida? É tudo vão? Existe razão para a vida? E quanto ao universo? Não tem nenhum sentido? Se o destino dele for a sepultura gelada nos recessos do espaço sideral, a resposta só poderá ser: sim, não tem sentido nenhum. Os detritos de um universo morto prosseguirão tão somente se expandindo cada vez mais, para sempre.
E quanto ao homem? Há mesmo algum propósito para a existência da raça humana? Vai simplesmente desaparecer algum dia, perdida no esquecimento de um universo indiferente? O escritor inglês H. G. Wells anteviu esse panorama. Em seu romance A máquina do tempo, o viajante do tempo criado por Wells segue rumo ao futuro distante para descobrir o destino do homem. Tudo que encontra é uma terra morta, exceto por alguns líquens e musgos, orbitando em torno de um gigantesco sol vermelho. Os únicos sons são o do vento soprando e a gentil ondulação do mar. “Além desses sons destituídos de vida”, escreve Wells, “o mundo estava em silêncio. Em silêncio? Seria difícil transmitir a sua imobilidade. Todos os sons produzidos pelo homem, o balido das ovelhas, o trilado das aves, o zumbido dos insetos, a agitação que compõe o cenário de nossa vida — tudo isso se acabara”.3 E, assim, o viajante do tempo de Wells retornou. Mas voltou para onde? — para um mero ponto anterior à corrida despropositada rumo ao esquecimento. Quando, como não cristão, li esse livro pela primeira vez, pensei: “Não, não! Não pode terminar desse jeito!”. Mas, se Deus não existe, terminará assim, gostem ou não. Esta é a realidade num universo sem Deus: não existe esperança; não existe propósito.
O que é verdade para a humanidade toda também o é para cada um de nós individualmente: estamos aqui sem nenhum propósito. Se Deus não existe, nossa vida não é qualitativamente diferente da vida de um cão. Conforme escreveu o antigo autor de Eclesiastes: “O que acontece com os homens é o mesmo que acontece com os animais; a mesma coisa acontece para ambos. Assim como um morre, morre também o outro. Todos têm o mesmo fôlego de vida. O homem não tem vantagem sobre os animais. Tudo é ilusão. Todos vão para o mesmo lugar; todos são pó e todos retornarão ao pó” (Ec 3.19-20). Nesse livro, cujo texto parece mais uma peça literária existencialista moderna do que um livro da Bíblia, o escritor mostra a futilidade do prazer, da riqueza, da educação, da notoriedade política e da honra numa vida condenada a terminar na morte. Seu veredicto? “Que grande ilusão! Que grande ilusão! Tudo é ilusão!” (Eclesiastes 1.2). Se a vida acaba na sepultura, não temos nenhum propósito maior para viver.
Mas mais do que isso: ainda que a vida não terminasse na morte, sem Deus, ela continuaria sem propósito. Porque o homem e o universo seriam, portanto, meros acidentes do acaso, empurrados na existência sem razão alguma. Sem Deus, o universo é o resultado de um acidente cósmico, de uma explosão por acaso. Não há razão para que exista. Quanto ao homem, é uma aberração da natureza, produto cego de matéria mais tempo mais acaso. O homem não passa de um bocado de lodo que evoluiu racionalmente. Como expressou certo filósofo: “A vida humana está montada em cima de um pedestal subumano e tem de lutar pela vida sozinha no coração de um universo silencioso e estúpido”.4
O que é verdade para universo e para a raça humana também é verdade para nós como indivíduos. Se Deus não existe, você é somente um aborto da natureza, lançado num universo despropositado para viver uma vida sem propósito.
Portanto, se Deus não existe, significa que o homem e o universo existem sem nenhum propósito — já que o fim de tudo é a morte — e passaram a existir sem nenhum objetivo, uma vez que são apenas frutos do mero acaso. Resumindo, a vida não tem absolutamente nenhuma razão de ser.
É possível entender a gravidade das alternativas diante de nós? Porque, se Deus existe, há esperança para o homem. Mas, se Deus não existe, tudo que nos resta é o desespero. É possível entender por que a questão da existência de Deus é tão vital para o homem? Como escreveu apropriadamente certo autor: “Se Deus está morto, o homem também está morto”.
Infelizmente, o grosso da humanidade não percebe tal fato. Os homens continuam vivendo como se nada tivesse mudado. Vem-me à memória o conto do louco de Nietzsche que, nas primeiras horas da manhã, irrompeu na praça do mercado, empunhando uma lanterna, gritando: “Procuro Deus! Procuro Deus!”. Como muitos dos circunstantes não acreditavam em Deus, ele provocou muitas risadas. “Será que Deus se perdeu?”, provocaram-no com sarcasmo. “Ou, quem sabe, está se escondendo? Ou talvez partiu em viagem ou emigrou!”. Assim gritavam e gargalhavam. Então, escreve Nietzsche, o louco se lançou entre eles e trespassou-os com seu olhar:
“Aonde foi Deus?”, gritou ele. “Já lhes direi! Nós o matamos — vocês e eu. Somos todos seus assassinos! Mas como fizemos isso? Como conseguimos beber inteiramente o mar? Quem nos deu a esponja para apagar o horizonte inteiro? Que fizemos, ao desprender a corrente que prendia esta terra ao seu sol? Para onde se move ela agora? Para longe de todos os sóis? Não estamos nos arrojando continuamente? Para trás, para os lados, para frente, em todas as direções? Restou ainda algum “para cima” ou “para baixo”? Não estaríamos vagando como que através de um nada infinito? Não sentimos na pele o sopro do espaço vazio? Não se tornou ele mais frio? Não sobrevém noite e mais noite o tempo todo? Será que não é preciso acender as lanternas logo de manhã? Acaso ainda não ouvimos o barulho dos coveiros que estão sepultando Deus? [...] Deus está morto! [...] E nós o matamos! Como nós, assassinos de todos os assassinos, consolaremos a nós mesmos?5
A multidão, silenciosa e estarrecida, contemplava fixamente o louco. Por fim, ele atirou sua lanterna ao chão. “Cheguei cedo demais”, lamentou. “Esse evento tremendo ainda está a caminho, não chegou ainda aos ouvidos do homem”. Os homens não compreendem de fato as consequências do que fizeram ao matar Deus. Mas Nietzsche predisse que algum dia as pessoas compreenderiam as implicações do ateísmo delas; e essa compreensão conduziria a uma era de niilismo: a destruição de todo sentido e valor da vida.
A maioria das pessoas não pensa nas consequências do ateísmo e, assim, como a multidão da praça do mercado, continua a viver inadvertidamente. Mas, quando compreendemos, assim como Nietzsche, qual a implicação do ateísmo, a seguinte pergunta nos oprime: como nós, assassinos de todos os assassinos, consolaremos a nós mesmos?
A impossibilidade prática do ateísmo
A única solução que os ateus conseguem nos oferecer é que devemos encarar o absurdo da vida e viver corajosamente. Bertrand Russell, por exemplo, escreveu que temos de edificar a nossa vida sobre “o firme alicerce do desespero inabalável”.6 Somente reconhecendo que o mundo é de fato um lugar terrível podemos entrar num acordo eficaz com a vida. Camus chegou à conclusão de que deveríamos reconhecer honestamente o absurdo que é a vida e, então, viver em amor mútuo.
