UM DIA VOCE APRENDE QUE...

Texto um dia você Aprende













"Depois de algum tempo, você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la, por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobre que se levam anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.

Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.

Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.

Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama, contudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.

Portanto... plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!
Veronica Shoffstall
· Dê mais às pessoas, MAIS do que elas esperam, e faça com alegria.
· Decore seu poema favorito.
· Não acredite em tudo que você ouve, gaste tudo o que você tem e durma tanto quanto você queira.
· Quando disser "Eu te amo" olhe as pessoas nos olhos.
· Fique noivo pelo menos seis meses antes de se casar.
· Acredite em amor à primeira vista.
· Nunca ria dos sonhos de outras pessoas.
· Ame profundamente e com paixão.
· Você pode se machucar, mas é a única forma de viver a vida completamente.
· Em desentendimento, brigue de forma justa, não use palavrões.
· Não julgue as pessoas pelo seus parentes.
· Fale devagar mas pense com rapidez.
· Quando alguém perguntar algo que você não quer responder, sorria e pergunte: "Porque você quer saber?".
· Lembre-se que grandes amores e grandes conquistas envolvem riscos.
· Ligue para sua mãe.
· Diga "saúde" quando alguém espirrar.
· Quando você se deu conta que cometeu um erro, tome as atitudes necessárias.
· Quando você perder, não perca a lição.
· Lembre-se dos três Rs: Respeito por si próprio, respeito ao próximo e responsabilidade pelas ações.
· Não deixe uma pequena disputa ferir uma grande amizade.
· Sorria ao atender o telefone, a pessoa que estiver chamando ouvirá isso em sua voz.
· Case com alguém que você goste de conversar. Ao envelhecerem suas aptidões de conversação serão tão importantes quanto qualquer outra.
· Passe mais tempo sozinho.
· Abra seus braços para as mudanças, mas não abra mão de seus valores.
· Lembre-se de que o silêncio, às vezes, é a melhor resposta.
· Leia mais livros e assista menos TV.
· Viva uma vida boa e honrada. Assim, quando você ficar mais velho e olhar para trás, você poderá aproveitá-la mais uma vez.
· Confie em Deus, mas tranque o carro.
· Uma atmosfera de amor em sua casa é muito importante. Faça tudo que puder para criar um lar tranquilo e com harmonia.
· Em desentendimento com entes queridos, enfoque a situação atual.
· Não fale do passado.
· Leia o que está nas entrelinhas.
· Reparta o seu conhecimento. É uma forma de alcançar a imortalidade.
· Seja gentil com o planeta.
· Reze. Há um poder incomensurável nisso.
· Nunca interrompa enquanto estiver sendo elogiado.
· Cuide da sua própria vida.
· Não confie em alguém que não fecha os olhos enquanto beija.
· Uma vez por ano, vá a algum lugar onde nunca esteve antes.
· Se você ganhar muito dinheiro, coloque-o a serviço de ajudar os outros, enquanto você for vivo. Esta é a maior satisfação de riqueza.
· Lembre-se que o melhor relacionamento é aquele em que o amor de um pelo outro é maior do que a necessidade de um pelo outro.
· Julgue seu sucesso pelas coisas que você teve que renunciar para conseguir.
· Lembre-se de que seu caráter é seu destino.
· Usufrua o amor e a culinária com abandono total.
H.Jackson Brown

POEMA

POEMA

Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim,
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás
Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás

