TABACARIA


      TABACARIA
    Não sou nada.
    Nunca serei nada.
    Não posso querer ser nada.
    À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
    Janelas do meu quarto,
    Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
    (E se soubessem quem é, o que saberiam?),
    Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
    Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
    Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
    Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
    Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
    Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
    Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
    Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
    E não tivesse mais irmandade com as coisas
    Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
    A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
    De dentro da minha cabeça,
    E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
    Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
    Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
    À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
    E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
    Falhei em tudo.
    Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
    A aprendizagem que me deram,
    Desci dela pela janela das traseiras da casa.
    Fui até ao campo com grandes propósitos.
    Mas lá encontrei só ervas e árvores,
    E quando havia gente era igual à outra.
    Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
    Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
    Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
    E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
    Gênio? Neste momento
    Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
    E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
    Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
    Não, não creio em mim.
    Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
    Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
    Não, nem em mim...
    Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
    Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
    Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
    Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
    E quem sabe se realizáveis,
    Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
    O mundo é para quem nasce para o conquistar
    E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
    Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
    Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
    Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
    Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
    Ainda que não more nela;
    Serei sempre o que não nasceu para isso;
    Serei sempre só o que tinha qualidades;
    Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
    E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
    E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
    Crer em mim? Não, nem em nada.
    Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
    O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
    E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
    Escravos cardíacos das estrelas,
    Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
    Mas acordamos e ele é opaco,
    Levantamo-nos e ele é alheio,
    Saímos de casa e ele é a terra inteira,
    Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
    (Come chocolates, pequena;
    Come chocolates!
    Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
    Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
    Come, pequena suja, come!
    Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
    Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
    Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
    Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
    A caligrafia rápida destes versos,
    Pórtico partido para o Impossível.
    Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
    Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
    A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
    E fico em casa sem camisa.
    (Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
    Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
    Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
    Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
    Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
    Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
    Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
    Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
    Meu coração é um balde despejado.
    Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
    A mim mesmo e não encontro nada.
    Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
    Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
    Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
    Vejo os cães que também existem,
    E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
    E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
    Vivi, estudei, amei e até cri,
    E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
    Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
    E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
    (Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
    Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
    E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
    Fiz de mim o que não soube
    E o que podia fazer de mim não o fiz.
    O dominó que vesti era errado.
    Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
    Quando quis tirar a máscara,
    Estava pegada à cara.
    Quando a tirei e me vi ao espelho,
    Já tinha envelhecido.
    Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
    Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
    Como um cão tolerado pela gerência
    Por ser inofensivo
    E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
    Essência musical dos meus versos inúteis,
    Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
    E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
    Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
    Como um tapete em que um bêbado tropeça
    Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
    Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
    Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
    E com o desconforto da alma mal-entendendo.
    Ele morrerá e eu morrerei.
    Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
    A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
    Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
    E a língua em que foram escritos os versos.
    Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
    Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
    Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
    Sempre uma coisa defronte da outra,
    Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
    Sempre o impossível tão estúpido como o real,
    Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
    Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
    Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
    E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
    Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
    E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
    Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
    E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
    Sigo o fumo como uma rota própria,
    E gozo, num momento sensitivo e competente,
    A libertação de todas as especulações
    E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
    Depois deito-me para trás na cadeira
    E continuo fumando.
    Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
    (Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
    Talvez fosse feliz.)
    Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
    O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
    Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
    (O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
    Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
    Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
    Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

    Álvaro de Campos, 15-1-1928

L'ansia e il vivere


È una delle emozioni più difficili da vivere ma l’ansia nasconde sempre il suo contrario: energia e creatività, da troppo tempo ingabbiate; impara a liberarle

L’ ansia, specie se non ha cause apparenti, è un’emozione che ci mette a dura prova e che può farci imboccare un labirinto insolubile di terapie inadeguate. Stiamo facendo le nostre normali attività, quando all’improvviso prorompe in noi una fastidiosa sensazione che stia per capitare qualcosa di brutto, che non sappiamo cosa sia. A volte l’ ansia prende la forma dalla paura di morire, o dall’angoscia per il fatto che “un giorno” dovremo morire e che nulla ha senso. A volte siamo assaliti da un generico ma intenso terrore di essere soli, di non essere “reali”, di non farcela. In altri casi si ha la sensazione che qualcosa di terribile e di più grande di noi incomba nella nostra vita. E infine, a volte, si presenta un’acuta ansia “senza oggetto”, pura tensione, puro stato di allerta senza nessun’altra sfumatura.