Mas o problema fundamental dessa estrutura é a impossibilidade de viver de modo coerente e feliz nessa visão de mundo. Se alguém vive coerentemente, não será feliz; se vive feliz, é só porque não é coerente. Francis Schaeffer apresentou uma boa explicação para essa condição. O homem moderno, afirma Schaeffer, habita um universo com dois andares. No andar de baixo, está o mundo finito sem Deus; aqui a vida é absurda, como já vimos. No andar de cima, há sentido, valor e propósito. Todavia, o homem moderno vive no andar de baixo, pois acredita que Deus não existe. Ele não consegue ter uma vida feliz nesse mundo tão absurdo; por isso, sempre dá saltos de fé até o andar de cima para afirmar sentido, valor e propósito, mesmo não tendo esse direito, já que não acredita em Deus.
Vamos, portanto, examinar uma vez mais cada uma das três áreas na qual vimos que a vida sem Deus é absurda, a fim de mostrar como o homem não pode levar uma vida coerente e feliz com o seu ateísmo.
O sentido da vida
Primeiramente, a área do sentido. Já vimos que, sem Deus, a vida não tem sentido. No entanto, os filósofos continuam a viver como se a vida tivesse sentido. Por exemplo, Sartre defendia que é possível dar sentido à vida quando se escolhe livremente seguir certo curso de ação. Sartre, por sua vez, optou pelo marxismo.
Ora, isso é absolutamente incoerente. Não é coerente afirmar que a vida é objetivamente absurda e depois alegar que é possível criar sentido para a própria vida. Se a vida é absurda de fato, o homem está aprisionado no andar de baixo. Tentar criar sentido para a vida representa um salto até o andar superior. Mas Sartre não tem nenhum apoio para dar esse salto. Sem Deus, não pode haver significado objetivo na vida. Na verdade, o programa de Sartre é exercício de autoengano. O que ele está dizendo mesmo é: “Vamos fazer de conta que o universo tem sentido”. Isso é apenas nos fazer de tolos.
A questão é: se Deus não existe, a vida é objetivamente sem sentido; porém, o homem não consegue viver de maneira coerente e feliz sabendo que a vida não tem sentido; assim, para ter felicidade, ele finge que a vida tem sentido. Mas, é óbvio, isso é incoerência total, pois, sem Deus, homem e universo não têm nenhuma importância real.
O valor da vida
Abordamos agora o problema do valor. É aqui que ocorre a incoerência mais flagrante. Antes de tudo, os humanistas ateus são totalmente incoerentes quando defendem os valores tradicionais de amor e fraternidade. É com acerto que Camus tem sido criticado pela sua incoerência em prender-se tanto ao absurdo da vida como à ética do amor e da fraternidade humanos. Os dois são logicamente incompatíveis. Bertrand Russell também foi incoerente. Conquanto fosse ateu, era crítico social declarado, denunciando a guerra e as restrições à liberdade sexual. Russell admitia que não poderia viver como se os valores éticos fossem mera questão de gosto pessoal e, portanto, achava suas próprias visões “inacreditáveis”. “Não sei a solução”, confessava.7 A dificuldade é que, se Deus não existe, não pode existir certo e errado objetivos. Como declarou Dostoiévski: “Tudo é permitido”.
Mas Dostoiévski mostrou também que o homem não pode viver dessa maneira. Não pode viver como se fosse perfeitamente certo soldados matarem crianças inocentes. Não pode viver como se fosse certo que ditadores, como Pol Pot, exterminassem milhões de seus próprios compatriotas. Tudo no homem denuncia esses atos como errados, absolutamente errados. Mas, se Deus não existe, o homem não tem por que reclamar. Por isso, ele dá um salto de fé e, de qualquer forma, defende a existência de valores. Agindo assim, ele revela a insuficiência de um mundo sem Deus.
O horror a um mundo desprovido de valores tornou-se patente para mim com maior intensidade alguns anos atrás ao assistir no canal de televisão da BBC a um documentário denominado “The Gathering” [A reunião]. A reportagem documenta uma reunião, em Jerusalém, de sobreviventes do Holocausto, na qual reencontram amizades perdidas e partilham suas experiências. Uma prisioneira enfermeira contou como a fizeram de ginecologista em Auschwitz. Ela percebeu que as grávidas tinham sido reunidas num grupo por soldados comandados pelo Dr. Mengele e alojadas nos mesmos barracões. Depois de algum tempo, notou que não via mais nenhuma daquelas mulheres. Ela passou a investigar. “Onde estão as grávidas que estavam alojadas naqueles barracões?”. “Você não ouviu?”, responderam-lhe. “Dr. Mengele usou-as para vivissecção”.
Outra mulher descreveu como Mengele lhe enfaixara os seios para que ela não pudesse amamentar seu recém-nascido. O doutor queria saber quanto tempo um recém-nascido sobrevive sem se alimentar. Desesperada, a pobre mãe tentou manter seu bebê vivo dando-lhe pedacinhos de pão embebidos em café, mas era inútil. Cada dia a criança perdia peso, fato monitorado avidamente pelo Dr. Mengele. Uma enfermeira procurou a mulher em segredo e disse-lhe: “Veja, arranjei um jeito de você dar o fora daqui, mas não poderá levar o bebê consigo. Trouxe uma injeção de morfina para que aplique na criança e lhe tire a vida”. Quando a mulher protestou, a enfermeira foi insistente: “Olhe, de qualquer maneira, a criança vai morrer. Pelo menos salve a si mesma”. E, assim, essa mãe tirou a vida do próprio bebê. Dr. Mengele ficou furioso quando soube do ocorrido, porque tinha perdido seu espécimen experimental; procurou, então, entre os mortos o cadáver descartado da criança para realizar uma última pesagem.
Meu coração ficou dilacerado por causa desses relatos. Certo rabino que sobreviveu ao campo de concentração resumiu tudo muito bem quando disse que, em Auschwitz, era como se existisse um mundo no qual todos os Dez Mandamentos fossem invertidos. A humanidade jamais vira tamanho inferno.
Todavia, se Deus não existe, então, em certo sentido, o nosso mundo é Auschwitz: não existe absolutamente certo e errado; tudo é permitido. Mas nenhum ateu, nenhum agnóstico, consegue viver coerentemente com essa visão. O próprio Nietzsche, que proclamou a necessidade de viver para além do bem e do mal, rompeu com o seu mentor, Richard Wagner, exatamente por causa do antissemitismo e nacionalismo germânico exacerbados desse compositor. Sartre, igualmente, ao escrever na esteira da II Guerra Mundial, condenou o antissemitismo, declarando que uma doutrina que leva ao extermínio não é mera questão de opinião e gosto pessoal, com igual valor a seu oposto.8 Em seu importante artigo “O existencialismo é um humanismo”, Sartre luta inutilmente para esquivar-se da contradição entre a sua negação de valores divinamente preestabelecidos e seu insistente desejo de defender a existência de valores das pessoas humanas. À semelhança de Russell, ele não conseguiria viver com as implicações da própria negação de absolutos éticos.