Desespero ou esperança






Medo e esperança são faces da mesma moeda, dizem os budistas. Se temos desejo, temos esperança. Se temos apego, temos medo. Um belo resumo de nossa vida. E oscilando entre medo e esperança, esquecemos de viver no presente. "Hoje temos um grande número de pessoas com depressão, tristezas ou remorso. Esses sentimentos são predominantemente causados pelo passado", escreveu o monge Genshô, da tradição zen, no seu blog, O Pico da Montanha. Gosto de acompanhar o que diz o monge Geshô. Ele dá sempre um toque sobre a vida cotidiana. Aqui ele fala como o passado pode arruinar o presente, se ficarmos agarrados a ele. Mas também escreve sobre os riscos de se grudar ao que pode ou não acontecer. "Outro problema é o futuro. O que farei amanhã, dívidas que terei de pagar, problemas a serem resolvidos, tudo isso gera ansiedade. Quando você vive no futuro é ansioso, quando vive no passado é deprimido".
Bom, né? Vivemos mesmo num tempo em que é muito difícil estar plenamente no presente, tudo nos puxa para fora. Nessa existência plena de distrações em que temos pouco tempo de entrar em contato com o nosso interior, com nosso corpo e as sensações provocadas pelos cinco sentidos. Muito longe do tempo e da realidade em que acordar de manhã respirando cheiro de mato e neblina, dar milho para as galinhas, rachar lenha, plantar ou cozinhar nos levava continuamente para o momento presente.
Também somos igualmente atraídos pelo passado ou pelo futuro. Nos preocupamos com o que pode ocorrer por causa dos nossos inúmeros compromissos, excesso de responsabilidades e mil atividades durante o dia. Uma vida frenética. E pelo passado, por causa de uma idealização exacerbada do que já aconteceu, das inseguranças que nos grudam como cola numa cadeira ao que está garantido, e pela falta de abertura às mudanças e transformações. A vida é obrigada a nos dar um pontapé para que tenhamos coragem para sair da zona de conforto.
Mas o que acontece quando se vive mais focado no presente? Um milagre: abre-se um espaço em que podemos viver momentos felizes, principalmente porque estamos mais abertos e prestando atenção no que está acontecendo no instante. Por exemplo: agora entrou um raio de sol no quarto e me aqueceu nesse dia frio; agora sinto meus pés quentinhos num sapato macio; agora meu namorado me abraçou e senti o perfume amadeirado de sua colônia de barba. No agora, a vida ganha cores, cheiros, sons, toques, sabores que proporcionam inúmeras pequenas alegrias. Da depressão e tristeza causadas pelo apego ao passado, podemos ir para uma intensa sensação de leveza e felicidade.
Da ansiedade e angústia pelo futuro, para uma sensação de plenitude e abundância, e um sentimento reconfortante de que tudo vai dar certo. Pelo menos uma vez já nos sentimos assim: quando éramos bebês. E, por um momento, tínhamos todas as nossas necessidades satisfeitas: barriga cheia, cobertor macio, calor amoroso de mãe, paz e tranquilidade. Inteiramente imersos no presente, éramos felizes.
Esse estado de ser pode ser descrito como o de um profundo e silencioso isolamento, entregue ao fluxo da existência. "Esta condição inicial, de um abandono total ao fluxo da vida, me parece a pedra de toque da futura sensação de liberdade buscada em muitas práticas de meditação orientais. Trata-se de uma condição extrema da vida, que buscamos repetir numa prática do pensamento ou corpo, com intuito de encontrarmos a mesma paz e significado que um dia experimentamos. Uma forma de significar o indizível estado de só ser, que um dia vivenciamos sem experimentar - pois não havia, naquele momento inicial, um alguém para fazê-lo", me diz o psicólogo e pensador Levi Leonel de Souza. "Esse estado de solidão essencial pode ser experimentado nas etapas posteriores da vida em certos momentos bastante específicos - no clímax sexual, no sono profundo, na meditação e outras experiências-limites. Nestes instantes, podemos fruir de uma sensação corporal de indizível liberdade - um estado de profunda leveza de ânimo, com um significado atemporal e inespacial", afirma com precisão Levi. Essa sensação de plenitude é o que vamos tentar encontrar outras vezes na vida. "Esta falta de referências no tempo e no espaço pode ser uma das buscas ao que chamamos 'liberdade'", ele diz.
É isso. A liberdade nos faz sentir vivos e plenos. Ao nos desligarmos das expectativas dos compromissos e possíveis cenários futuros, podemos respirar mais relaxados. Vivemos a cada momento o que tem de ser vivido. Meu Deus, que alívio