Che cosa nasconde l’ansia
Paradossalmente, l’ ansia è una delle più forti pulsioni vitali di cui siamo dotati, uno dei sintomi che maggiormente esprimono un’immensa voglia di vivere, di creare, di manifestarsi con pienezza. Proprio così: anche quando è venata di atmosfere mortifere – anzi, ancor di più in questi casi – questa angoscia è da interpretare come una parte di noi stessi che dice: voglio assolutamente vivere. È importante allora comprendere perché questa voglia debba manifestarsi in un modo così violentemente negativo. E la risposta risiede nel fatto che, attraverso di essa, il nostro cervello si fa carico di scuoterci alla radice per segnalarci che stiamo escludendo dalla nostra vita una parte essenziale di noi stessi, una parte che evidentemente non si può sopprimere. Può essere qualsiasi cosa: creatività, sessualità, sentimenti, libertà, desideri, modi di essere ecc. L’atmosfera di morte e di pericolo è lì a dirci che vivere senza questa parte è pericoloso e ci conduce alla depressione. È il momento di farla vivere, per riprendere a stare bene. Ecco come

No agli psicofarmaci
Eliminare questa forma di ansia con gli psicofarmaci toglie la possibilità di mettere in atto ciò che di prezioso essa ci suggerisce. Un danno doppio, perché essi, annebbiando il problema, lo fanno diventare sempre meno comprensibile. La strategia migliore, quindi, non è sopprimere l’ ansia, ma carpirne il senso e attuarlo, fino a renderla inutile.

Sì alla psicoterapia
È necessario qualcuno che, con lucidità, ci aiuti a comprendere il senso nascosto nell’ansia e a trasformarlo in scelte e comportamenti liberatori. Una terapia valida però non deve metterci anni per risolvere questo sintomo: in pochi mesi esso deve sparire o ridursi sensibilmente. Altrimenti bisogna cambiare: o terapeuta o tipo di psicoterapia.

Più coraggio nelle scelte
Spesso, paradossalmente, chi soffre di quest’ ansia non mette in atto le scelte che, una volta individuate, potrebbero farlo star bene. La paura di qualcosa di nuovo va a sua volta a nutrire il problema. Tuttavia è necessario tirare fuori un po’ di coraggio e fare i passi necessari. Altrimenti, se si resta passivi, l’ ansia la farà da padrona.