Um segundo problema é que, se Deus não existe e não há imortalidade, todas as maldades praticadas pelos homens ficam impunes e todos os sacrifícios dos homens bons, sem recompensa. Mas quem consegue viver com tal perspectiva? Richard Wurmbrand, que, por causa da sua fé, foi torturado nas prisões comunistas, conta:
É difícil de acreditar na crueldade do ateísmo, no qual o homem não tem fé na recompensa do bem nem no castigo do mal. Não há razão para ser humano. Não há limites para as profundezas do mal que há no homem. Os torturadores comunistas diziam sempre: “Não há Deus, não há vida futura, não há castigo para o mal. Podemos fazer o que quisermos”. Certa vez ouvi um torturador dizer: “Dou graças a Deus, em quem não creio, por ter vivido até agora, quando posso expressar toda a maldade do meu coração”. Ele a expressava com brutalidade e tortura inacreditáveis infligidas aos prisioneiros.9
O mesmo se aplica aos atos de autossacrifício. Alguns anos atrás, houve um terrível acidente aéreo em pleno inverno no qual um avião vindo do aeroporto de Washington, D.C. (EUA), chocou-se com uma ponte sobre o rio Potomac, lançando seus passageiros na água gelada. Ao chegarem os helicópteros de resgate, chamou-se a atenção para um homem que sempre empurrava a escada de cordas para os outros passageiros em vez de ele mesmo ser puxado para a segurança do helicóptero. Por seis vezes ele passou a escada adiante. Quando o resgate retornou, ele já partira. Ele havia dado gratuitamente a vida para que outros pudessem viver. O país inteiro voltou os olhos para esse homem com respeito e admiração por causa da atitude altruísta e bondosa que ele realizara. Mas, se o ateu estiver certo, esse homem não agiu com nobreza; antes, fez a coisa mais estúpida que se podia fazer. Ele devia ter sido a primeiro a subir pela escada, afastando os outros, se necessário, para que pudesse sobreviver. Mas morrer por outros que ele sequer conhecia, abrir mão de toda a breve existência que poderia ter, para quê? Para o ateu, não pode haver nenhuma razão. E, todavia, o ateu, como o restante de nós, reage louvando a ação desprendida daquele homem. De fato, provavelmente nunca será possível algum ateu que viva de modo coerente com o seu sistema. Porque um universo em que não existe responsabilidade moral, sendo desprovido de valores, é inimaginavelmente terrível.
O propósito da vida
Finalmente, vamos examinar o problema do propósito da vida. A única maneira de quem nega a existência de propósito na vida levar uma vida feliz é criar algum propósito passo a passo — o que redunda em autoengano, como vimos em Sartre — ou deixar de levar a própria visão às suas conclusões lógicas. Considere-se o problema da morte, por exemplo. De acordo com Ernst Bloch, o único modo de o homem moderno viver diante da morte é tomando emprestada de modo subconsciente a crença na imortalidade na qual seus antepassados se apegavam, apesar de ele mesmo não ter fundamento nenhum para isso, porquanto não acredita em Deus. Ao tomar emprestados os resíduos de uma crença na imortalidade, escreve Bloch, “o homem moderno não percebe o precipício que o rodeia e que, com certeza, no final o tragará. Por meio desses resíduos, ele preserva seu senso de autoidentidade e deles surge a impressão de que o homem não está perecendo, mas somente que algum dia o mundo caprichosamente não lhe aparecerá mais”. Bloch conclui: “Essa coragem bastante rasteira vai às compras com um cartão de crédito emprestado. Vive à custa das esperanças antigas e do amparo que outrora concediam”.10 O homem moderno não tem mais nenhum direito a esse amparo, já que rejeita a Deus. Mas, para viver a vida com um propósito, ele dá um salto de fé a fim de assegurar uma razão para viver.
Quase sempre encontramos a mesma inconsistência entre os que defendem que o homem e o universo vieram à existência sem nenhuma razão ou propósito, mas exclusivamente por acaso. Incapazes de viverem num universo impessoal, em que tudo é resultado do mero acaso, tais pessoas passam a atribuir personalidade e motivos aos próprios processos físicos. É um modo bizarro de falar e de representar o salto do andar de baixo para o de cima. Por exemplo, Francis Crick mais ou menos na metade de seu livro The Origin of the Genetic Code [A origem do código genético] passa a grafar natureza com a inicial maiúscula “N”, e por todo o livro refere-se à seleção natural como sendo “inteligente”, como se “pensasse” naquilo que fará. O astrônomo inglês Fred Hoyle atribui ao universo as qualidades de Deus. Para Carl Sagan, o “Cosmos”, que ele escreve sempre com inicial maiúscula, cumpre obviamente o papel de Deus-substituto. Embora todos esses homens professem não crer em Deus, contrabandeiam um Deus-substituto pela porta dos fundos, porque não suportam viver em um universo em que tudo é o resultado casual de forças impessoais.
Além disso, é interessante ver muitos pensadores traírem suas visões quando são forçados às conclusões lógicas delas. Por exemplo, certas feministas fizerem uma tempestade de protestos contra a psicologia sexual freudiana, pois é machista e degradante para as mulheres. Por isso, alguns psicólogos cederam e alteraram suas teorias. Ora, isso é totalmente inconsistente. Se a psicologia freudiana fosse mesmo verdadeira, não importa se é degradante para as mulheres. Não se pode mudar a verdade por não se gostar daquilo a que ela leva. Mas as pessoas não conseguem viver de modo consistente e feliz num mundo no qual outras pessoas são desvalorizadas. Mas se Deus não existe, ninguém tem valor algum. Somente se Deus existir será possível apoiar coerentemente os direitos das mulheres. Porque, se Deus não existe, a seleção natural determina que o macho da espécie é o elemento dominante e agressivo. A mulher teria o mesmo direito que uma cabra ou uma ave o têm. Na natureza, seja como for, tudo está certo. Mas quem consegue viver de acordo com essa perspectiva? Evidentemente, nem mesmo os psicólogos freudianos, que traem as suas teorias ao ser empurrados para as conclusões lógicas a que elas levam.
Ou considere-se o behaviorismo sociológico de homens como B. F. Skinner. A sua visão resulta no tipo de sociedade vislumbrada no livro 1984, de George Orwell, em que o governo programa e controla a mente de todos. Se as teorias de Skinner estiverem certas, não se pode fazer objeção ao fato de as pessoas serem tratadas como os ratos na caixa de ratos de Skinner, ao abrirem caminho através de seus labirintos atraídos por comida e impulsionados por choques elétricos. De acordo com Skinner, de qualquer forma, todas as nossas ações são determinadas. E, se Deus não existe, não se pode fazer nenhuma objeção moral contra esse tipo de programação, porque o homem não é em termos qualitativos diferente de um rato, uma vez que os dois são apenas matéria mais tempo mais acaso. Novamente, quem consegue viver de acordo com uma visão tão desumanizadora?
