É a página de todos que acreditam na amizade e no seu poder de libertação e felicidade.É o lugar daqueles que percebem na amizade o fator de realização e perfeição. Quem vive a fazer o bem é feliz!
Blefe
Blefe
Traço
aqui umas linhas ilógicas e superficiais para expressar o que faz tempo eu queria
mastigar. A vida é mesmo inacreditável. Ela surpreende sempre. Carrega a nossa
vivência uma ambiguidade que se parece mais com devaneios do que com realidade.
Mas é essa a nossa índole de ser no mundo e de ser dependente dessa
mundaneidade que nos circunda. Que
poderei dizer então, que sou blefe, essa existência medíocre e ridícula, tudo
parece não ter sentido e ao mesmo tempo que parece estarmos longe, já estamos
de novo em volta, estamos já por perto. Essa mistura desnecessária de alegrias
e tristezas, essas canções que as vezes soam encher de entusiasmo a caminhada,
mas em outros momentos semelhantes provocam cansaço. Que é isso, essa
desaceleração de momentos alternados de invenção e de cruel monotonia. Essas
histórias que fazem memória de um
passado que não é meu, pois tudo se esvanece, isso não passa da construção de uma narrativa fictícia, não sou
o que acho que sou e ainda menos o que os outros dizem e pensam de mim, pois eu
sou como a vida é, um blefe, uma mentira costurada com arranjos de veracidade.
O que fica depois de tudo? O que nos espera depois do nada? Para que tantas
fadiga e murmurações onde o imprevisto tem o desfecho final? Para que se
importar com tantos detalhes quando é o nada e sua simplicidade que nos acolhe
em seu eterno seio? Esperança, fé, futuro? Acredito em tudo sim, e isso me faz
ainda perambular nesse imenso horizonte sem destino, mas qual garantia temos do
devir? Do lado de cá posso ficar tranquilo se nada sei do lado de lá? Não posso
ter medo de pensar essas variedades ou me refugiar numa promessa sem padecer as
consternações de uma vida que somente o agora é presente.
Homem sugestionavel
Homem sugestionável
O
homem é um ser que se adapta facilmente, o seu desconcerto é somente uma questão
de adaptação, quer no âmbito material, quer no espiritual. Quando se ilude por
si mesmo, esse ser não tenta mais e esquecendo de buscar, cai na monotonia. É verdade
que a alma humana é inquieta, nada satisfaz completamente, mas muitos se
acomodam às próprias conquistas e se esquecem de transcender-se. Esse desejo de ser maios e ter mais levaram os
homens a romperem horizontes e barreiras, levou-os também a romper todos os rótulos
que já quiseram lhes infligir. Não é que o homem precise ser um ser descartado
ou relativista para se aproximar da sua essência de pergunta aberta que o
constitui, mas o fato de ele não ter resposta não significa que seja
imperfeito, mas o que lhe faz ser o que é não passa pela estagnar ou fixo, mas
pelo maleável e movediço. O homem é infeliz porque não aceita o fato que a sua realização
é estar em caminho e não parado num lugar. O dado, o feito, o programado não vale
para o ser homem, pois esse se dignifica mais como peregrino do que como estátua.
Verdade sim que o que recebemos
influencia, e muito, no nosso modo de buscar e querer, mas é certo que também essas
influências não nos determinam e nem definem o que somos. É verdade também que
somos sugestionável, que nos adaptamos e nos acomodamos, até com mais
facilidade que os outros seres, mas existe em nós essa descontinuidade que nos
faz reticente ainda em situações que até então nos parecia bem confortáveis. Esse homem sugestionável significa que a sua
natureza aberta e intranquila não se contenta nunca, a não ser que negue ou
anestesie os seus desejos. Por que somos assim insatisfeitos? O que precisa
para sermos o que queremos ser?
Superficialidade
Superficialidade
A superfície é encantadora, mostra-se imediatamente
O superficial se perde com maior conhecimento e
aprofundamento
As superfícies não exigem, não requerem nenhum
sacrifício
A superficialidade é a arma dos que buscam
reconhecimento e a força dos tolos
Superficialmente a vida parece banal e sem propósitos!
A sabedoria impele ao fundamental e a superficialidade
ao mero fenomenal
A sabedoria busca dar significado e a superficialidade
se contenta com o gostar
A sabedoria
apela para a liberdade e ao superficial
basta a liberalidade
A sabedoria combina com radicalidade e o superficial
com facilidade
A sabedoria requer tempo e ponderação e a
superficialidade apenas quer chamar à atenção!
Somos loucos?
SOMOS LOUCOS?
Somente os insensatos acham que vivemos num mundo de normais ou se acham normais, todos somos loucos, cada um do seu jeito, por isso que "temos de aprender a viver todos como irmãos ou morreremos todos como loucos" (Martin Luther King). Desse modo sou convicto que "loucos como eu vivem poucos, mas vivem como querem", o que equivale dizer que "nos chamam de loucos, num mundo em que os certos fazem bombas" (Bob Marley). Quem de fato sao os loucos? Depois, é corrente que "os loucos abrem os caminhos que depois emprestam aos sensatos (Carlo Dossi). Quem é incapaz de viver autenticamente chamam os outros de loucos. Querem que sejamos iguais e acreditemos em ideias alheias, dado que "os homens que realmente acreditam em si mesmos estão todos em asilos de loucos" (G. K. Chesterton). A loucura provoca a liberdade e incomoda os que se acham donos da verdade. Precisamos de mais loucos e menos imbecis disfarçados de inteligentes!
À deriva
À
deriva
Acordei desassossegado, sem noção onde o meu barco
estava ancorado.
Voltei os olhos, não reconheci a direção.
Apavorei-me! A amargura penetrou meus ossos e cai no
esquecimento
Será esse o meu destino? Que hipocrisia lamentável
E o que resta de tudo já vivido? Uma lembrança
lastimosa
Fiquei horrorizado, isso seria mais uma armadilha da
maldade?
Depois percebi que todos somos igualmente falidos,
apenas ainda não desmascarados!
E há muito porque se deva viver? Nossas ideias de
bondade nada valem realmente.
Estou praticando uma autonegação? Talvez apenas a alteridade
que se abandona.
Resta para todos só o túmulo e a imagem, quando não é
a perplexidade e o medo.
Pensamentos que voam ou a angústia termina com a
morte?
Vou me iludir com o amanhã e viver uma overdose de soníferos?
Quando me despertei, então veio a inquietação: a artimanha
desprezível triunfará?
Será a vitória dos idiotas mal-intencionados? Tudo é
ilusório e passageiro.
Esse caráter provisório da vida nos joga mesmo à
deriva.
E aí, qual o sentido da realidade? Apenas uma sucessão
vazia de momentos?
Senti repentinamente um vendaval ensurdecedor e as
aguas balnearem.
Ufa, nem sei onde estou, todo lugar é lugar, que
importa, todos somos transeuntes!
A vida é indecifrável, queiramos ou não, todos
estamos à deriva!
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