L'insoddisfazione




L’ insoddisfazione è un sentimento di non appagamento e, di conseguenza, di malessere più o meno accentuato. Essa è presente in noi, alternandosi con il suo opposto “soddisfazione”, fin dai primi attimi della nostra vita, allorché i nostri bisogni primari, di cui si occupa la mamma, sperimentano l’appagamento (per esempio, dopo la poppata) e l’inappagamento (la fame che precede la poppata) più volte al giorno.
Nell’adulto l’insoddisfazione lascia gli schemi della prima infanzia e si porta su piani più maturi: esistenziale, creativo, sentimentale, sessuale, professionale, ambientale, potendo talora restare legato in profondità ad antiche frustrazioni da bisogni.
Avere ciò che serve
La parola “insoddisfazione” deriva dal latino satisfacere, che letteralmente significa fare abbastanza, produrre il necessario. Satisfactum è perciò colui che ha il necessario. Ed è proprio su quest’ultima parola, che si basa il senso vero dei termini soddisfazione e insoddisfazione.
A seconda, infatti, di quello che ognuno di noi ritiene necessario per se stesso e per la propria vita, è possibile essere appagati o no, felici o infelici. Basta dunque un attimo per comprendere come gran parte della nostra felicità dipenda dalla capacità di intuire il “vero necessario”.
Solo il vero necessario dà la felicità
Ci sono persone agiate o ricchissime che hanno non solo il necessario, ma anche tutto il superfluo e sono degli insod disfatti cronici, dei depressi alla ricerca continua di stimoli che alla fine si rivelano vacui; e ci sono altri che vivono di poco e sono felici di quello (ciò non toglie ovviamente che ci siano dei ricchi felici e dei poveri infelici…). Ci sono persone che hanno dato l’anima per avere la vita che credevano “necessaria per essere felici” (riconoscimentipartner idealesuccesso) e invece sono sempre frustrati e inappagati, e altri che, con naturalezza, stanno bene senza sforzo nella lorovita.
Come mai? L’equivoco nasce dal fatto che la maggior parte dei bisogni che credi di avere sono indotti dall’esterno, dai modelli, dai genitori, dagli insegnanti, dalla cultura e dalla società, e anche da ciò che di tutto questo è entrato nel nostro super-Io.
Pensiamo di aver bisogno di certe cose ma non è così, e una volta raggiunte si apre il “non senso”. E da adulti è difficile poi sapere cosa ci serve davvero e cosa no. Ma l’inghippo è tutto qui.
Se riuscissimo a fare silenzio, a far tacere tutte le mille voci — non nostre — che ci urlano nel cervello, e ci mettessimo in una condizione di estrema semplicità, in breve emergerebbe il nostro “vero necessario”, che è fatto proprio per noi e che è ben più raggiungibile di quanto pensiamo. Anzi, spesso è già qui. Bisogna solo accorgersene.
I SI e i NO dell’INSODDISFAZIONE
Spesso, crediamo di avere bisogni che in realtà sono indotti dal mondo esterno. Ma ciò di cui abbiamo bisogno, in realtà, è già qui e aspetta solo d’essere riconosciuto…
SI
• Fai digiuno dei soliti appagamenti Senza uscire dalla vita che stai facendo – quindi senza agriturismi “monastici” salubri ma disorientanti — rendi più semplice la tua vitaquotidiana, inserendo spazi e momenti in cui non fare nulla che sia finalizzato ai solitibisogni.
Questo digiuno di qualche giorno ti aiuterà a capire se essi fanno parte dei tuo “vero necessario”, l’unico che può renderti felice.
NO
• Lamentarsi / Non serve, anzi ricrea nel cervello un continuo senso di frustrazione, allontanando la possibilità di risolvere la situazione.
Secreta il tuo inappagamento, totalmente. Il cervello così “addensato” produrrà nuovi sguardi sulla realtà.
tratto da “Il Dizionario della Felicità”
di Raffele Morelli