Ou, finalmente, considere-se o determinismo biológico de homens como Francis Crick. A conclusão lógica é que o homem não passa de outro espécime qualquer de laboratório. O mundo ficou horrorizado ao saber que, em campos de concentração como o de Dachau, os nazistas usavam os prisioneiros para realizar experiências médicas em seres humanos. Mas por que não? Se Deus não existe, não pode haver nenhuma objeção ao uso de pessoas como cobaias humanas. O fim dessa visão resulta no controle populacional, em que os fracos e indesejados são exterminados para abrir espaço para os mais fortes. Mas só será possível protestarmos coerentemente contra essa visão se Deus existir. Somente se Deus existir pode haver propósito na vida.
O dilema do homem moderno é, portanto, realmente terrível. Na medida em que ele nega a existência de Deus e a objetividade de valor e propósito, esse dilema continua irremediável também para o homem “pós-moderno”. De fato, é precisamente a consciência de que o modernismo resulta inevitavelmente no absurdo e no desespero que compõem a aflição do pós-modernismo. Em alguns aspectos, o pós-modernismo é apenas a consciência da ruína da modernidade. A visão de mundo ateísta é insuficiente para manter uma vida feliz e coerente. O homem não pode viver de modo coerente e feliz, como se, em última análise, a vida não tivesse sentido, valor ou propósito. Se tentarmos viver de maneira coerente segundo a cosmovisão ateísta, nos veremos profundamente infelizes. Se, em vez disso, conseguirmos viver felizes, será somente por desmentir nossa cosmovisão.
Confrontado por esse dilema, o homem debate-se tristemente procurando algum modo de escapar. Em célebre discurso à Academia Americana para o Avanço da Ciência, em 1991, Dr. L. D. Rue, desafiado pela difícil situação do homem moderno, teve a ousadia de advogar que devíamos nos enganar com alguma “Mentira Nobre” que nos faça pensar que nós e o universo ainda temos valor.11 Com a alegação de que “os últimos dois séculos nos ensinam que o relativismo intelectual e moral são a única opção”, Dr. Rue imagina em seu devaneio que, em consequência dessa compreensão, a busca do homem pela plenitude pessoal (ou autorrealização) e a procura pela coerência social tornam-se independentes uma da outra. É assim porque, segundo a perspectiva relativista, a busca da autorrealização torna-se radicalmente privatizada: cada um escolhe seu próprio conjunto de valores e de sentido. Se quisermos evitar “a opção do manicômio”, pela qual se procura alcançar a autorrealização a despeito da coerência social, e “a opção totalitária”, pela qual tal coerência é imposta à custa da integridade pessoal, então, não temos escolha senão adotar alguma Mentira Nobre que nos inspire a viver além de interesses egoístas e assim alcancemos a coerência social. Mentira Nobre “é aquela que nos engana, nos ilude, nos compele a viver além do interesse em nós mesmos, além do próprio eu, de família, nação [e] raça”. É uma mentira porque nos diz que o universo está carregado de valor (o que é uma grande ficção), porque apela a uma verdade universal (apesar de não existir nenhuma) e porque nos impele a não viver pelo interesse em nós mesmos (o que é notoriamente falso). “Mas, sem essas mentiras, não conseguimos viver”.
É esse o veredicto que paira sobre o homem moderno. Para sobreviver, ele tem de viver em autoengano. Até mesmo a Mentira Nobre, no final, é impraticável. Para ser feliz, é preciso acreditar em sentido, propósito e valor objetivos. Como é possível acreditar nessas Mentiras Nobres e, ao mesmo tempo, acreditar no ateísmo e no relativismo? Quanto mais se está convencido da necessidade de uma Mentira Nobre, menos se acredita nela. Semelhante ao placebo, a Mentira Nobre só funciona em quem acredita que ela é verdadeira. Tão logo se perceba a ficção, a mentira perde seu poder sobre nós. Assim, ironicamente, a Mentira Nobre não é capaz de resolver a enrascada humana para quem perceba essa situação embaraçosa.
A Mentira Nobre, portanto, na melhor hipótese, leva à sociedade em que um grupo elitista de illuminati, em benefício próprio, engana as massas com a perpetuação da Mentira Nobre. Por que, então, os iluminados que há entre nós seguem as massas enganadas? Por que deveríamos sacrificar o interesse pessoal em troca de uma ficção? Se a grande lição dos dois últimos séculos é o relativismo moral e intelectual, então, por que (se nos fosse possível) fingimos que não conhecemos tal verdade e, por isso, vivemos uma mentira? Se responderem: “por causa da coerência social”, seria legítimo perguntar por que deveria eu sacrificar meu interesse próprio em favor da coerência social? A única resposta que o relativista pode dar é que a coerência social está em meu interesse próprio. Mas o problema dessa resposta é que o interesse próprio e o interesse do grupo nem sempre coincidem. Além disso, se (por causa do interesse próprio) eu realmente ligo para a coerência social, a opção totalitária está sempre à minha disposição: esqueçam a Mentira Nobre e preservem a coerência social (como também minha autorrealização) à custa da integridade pessoal das massas. Sem dúvida, Rue consideraria essa opção repugnante. Aí está a dificuldade. É evidente que o dilema de Rue está em sua valorização profunda tanto da coerência social quanto da integridade pessoal por si próprias. Noutras palavras, elas são valores objetivos que, segundo essa filosofia, nem mesmo existem. Ele já deu um salto para o andar de cima. Assim, a opção da Mentira Nobre afirma aquilo que nega e, logo, contradiz a si mesma.
O sucesso do cristianismo bíblico
Se o ateísmo é um fracasso nesse sentido, o que dizer do cristianismo bíblico? De acordo com a cosmovisão cristã, Deus existe, e a vida do homem não termina na sepultura. No corpo ressurreto, o homem poderá gozar da vida eterna e da comunhão com Deus. O cristianismo bíblico, portanto, proporciona ao homem as duas condições necessárias a uma vida com sentido, valor e propósito: Deus e imortalidade. Por causa desses dois, podemos viver de maneira coerente e feliz. Então, o cristianismo bíblico é vitorioso exatamente no ponto em que o ateísmo fracassa.
Conclusão
Quero, agora, deixar claro que ainda não demonstrei que o cristianismo bíblico é verdadeiro. O que fiz foi explicitar as alternativas. Se Deus não existe, a vida é fútil. Se o Deus da Bíblia existe, a vida tem sentido. Somente a segunda dessas duas alternativas capacita-nos a viver felizes e coerentemente. Assim, tenho a impressão de que, mesmo se as evidências dessas duas opções fossem absolutamente iguais, uma pessoa racional escolheria o cristianismo bíblico. Parece-me decididamente irracional preferir morte, futilidade e destruição da vida, em vez de uma vida com sentido e felicidade. Como disse Pascal, não temos nada para perder e o infinito para ganhar.