Dom Casmurro

Dom Casmurro, de Machado de Assis 


 
Vivo só, com um criado. A casa em que moro é própria; fi-la construir de propósito, levado de um desejo tão particular que me vexa imprimi-lo, mas vá lá. Um dia. há bastantes anos, lembrou-me reproduzir no Engenho Novo a casa em que me criei na antiga Rua de Mata-cavalos, dando-lhe o mesmo aspecto e
economia daquela outra, que desapareceu. Construtor e pintor entenderam bem as indicações que lhes fiz: é o mesmo prédio assobradado, três janelas de frente, varanda ao fundo, as mesmas alcovas e salas.
Na principal destas, a pintura do tecto e das paredes é mais ou menos igual, umas grinaldas de flores miúdas e grandes pássaros que as tomam nos blocos, de espaço a espaço. Nos quatro cantos do tecto as figuras das estações, e ao centro das paredes os medalhões de César, Augusto, Nero e Massinissa, com os
nomes por baixo... Não alcanço a razão de tais personagens. Quando fomos para a casa de Mata-cavalos, já ela estava assim decorada; vinha do decênio anterior. Naturalmente era gosto do tempo meter sabor clássico e figuras antigas em pinturas americanas. O mais é também análogo e parecido. Tenho
chacarinha, flores, legume, uma casuarina, um poço e lavadouro. Uso louça velha e mobília velha.
Enfim, agora, como outrora, há aqui o mesmo contraste da vida interior, que é pacata, com a exterior, que é ruidosa.
O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência. Pois, senhor,não consegui recompor o que foi nem o que fui. Em tudo, se o rosto é igual, a fisionomia é diferente. Se
só me faltassem os outros, vá um homem consola-se mais ou menos das pessoas que perde; mais falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo. O que aqui está é, mal comparando, semelhante à pintura que se põe na barba e nos cabelos, e que apenas conserva o hábito externo, como se diz nas autópsias; o interno não
agüenta tinta. Uma certidão que me desse vinte anos de idade poderia enganar os estranhos, como todos os documentos falsos, mas não a mim. Os amigos que me restam são de data recente; todos os antigos foram estudar a geologia dos campos-santos. Quanto às amigas, algumas datam de quinze anos, outras de
menos, e quase todas crêem na mocidade. Duas ou três fariam crer nela aos outros, mas a língua que falam obriga muita vez a consultar os dicionários, e tal freqüência é cansativa. 

SIM, E' POSSIVEL!!

Sobre as possibilidades (de Rilke) 




É possível que não se tenha visto, conhecido e dito nada de real e importante? É possível que se tenha tido milênios para olhar, refletir e anotar e que se tenha deixado passar os milênios como uma pausa escolar, durante a qual se come fatias de pão com manteiga e uma maçã?

Sim, é possível.

É possível que, apesar das investigações e dos progressos, apesar da cultura, da religião e da filosofia, se tenha ficado na superfície da vida? É possível que até se tenha coberto essa superfície - que, apesar de tudo, seria qualquer coisa - com um pano incrivelmente aborrecido, de tal modo que se assemelhe aos móveis da sala durante as férias de Verão?

Sim, é possível.

É possível que toda a História Universal tenha sido mal-entendida? É possível que o passado seja falso, precisamente porque sempre se falou das suas multidões, como se dissertasse sobre uma aglomeração de pessoas, em vez de falar de uma única, em torno da qual elas estavam, porque se tratava de um desconhecido que morreu?

Sim, é possível.

É possível que se tenha julgado ser preciso recuperar o que aconteceu antes de se ter nascido? É possível que se tivesse de lembrar a cada um que ele, de fato é proveniente de todos os antecessores, tendo ele disso conhecimento e não devendo dar ouvidos a outros que soubessem outras coisas?

Sim, é possível.

É possível que todas estas pessoas conheçam em pormenor um passado que nunca houve? É possível que todas as realidades nada sejam para elas; que a sua vida decorra, desligada de tudo, como um relógio numa sala vazia?

Sim, é possível. 

Ridiculos S.A


Somos todos ridículos. Sim, todos nós. Eu, você e aquele cara ali sentado com cara de quem não está nem aí. No fundo, ele também se sente ridículo porque ficou plantado esperando alguém que não veio e agora toma um café frio enquanto decide para onde ir.

