Dislexia

Dislexia



Tanta dificuldade em compreender o obvio,
Será mera distração?
Quanto descaso pelo outro,
Será pura acomodação?
E essa desenfreada busca de vantagem,

Parece um surto de dislexia!

Blefe

Blefe




Traço aqui umas linhas ilógicas e superficiais para expressar o que faz tempo eu queria mastigar. A vida é mesmo inacreditável. Ela surpreende sempre. Carrega a nossa vivência uma ambiguidade que se parece mais com devaneios do que com realidade. Mas é essa a nossa índole de ser no mundo e de ser dependente dessa mundaneidade que nos circunda.  Que poderei dizer então, que sou blefe, essa existência medíocre e ridícula, tudo parece não ter sentido e ao mesmo tempo que parece estarmos longe, já estamos de novo em volta, estamos já por perto. Essa mistura desnecessária de alegrias e tristezas, essas canções que as vezes soam encher de entusiasmo a caminhada, mas em outros momentos semelhantes provocam cansaço. Que é isso, essa desaceleração de momentos alternados de invenção e de cruel monotonia. Essas histórias que fazem memória  de um passado que não é meu, pois tudo se esvanece, isso não passa da  construção de uma narrativa fictícia, não sou o que acho que sou e ainda menos o que os outros dizem e pensam de mim, pois eu sou como a vida é, um blefe, uma mentira costurada com arranjos de veracidade. O que fica depois de tudo? O que nos espera depois do nada? Para que tantas fadiga e murmurações onde o imprevisto tem o desfecho final? Para que se importar com tantos detalhes quando é o nada e sua simplicidade que nos acolhe em seu eterno seio? Esperança, fé, futuro? Acredito em tudo sim, e isso me faz ainda perambular nesse imenso horizonte sem destino, mas qual garantia temos do devir? Do lado de cá posso ficar tranquilo se nada sei do lado de lá? Não posso ter medo de pensar essas variedades ou me refugiar numa promessa sem padecer as consternações de uma vida que somente o agora é presente.

Homem sugestionavel

Homem sugestionável






O homem é um ser que se adapta facilmente, o seu desconcerto é somente uma questão de adaptação, quer no âmbito material, quer no espiritual. Quando se ilude por si mesmo, esse ser não tenta mais e esquecendo de buscar, cai na monotonia. É verdade que a alma humana é inquieta, nada satisfaz completamente, mas muitos se acomodam às próprias conquistas e se esquecem de transcender-se.  Esse desejo de ser maios e ter mais levaram os homens a romperem horizontes e barreiras, levou-os também a romper todos os rótulos que já quiseram lhes infligir. Não é que o homem precise ser um ser descartado ou relativista para se aproximar da sua essência de pergunta aberta que o constitui, mas o fato de ele não ter resposta não significa que seja imperfeito, mas o que lhe faz ser o que é não passa pela estagnar ou fixo, mas pelo maleável e movediço. O homem é infeliz porque não aceita o fato que a sua realização é estar em caminho e não parado num lugar. O dado, o feito, o programado não vale para o ser homem, pois esse se dignifica mais como peregrino do que como estátua.  Verdade sim que o que recebemos influencia, e muito, no nosso modo de buscar e querer, mas é certo que também essas influências não nos determinam e nem definem o que somos. É verdade também que somos sugestionável, que nos adaptamos e nos acomodamos, até com mais facilidade que os outros seres, mas existe em nós essa descontinuidade que nos faz reticente ainda em situações que até então nos parecia bem confortáveis.  Esse homem sugestionável significa que a sua natureza aberta e intranquila não se contenta nunca, a não ser que negue ou anestesie os seus desejos. Por que somos assim insatisfeitos? O que precisa para sermos o que queremos ser?

Superficialidade

Superficialidade




A superfície é encantadora, mostra-se imediatamente
O superficial se perde com maior conhecimento e aprofundamento
As superfícies não exigem, não requerem nenhum sacrifício
A superficialidade é a arma dos que buscam reconhecimento e a força dos tolos
Superficialmente a vida parece banal e sem propósitos!

A sabedoria impele ao fundamental e a superficialidade ao mero fenomenal
A sabedoria busca dar significado e a superficialidade se contenta com o gostar
A sabedoria  apela para a liberdade e ao superficial  basta a liberalidade
A sabedoria combina com radicalidade e o superficial com facilidade
A sabedoria requer tempo e ponderação e a superficialidade apenas quer chamar à atenção!


Somos loucos?

SOMOS LOUCOS?



Somente os insensatos acham que vivemos num mundo de normais ou se acham normais, todos somos loucos, cada um do seu jeito, por isso que "temos de aprender a viver todos como irmãos ou morreremos todos como loucos" (Martin Luther King). Desse modo sou convicto que "loucos como eu vivem poucos, mas vivem como querem", o que equivale dizer que "nos chamam de loucos, num mundo em que os certos fazem bombas" (Bob Marley). Quem de fato sao os loucos? Depois, é corrente que "os loucos abrem os caminhos que depois emprestam aos sensatos (Carlo Dossi). Quem é incapaz de viver autenticamente chamam os outros de loucos. Querem que sejamos iguais e acreditemos em ideias alheias, dado que "os homens que realmente acreditam em si mesmos estão todos em asilos de loucos" (G. K. Chesterton). A loucura provoca a liberdade e incomoda os que se acham donos da verdade. Precisamos de mais loucos e menos imbecis disfarçados de inteligentes!

À deriva

À deriva

Acordei desassossegado, sem noção onde o meu barco estava ancorado.
Voltei os olhos, não reconheci a direção.
Apavorei-me! A amargura penetrou meus ossos e cai no esquecimento
Será esse o meu destino? Que hipocrisia lamentável
E o que resta de tudo já vivido? Uma lembrança lastimosa
Fiquei horrorizado, isso seria mais uma armadilha da maldade?
Depois percebi que todos somos igualmente falidos, apenas ainda não desmascarados!
E há muito porque se deva viver? Nossas ideias de bondade nada valem realmente.
Estou praticando uma autonegação? Talvez apenas a alteridade que se abandona.
Resta para todos só o túmulo e a imagem, quando não é a perplexidade e o medo.
Pensamentos que voam ou a angústia termina com a morte?
Vou me iludir com o amanhã e viver uma overdose de soníferos?
Quando me despertei, então veio a inquietação: a artimanha desprezível triunfará?
Será a vitória dos idiotas mal-intencionados? Tudo é ilusório e passageiro.
Esse caráter provisório da vida nos joga mesmo à deriva.
E aí, qual o sentido da realidade? Apenas uma sucessão vazia de momentos?
Senti repentinamente um vendaval ensurdecedor e as aguas balnearem.
Ufa, nem sei onde estou, todo lugar é lugar, que importa, todos somos transeuntes!
A vida é indecifrável, queiramos ou não, todos estamos à deriva!


Assim como o vento...

Assim como o vento...



Levando os retalhos
Invadindo os atalhos
Sacudindo os galhos
Assim como o vento...

Correndo sem direção
Afastando a solidão
Percorrendo na contramão
Assim como o vento...

Desafiando os equilíbrios
Resistindo nos martírios
Desmistificando os delírios
Assim como o vento...


Pra se pensar ....

Desespero anunciado

Desespero anunciado Para que essa agonia exorbitante? Parece que tudo vai se esvair O que se deve fazer? Viver recluso na pr...