 Notas
1 Kai Nielsen, “Why Should I Be Moral?”, American Philosophical Quarterly 21 (1984): 90.
2 Richard Taylor, Ethics, Faith, and Reason (Englewood Cliffs, NJ: Prentice Hall, 1985), 90, 84.
3 H. G. Wells, The Time Machine (Nova Iorque: Berkeley, 1957), cap. 11 [publicado em português com o título A máquina do tempo, em diversas traduções e edições].
4 W. E. Hocking, Types of Philosophy (Nova Iorque: Scribner’s, 1959), 27.
5 Friedrich Nietzsche, “The Gay Science”, in The Portable Nietzsche, org. e trad. W. Kaufmann (Nova Iorque: Viking, 1954), p. 95 [publicado em português com o título A gaia ciência, em diversas traduções e edições].
6 Bertrand Russell, “A Free Man’s Worship”, in Why I Am Not a Christian, org. P. Edwards (Nova Iorque: Simon & Schuster, 1957), p. 107 [publicado em português com o título Por que não sou cristão. Porto Alegre: L&PM, 2008].
7 Bertrand Russell, carta a Observer, 06 de outubro de 1957.
8 Jean Paul Sartre, “Portrait of the Antisemite”, in Existentialism from Dostoyevsky to Sartre, ed. rev., org. Walter Kaufmann (Nova Iorque: New Meridian Library, 1975), p. 330.
9 Richard Wurmbrand, Tortured for Christ (Londres: Hodder & Stoughton, 1967), p. 34 [publicado em português com o título Torturado por amor a Cristo. São Paulo: A. D. Santos, 1998].
10 Ernst Bloch, Das Prinzip Hoffnung, 2.ed., 2 vols. (Frankfurt am Main: Suhrkamp Verlag, 1959), 2:360-361 [publicado em português com o título O princípio esperança, 3 vols. Rio de Janeiro: Contraponto, 2005].
11 Loyal D. Rue, “The Saving Grace of Noble Lies”, discurso à Academia Americana para o Avanço da Ciência, fevereiro de 1991.