Você também sabe que é ridículo toda vez que veste uma peça de roupa cara para demonstrar uma condição que não tem a alguém que não está interessado - e volta para casa frustrado novamente.
Eu sei que sou indiscutivelmente ridículo tentando disfarçar a solidão lendo um jornal de ontem e respondendo as palavras cruzadas todas pela metade, fazendo de conta que é só para esperar a chuva passar.

Somos todos ridículos. Em vários aspectos. Ninguém escapa das pequenezas e vergonhas da vida.
A apresentadora feliz do telejornal do meio-dia também se sente ridícula ao carregar o corretivo na maquiagem para esconder as olheiras de uma noite mal dormida, em consequência de um coração partido. Enquanto lê mecanicamente no teleprompter frases escritas por outra pessoa, conclui que nenhuma daquelas notícias lhe interessa, pois o seu mundo já acabou de qualquer maneira.

A gostosona da academia, no fundo, sabe que é completamente ridícula por se cobrar doentiamente uma forma perfeita, pois não reconhece em si mesma outras qualidades que não as pernas torneadas e o abdome enxuto. O pedreiro, que levanta junto com o sol, volta para casa diariamente sentindo-se o mais ridículo dos seres humanos, por construir mansões maravilhosas nas quais nunca poderá morar.

O seu melhor amigo também se sente ridículo te pedindo dinheiro emprestado para pagar as contas enquanto não consegue um emprego. E quando bebe demais e acaba derramando novamente as mesmas lamentações sobre você. E o técnico do seu time também chora sozinho no vestiário depois de perder o campeonato, sentindo-se miseravelmente ridículo.

Aquele cara que é o melhor da turma do basquete, aparentemente tão bem resolvido, só tem essa vida social insanamente agitada porque busca preencher cada minuto do tempo livre que tem, com qualquer atividade que seja, simplesmente porque não consegue lidar com o próprio vazio existencial - e, para ele, ficar só é desesperador.

Somos todos ridículos buscando a aprovação alheia, fazendo coisas das quais não gostamos, com as quais não concordamos, simplesmente por acharmos que a opinião dos outros vale mais que a nossa própria. Somos primitivamente ridículos tentando fazer parte de um grupo, tentando impressionar, nos vangloriando por feitos infantis que nada representam. Somos ridículos nos sentindo desnudos perante os olhares da multidão.

Somos todos ridículos quando fraquejamos e desistimos dos nossos sonhos, nos apavorando com qualquer obstáculo no caminho. Somos profundamente ridículos quando tentamos controlar nossos sentimentos, disparando frases de efeito patéticas e gritantemente artificiais.

Eu sou e você também é. Sim, somos ridículos.
Somos desprezivelmente ridículos quando imploramos por atenção - muitas vezes nos contentando com migalhas.
Somos ridículos quando queremos ter razão a qualquer custo - mesmo quando sabemos, no nosso íntimo, estar errados -, ou quando argumentamos tão calorosamente a ponto de nos contradizer.

De perto, somos todos ridículos.
Somos ridículos porque queremos ser aceitos, admirados - ainda que passando uma imagem milimetricamente construída e lapidada.
Somos todos ridículos em nossas inseguranças. Somos ridículos porque a honestidade nos expõe e, no fundo, somos todos crianças assustadas com a ideia de ter feito algo (ou tudo) errado e sermos punidos por isso.
Somos ridículos porque queremos agradar. Somos ridículos pura e simplesmente porque queremos ser amados. Somos ridículos assim porque somos humanos.

O carteiro e o poeta

O Carteiro e o Poeta.