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Guilherme de Ockham (aulas)

Guilherme de Ockham


1. Visão geral:
Para Ockham a fé não pode fazer conhecer de maneira clara e inequívoca as suas verdades. A fé não pode apresentar argumentos que possam ser demonstrados. A verdade manifesta por Deus não pertence ao mundo racional. A filosofia não pode se submeter à teologia porque a teologia não é uma ciência, mas uma série de afirmações e sentenças que não se relacionam lógica e racionalmente. O que une as afirmações da teologia é a fé e não a razão.
            A razão também não pode proporcionar assistência e apoio para a fé, pois para as coisas divinas a razão é ineficaz. Somente a fé consegue esclarecer assuntos da revelação divina. O entendimento da revelação divina vai além da capacidade humana e portanto não é racionalmente compreensível. A razão humana trabalha em um território diverso do território da fé.
            O mundo para Ockham é a soma das diversas partes que acabam fazendo o todo, mas essas partes não tem entre si uma ligação ou uma ordenação necessária. Essas diversas partes individuais são o objeto da ciência. O universo é composto por um conjunto de elementos divididos, isolados e eventuais.
            A prioridade que o autor dá ao indivíduo faz com que também tenha prioridade a experiência e é nela que ele coloca a base do conhecimento, que pode ser intuitivo ou abstrativo.
O conhecimento intuitivo é que vai demonstrar se algo existe concretamente. A compreensão intuitiva da realidade do mundo é o que origina todos os outros entendimentos que o conhecimento nos possibilita, é nele que inicia todo conhecimento experimental. No conhecimento intuitivo não existem intermediários entre o objeto conhecido e o indivíduo que vai conhecer esse objeto.
            O conhecimento abstrativo é a totalização, a soma dos diversos conhecimentos intuitivos individuais e não necessita para sua formulação da existência concreta do objeto do conhecimento.
            "Não devemos multiplicar os entes se não for necessário" é a frase de Ockham que resume o que mais tarde ficou conhecida como sendo A Navalha de Ockham. Como cada indivíduo é único, única também é a sua capacidade intelectual, não existe um universal para o conhecimento. Fazer abstrações sobre a essência de diversos entes é algo supérfluo e inútil. O conhecimento baseia-se no mundo empírico e individual. A Navalha de Ockham exclui do conhecimento possível o conhecimento metafísico. Somente podemos conhecer o que podemos experimentar. 
            Em outros termos a Navalha de Ockham diz que entre duas teorias que explicam o mesmo fenômeno devemos escolher sempre a mais simples. No caso de Ockham a explicação mais simples é a mostrada pela experiência.
            Guilherme, após se desinteressar pela pesquisa dos problemas metafísicos, conduz sua atenção para os assuntos da natureza, pois essa é o objeto direto das experiências sensíveis. A natureza é o território do conhecimento humano, é para o mundo físico que os homens devem orientar sua atenção e direcionar suas pesquisas.

2. Separação entre fé e razão
Guilherme de Ockham é o último grande nome da filosofia medieval e o primeiro filósofo que encarna o que se poderia chamar de "espírito do século 14". Levando o pensamento de Duns Scotus às últimas conseqüências, Ockham acentua a separação entre a filosofia e a teologia, entre a razão e a fé, no momento em que se anunciam as primeiras descobertas da ciência moderna.
Para Ockham, demonstrar uma proposição é mostrar sua evidência ou deduzi-la rigorosamente de outra evidente. A essa exigente concepção de prova, acrescenta-se o senso muito vivo do concreto, que faz do ockhamismo um empirismo radical. Na opinião de Ockham, o conhecimento abstrato refere-se às relações entre as idéias, sem nada garantir sobre sua conformidade com o real. Quanto ao conhecimento intuitivo, este dá a evidência imediata, assegurando a verdade e a realidade das proposições. Só a intuição prova a existência das coisas, ponto de partida do conhecimento experimental, que, generalizando o particular, chega ao universal, à lei. É a experiência que permite conhecer as causas das coisas.
Não se trata, portanto, de conhecer o universal, mas a evidência do particular. O universal não tem realidade e a inteligência deve ser capaz de apreender o particular. Para Ockham não existem conceitos abstratos ou universais, mas apenas os termos ou nomes cujo sentido seria o de designar indivíduos revelados exclusivamente pela experiência.Assim, o Deus de Ockham é Javé, que a nada obedece, nem mesmo às idéias, pois, eliminada a realidade dos universais, tudo se torna contingente, e poderia ser de outra maneira, se Deus o quisesse. Provada a impossibilidade de racionalizar a fé, a teologia passa a proceder exclusivamente da crença, e a filosofia, da razão.
3. O conceito de liberdade:
É um filósofo que deixa transparecer sua intensa luta pela liberdade e ao longo de anos desenvolveu uma teoria de liberdade baseada no sujeito. O indivíduo seria capaz de escolher e saber o que é certo e errado sem nenhuma intervenção exterior. O homem teria o direito de decidir o seu fim e a sociedade não deveria impor nada a ele. Para a ética, a liberdade é o assunto por excelência. A liberdade é muito importante para a ética, porque se ocupa do livre arbítrio, da finalidade de nossa vida e existência.
Para Ockham, a liberdade apresenta-se como a possibilidade que se tem de escolher entre o sim ou o não, de poder escolher entre o que me convém ou não e decidir e dar conta da decisão tomada ou de simplesmente deixar acontecer. A preocupação de Guilherme de Ockham é com o fato de que o poder organizado e moralizado é contrário à natureza e à liberdade a nós concedida por Deus. Isto não é admitido como verdade por todos os filósofos, e no pensamento medieval do qual Ockham é um representante, isso era uma total desestruturação de uma cultura e sociedade vigentes.
Ockham denuncia aqueles que em nome da religião, passaram a usurpar o livre arbítrio. E que tais usurpadores entendem, assim como ele, a liberdade como um dom de Deus e da natureza. Ockham situa a ação humana no indivíduo e suas escolhas reais e concretas, presentes não em verdade ou entes universais, mas nas coisas e situações particulares, individuais. Distingue faculdades humanas de faculdades animais, ou seja, o homem possui a capacidade de viver pela arte e pela razão, que no entendimento do filósofo seriam as faculdades humanas e é por elas que deve agir e não pelas faculdades animais (seus instintos). Pressupõe-se assim que é de nossa própria natureza a capacidade de escolha exercida por meio do livre arbítrio, entendida como presente de Deus e da natureza.
4. Quais os problemas da existência de Deus em Ockham?
 A grande problemática que perpassa novamente pela navalha ostentada pelo filósofo é a problemática entre fé e razão, ao contrário da escolástica, Ockham se afasta um pouco dos ditames da fé sobre a razão ou da fé que leva a razão, por motivos diversos, mas, sobretudo porque segundo o filósofo a verdade relevada é necessária e superior ao mundo e a multiplicidade de indivíduos, por Deus ter criado o mundo por pura liberdade, o mundo é contingente, e toda e qualquer tentativa eqüitativa entre razão e fé é uma tentativa, segundo o filósofo, de igualar o contingente ao necessário, o que seria uma falácia. “No contexto das exigências lógicas deve-se dizer que Ockham exclui toda intuição de Deus. Nada pode ser conhecido em si pela via natural se não for conhecido intuitivamente; mas Deus não pode ser conhecido intuitivamente por uma via puramente natural.” (REALE; ANTISERI, 625)

5. Análise dos conceitos de universal e nominalismo:
 Ockham ao primar pela experiência e reconhecer na experiência, o que tardiamente seria chamado de empirismo, um movimento crescente na Inglaterra, entre os séculos XVI; XVII e XVIII. Sabemos que o empirismo é herdeiro de Roger Bacon, um medieval (1214-1292) considerado o precursor de um novo método gnosiológico, o método empirista. Partindo desse ponto podemos observar parte do universo em que se encontra Guilherme de Ockham, considerado o último medieval assim como, talvez, o primeiro moderno, mas especulações a parte, a grande crítica de Ockham aos universais, famosos universais medievais, que descendiam da filosofia grega, do supra-sensível platônico ao motor primeiro aristotélico, Ockham mesmo afirma: “Os universais são simples formas verbais através da qual a mente humana estabelece uma série de relações de exclusiva dimensão lógica” ( REALE e ANTISERI, 620). Portanto a realidade individual no campo de análise permite a Ockham discordar dos universais, por não levarem em conta o conhecimento incomplexo dos termos singulares, inexistentes numa realidade universal puramente lingüística, para o filósofo.

6. O que se entende por nova lógica em Ockham?
Ockham embasado por sua navalha, crítica a lógica Aristotélica e toda a lógica medieval herdeira do silogismo puramente lingüístico e sem compromisso com a realidade; uma vez que o método implicado por Ockham prima pelo indivíduo, ou seja, pela experiência em detrimento dos universais multiplicáveis ao infinito. A respeito das proposições, primeiro: proposições mentais, segundo: a proposição se apresenta no termo oral, por fim o termo escrito, só a primeira é autêntica para Ockham.As outras duas são convencionais pois mudam de língua para língua.Ockam ainda se preocupa em determinar os termos de analise do silogismo, propondo os termos categorimáticos : termos de significado preciso,singularmente e universalmente, exemplo: Homem. E sincategorimáticos: em si mesmos não significam nada, mas somados a outros termos significam alguma coisa, exemplo: cada, nenhum, algum, tudo, exceto... categorias lingüísticas que delimitam ou somam a algum conceito. (REALE; ANTISERI, 622).

7. Novo método científico:
“Além da multiplicidade dos indivíduos, não é necessário admitir mais nada. Se isso é verdadeiro, o fundamento do conhecimento não pode ser outro senão experimental” (REALE; ANTISERI, 628). Partindo da concepção de que a razão se encontra no nível de pesquisa e que a fé é revelada, e uma não tem expressão sobre a outra, Ockham deixa o caminho livre para empreender um novo método de pesquisa, que revisa toda a metafísica tradicional cuja “causa” o princípio (o motor primeiro) já não importa tanto; mas, sim, a análise empírica do objeto de estudo. A partir desse ponto de vista deixa-se de procurar pela substância primeira e seus efeitos, para compreender os fenomenos e suas funções.

8. A navalha de Ockham
Segunda a professora Sara Bizarro, a "navalha de Ockham", também conhecida como o princípio da parcimônia, é uma máxima que valoriza a simplicidade na construção das teorias. A formulação mais comum desta máxima é "Entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem" ("As entidades não devem ser multiplicadas sem necessidade"). Esta formulação é freqüentemente atribuída a Guilherme de Ockham, embora ela não se encontre em nenhum dos seus escritos conhecidos. A frase de Ockham mais próxima desta máxima é "Frustra fit per plura quod potest fieri per pauciora" ("É vão fazer com mais o que se pode fazer com menos").
No entanto, ainda segundo a professora, é defensável que Ockham se referia a uma máxima bastante conhecida, visto que o princípio da parcimônia pode até ser encontrado em Aristóteles. Pensa-se, assim, que esta máxima foi associada a Ockham não por ter sido ele o primeiro a utilizá-la, mas por causa do espírito geral das suas conclusões filosóficas.


O princípio da parcimônia pode ser considerado como um princípio ontológico ou como um princípio metodológico - e os parâmetros de simplicidade requeridos podem variar entre o tipo e o número de entidades a serem admitidas. Como princípio metafísico ou ontológico a "navalha de Ockham" diz que devemos acreditar no menor número possível de tipos de objetos. Como princípio metodológico a "navalha de Ockham" diz que qualquer explicação deve apelar ao menor número possível de fatores para explicar o fato em análise. Guilherme de Ockham foi reabilitado pela Igreja Católica em 1359.

 9.
Algumas advertências sobre o mau uso da Navalha
Como todo princípio científico mal compreendido e vulgarizado pela repetição (E=mc2, entropia, caos, herança genética, etc), a Navalha de Ockham se tornou um bordão utilizado indevidamente por leigos e por céticos ansiosos demais em descartar explicações incomuns.
Quando se diz que a teoria mais simples é a correta não se quer dizer que a teoria mais fácil de se entender é a correta. Em primeiro lugar porque simplicidade é um critério pessoal e subjetivo. Além disso a natureza certamente não tem vocação para a simplicidade; apesar de algumas leis fundamentais da física serem expressas de forma surpreendentemente simples (como as leis de Newton), isto não significa que a explicação mais simples seja sempre a correta, ou que seja correta num número maior de vezes. Na verdade, à medida que nos aprofundamos nos terrenos da física quântica ou da cosmologia, ocorre justamente o contrário e as explicações tornam-se cada vez mais complexas. Por isso é preciso compreender que a Navalha de Ockham não trata de descartar hipóteses só porque são mais difíceis de entender. O que ela propõe é que se descarte as hipóteses que em igualdade de condições com outras, possuem mais suposições ou mais pressupostos, já que quanto mais suposições, maior a chance de que alguma delas esteja errada.
Sendo assim, o princípio da economia de Ockham se revela uma diretriz, não uma regra; uma indicação de qual caminho seguir, não um sentido obrigatório; ou seja, apenas bom senso sistematizado, que no fundo é tudo do que trata o método científico.