O que é essa danada inquietude que nos faz estrangeiros dentro da própria casa? Qual o sentido da vida quando não se contenta com o dado e busca atingir novos horizontes? Tudo isso tece  a trama central e existencial do “O Carteiro e o Poeta”.
As indicações a seguir sobre o filme são partir da literatura publicada no site www. :
Il Postino ('O Carteiro e o Poeta') é um filme dirigido por Michael Radford e fala sobre a amizade entre o poeta chileno Pablo Neruda e Mario, um humilde carteiro italiano que deseja aprender a fazer poesia.
Baseado no livro Il Postino de Antonio Skármeta. O roteiro foi adaptado por Anna Pavignano, Michael Radford, Furio Scarpelli, Giacomo Scarpelli e Massimo Troisi que também interpretou o carteiro. A história se passa na Itália nos anos 50.
Resumo: Por razões políticas o poeta Pablo Neruda se exila em uma ilha na Itália. Lá, um desempregado quase analfabeto é contratado como "carteiro" extra, encarregado de cuidar da correspondência do poeta. Gradativamente se forma uma sólida amizade entre os dois. O carteiro Mario, aos poucos, aprende a escrever seus sentimentos por Beatrice, e Neruda ganha, em troca, um ouvinte compreensivo para suas lembranças saudosas do Chile.
Ficha técnica:
  Data de lançamento22 de setembro de 1994 (Itália)
  • Elenco: Massimo Troisi, Maria Grazia Cucinotta, Philippe Noiret, …

Análise do filme:
As longas estradas a percorrer:  a inquietação, os porquês, o desejo que impulsiona a busca de si mesmo.
A possibilidade que se abre com uma vida diversa da comum no lugar onde se vive: os grandes sentimentos nascem das coisas comuns.
O fascínio da poesia: um diálogo entre o mundo concreto e um mundo que busca o seu fundamento. A poesia explicada se torna banal. As palavras balanceiam como as ondam do mar. Como um barco balançando no meio das palavras, pois “as palavras são as piores coisas que existem”.
A aproximação e confiança: o que parecia uma relação improvável, tornou-se uma amizade, ou seja, o outro, ao menos para o carteiro, não se resumia a pura função ou personagem, mas um vínculo que oferecia a chance de concretizar os próprios desejos, ou seja, o Carteiro percebia no Poeta a real ligação entre os próprios sonhos e desejos e suas realizações.  O que seria uma curiosidade e uma tentativa quase desesperada de se aproximar da amada, mostrou-se como o salto qualitativo e um horizonte a ser explorado.
A pergunta por algo a mais: “estou cansado de ser um homem”, o que significa, estou cansado do mundo que mim é oferecido e dado e que almejo algo que responda melhor meus anseios de realização e que me satisfaça? Seria apenas a constatação de que as coisas e pessoas ao derredor não são mais suficientes? Ou que somos feitos para abraçar o infinito e a mesmice nos impede de olhar diversamente o futuro? Estou cansado de ter a mesma sorte de todos e de não ser eu mesmo?  
As metáforas: a linguagem para falar do extraordinário, quer dizer, da vida, do amor, do divino. Tudo é metáfora de algo que existe, diz o filme: “o mundo inteiro é metáfora de alguma coisa”, que as coisas aparentes são sinais de outras coisas, ou seja, que existe um fundamento que ultrapassa a simples manifestação do existente.
O que faz o homem um ser singular e na constante busca de si por além de si mesmo?  A inquietação, a solidão, a nostalgia, o desejo, a esperança… O filme mostra esse homem que na quase desesperada busca de si e do significado mais profundo da sua existência, acaba por ter na poesia e na figura de Neruda, a possibilidade de extravasar as suas sedes; o referido, o corriqueiro já não pode abarcar os seus limites, faz-se necessário caçar além de si e dos seus por algo que possa vir a preencher o seu vazio. O novo, o diverso ressoa o seu som e faz revigorar e despertar o que se encontrava adormecido, ou seja, do encontro com o outro, com o diverso nascem a coragem e a esperança. O desejo não é simplesmente desejo, é vida que brota e que pode se realizar.
Na sublinhada frase de Neruda: “Sinto falta do mar. Sinto falta dos pássaros. Manda para mim os sons de minha casa”, denota a nostalgia pelo vivido, mas também a insatisfação que se experimenta sempre. A poesia é a revelação dos sentimentos que denotam a expectativa por uma realização.


Pra se pensar ....

Desespero anunciado

Desespero anunciado Para que essa agonia exorbitante? Parece que tudo vai se esvair O que se deve fazer? Viver recluso na pr...