10. Questionário:
  1. Para Ockham o que significa o termo mental?
  2. O que Ockham entende por definição nominal?
  3. O que significa o principio da economia ou “navalha de Ockham”?
  4. Qual o valor e o sentido da verdade segundo Ockham?
  5. Como Ockham resolve a questão dos universais?
  6. Que distinção faz Ockham entre potência absoluta e potência ordenada de Deus?
  7. O que Ockham entende pelo conceito de Liberdade?


11. Bibliografia:
  1. Enciclopédia Mirador Internacional // Revista Intelecto: 2013.
  2. Martins Filho, Manual Esquemático de história da filosofia: 2000.
  3. Gilson & Boehner, História da filosofia cristã, 2009.
  4. Reale & Antisseri, História da filosofia, 2007.


Duns Escoto (aula)

Duns Escoto


Doctor subtilis    =   uma racionalidade diversa
obras:
Opus Oxoniense: Comentario às sentenças
Tractatus de primo principio
Questiones in Metaphysicam
+ Conhecimento intuitivo (o objeto presente na mente: sensível aos sentidos e o inteligível ao intelecto).
+ Somente o Infinito é causa de si mesmo, assim pode  constituir o primeiro termo, pois é causa de si e impossível que assim não seja;

Contraste entre verdade racional da metafísica e a verdade da fé à qual a razão pode somente se submeter e que tem uma certeza bem sólida  para  os católicos.
A fé não tem nada a ver com a ciência, pois a fé pertence ao domínio prático.
Tudo o que ultrapassa os limites da razão humana já não é ciência, mas ação ou conhecimento prático da fé
·        A separação e a antítese na doutrina
·        O teórico e o domínio da necessidade, da demonstração racional e da ciência;
·        Impossibilidade de demonstrar por meio da razão todos os atributos de Deus:
·        Univocidade como característica do ser: o ser é o conceito fundamental e primeiro; é transcendente, é uma noção unívoca: comum às criaturas e a Deus.
Teodicéia: 
·         Mente: conceitos positivos sobre Deus (não negativos ou análogos, mas conotativos)
·        Ser Infinito : conceito mais simples sobre Deus;
·        Sem causa e necessário;
·        Primado da vontade sobre o entendimento (ativa, não determinada, superior à própria fé);
·        Deus produz livremente as essências.
Quem é esse ser aqui? Quem é esse homem aqui? Principio da individuação : não é a forma ou a matéria, mas um principio a si mesmo, uma entidade cuja função de fazer algo seja essa coisa mesma (haecceitas): em Tomas matéria e forma, para Escoto são unidos pela haecceitas.
Relação emtre teologia e filosofia
·        Necessidade da revelação
o   Não possuímos um conhecimento distinto de nosso verdadeiro fim
o   Desconhecemos as três condições necessárias para a consecução deste fim
o   Impossibilidade de conhecer as coisas essenciais do mundo espiritual e da própria divindade
·        Teologia e metafísica:
o   Teologia em si e em nós (verdades necessárias e contingentes)
o   Metafísica: ser enquanto ser (meditação metafísica sobre os conteúdos da fé)
·        Conhecimento
o   Intuitivo (objeto existente e presente: modo imediato)
o    Abstrativo (essências, species)
o   Particular (individuação)
o   Abstração: natureza comum como pressuposto da abstração: natureza anterior á sua simplicidade e universalidade;
o   A abstração passas da indeterminação para o conceito universal;
o   O objeto: natureza individual
o   Entendimento: natureza universal: unidade da essência.
·        Transcendentais:
o   Ser
o   Predicados conversíveis
o   Disjuntivos e perfeições puras
·        Existência de Deus: um infinito existente
·        Causalidade (eficiente, final e eminente: necessária)




jovens: sentido da vida

Mensagens

Sentido da Vida

Mensagem sobre o sentido da vida.

Diariamente nos perguntamos aonde vamos e o que estamos fazendo de nossa existência. O caminhar, o existir deve estar dentro de nós e nos impulsionar nessa grande jornada chamada de planeta terra.
Nossas existências caminham lado a lado com: imperfeições, erros e tropeços. Viver é assim ultrapassa as possibilidades de erros e acertos. Estejamos certos de que a existência é algo que nos leva a refletir sobre as possibilidade de escolhas que temos. Ao optarmos por um caminho deixamos de seguir por outro. E a estrada é sempre um desafio a ser descoberto, porque nossas escolhas irão ecoar por toda a eternidade. Já dizia Sócrates 400 a.c que a felicidade consiste em si conhecer.Mas não será este o nosso maior desafio? Nos conhecer...
É fácil conhecer os problemas alheios, simples, opinar nos problemas dos outros, mas no nosso é complicado. Deveríamos estudar mais nossa própria personalidade, nossa índole, buscando o autoconhecimento para sermos pessoas melhores, amigos melhores, professores melhores, enfim seres humanos melhores. Como ser bom com o outro se muitas vezes não somos bons conosco mesmo? A verdadeira inteligência esta neste autoconhecimento. Quando nos deparamos com pessoas como Madre Tereza; Gandhi; nos questionamos a te que ponto somos bons? Somos realmente capazes de fazer o bem? Me valorizo? Me amo? Ou estou sempre preocupado com o que a Mídia me oferece.
Vivemos uma existência de frustrações que criamos em nós mesmos. Lutamos por valores que muitas vezes, não são nossos...E ai? O que fazer diante dessa luta insensante que travamos conosco?
Acredito que os valores precisam vir de dentro... Devemos acreditar no potencial de energia criadora do bem e do mal que alimentamos dentro de nós.
Uma existência é mais que uma simples vivencia. Marcamos profundamente as pessoas que estão ao nosso redor e nossa estória nunca morrerá, permanecerá com nossos amigos, discentes, pessoas que marcaram ou que marcamos ao nosso redor...
A responsabilidade das marcas corre por sua conta. Pense nisso...
Cátia C. de C. NogueiraEnfermeira, Graduada e Licenciada em Enfermagem.

Pra se pensar ....

Desespero anunciado

Desespero anunciado Para que essa agonia exorbitante? Parece que tudo vai se esvair O que se deve fazer? Viver recluso na pr...