IL VINO DELLA GIOIA


Il vino della gioia

Tre giorni dopo, ci fu uno sposalizio a Cana di Galilea e c'era la madre di Gesù. Fu invitato alle nozze anche Gesù con i suoi discepoli. Nel frattempo, venuto a mancare il vino, la madre di Gesù gli disse: «Non hanno più vino».
E Gesù rispose: «Che ho da fare con te, o donna? Non è ancora giunta la mia ora». La madre dice ai servi: «Fate quello che vi dirà». Vi erano là sei giare di pietra per la purificazione dei Giudei, contenenti ciascuna due o tre barili. E Gesù disse loro: «Riempite d'acqua le giare»; e le riempirono fino all'orlo. Disse loro di nuovo: «Ora attingete e portatene al maestro di tavola». Ed essi gliene portarono.
E come ebbe assaggiato l'acqua diventata vino, il maestro di tavola, che non sapeva di dove venisse (ma lo sapevano i servi che avevano attinto l'acqua), chiamò lo sposo e gli disse: «Tutti servono da principio il vino buono e, quando sono un pò brilli, quello meno buono; tu invece hai conservato fino ad ora il vino buono».
Così Gesù diede inizio ai suoi miracoli in Cana di Galilea, manifestò la sua gloria e i suoi discepoli credettero in lui. (Gv 2,1-11)
Insieme al miracolo della moltiplicazione dei pani e dei pesci questo è probabilmente uno dei brani più noti dei Vangeli. Confrontandoli però si nota una differenza: nel primo (Mt 14,15 ss. Mt 15,31 ss. e paralleli) Gesù si preoccupa della folla che è rimasta senza cibo e, provandone compassione, gli procura il necessario per vivere; nelle nozze di Cana, invece, sollecitato da Maria sua madre, Gesù fornisce ciò che oggi definiremmo un “bene voluttuario” e per di più a degli uomini che come ci ricorda lo stesso Vangelo, probabilmente sono già “un po’ brilli”.
Nella nostra vita spesso facciamo distinzione fra ciò che è necessario e ciò che non lo è. Forse sbaglierò ma ascoltando i discorsi di molte persone (specialmente di una certa età) si ha l’impressione che l’esperienza essenziale nella vita sia poter lavorare per guadagnarsi il pane quotidiano. Il cruccio delle persone anziane è quello “di non essere più capaci di fare niente”. Permettetemi anche una nota molto autobiografica: spesso nei confronti delle persone disabili, dato che non possono lavorare, non possono fare le cose necessarie, ci si preoccupa che almeno abbiano qualcosa “per far passare il tempo”, qualcosa in fondo considerato superfluo e non importante per una vita veramente realizzata.
Nel brano sopra riportato non si può non evidenziare che è uno dei pochi (escluso i primi capitoli del Vangelo di Matteo e di Luca) in cui si parla di Maria e se ne parla non come una figura da “immaginetta”, bensì come una donna “da cucina” come tutte le mamme, a stretto contatto dei servi in quanto, per accorgersi che “era venuto a mancare il vino”, doveva aver trascorso più tempo dietro le quinte che non sulla scena del banchetto. Questo brano ci aiuta a valorizzare nel modo giusto la figura della Madonna: una persona pienamente umana, estremamente attenta ai bisogni degli altri e che ha saputo riporre la sua fiducia totalmente nel Signore, anche quando apparentemente la rimproverava (“Che ho da fare con te, o donna”). Sarò poco devoto a Maria, faccio molta fatica a pregare il rosario e quando ho qualcosa che mi sta a cuore preferisco rivolgermi direttamente a Dio e specialmente a Gesù, ma è bello sapere che una di noi creature ce l’ha fatta a seguire pienamente la volontà di Dio e che dal cielo, insieme agli altri santi e alle persone che ci sono state care, continua a intercedere per noi e a suggerirci di fare sempre quello che ci dice Lui.
Ogni volta che ascolto il brano delle nozze di Cana, però, la mia attenzione cade sempre sul vino e mi incuriosisce il fatto che, mentre negli altri Vangeli i miracoli hanno come soggetto persone ammalate o comunque bisognose, il primo miracolo del Vangelo di Giovanni (molto originale rispetto ai tre sinottici) abbia in primo piano proprio il vino.
Scorrendo le pagine della Bibbia possiamo notare che questo è citato come bevanda che stordisce e ubriaca; alle persone consacrate a Dio (re, sacerdoti, profeti) è fatto obbligo di non bere né vino né bevande inebrianti; con espressioni quali coppa o calice dell’ira il vino diviene addirittura simbolo della maledizione degli uomini che si ubriacano con i culti degli idoli.
Molto spesso, però, vino, vite, vigna indicano prosperità, festa, gioia. In particolare è una grande benedizione quando Dio, attraverso i profeti, promette agli uomini di poter ancora piantare le viti, coltivarle e gustarne il frutto.
Forse siamo abituati a guardare la nostra vita cristiana in termini di sofferenza, di sacrificio, di “sudore della fronte” per guadagnarci il pane quotidiano ed espiare le nostre colpe. Gesù in questo è stato molto chiaro: «Se qualcuno vuol venire dietro a me rinneghi se stesso, prenda la sua croce e mi segua». Ma questa è solo la strada, non la meta. Nel Vangelo Gesù ci fa assaporare anche e soprattutto la gioia del far festa, del banchetto, dello stare con i propri amici. Molto significativa è la parabola degli invitati alle nozze (Mt 22,2 - Lc 14,16) in cui tutti gli invitati hanno qualcosa di importante da fare, devono badare al proprio lavoro, e allora vengono invitati a far festa la gente dei crocicchi, quelli che non fanno cose importanti, quelli che non sanno come far passare il tempo.
Uno dei primi bans che ho sentito quando ho iniziato a frequentare l’oratorio ripeteva continuamente: «Noi siamo gente di festa, siamo gente di gioia noi» e secondo me è proprio questo che vuole ricordarci il primo miracolo del vangelo di Giovanni.
Vino, festa, divertirsi, cercare qualcosa non per “far passare il tempo” ma per vivere bene il proprio tempo non sono “beni voluttuari”, cose da ragazzi, ma esperienza essenziale della nostra vita al pari e forse più del lavoro. L’uomo non vive di solo pane, ci ricorda la Bibbia, ma di ogni parola che esce dalla bocca di Dio e dalla bocca degli amici che incontriamo ogni giorno, di ogni attimo di gratuità che sappiamo condividere senza per forza “fare qualcosa di importante”.
Il pane e il vino, i segni dei due miracoli, li ritroviamo nell’Eucaristia: Gesù per noi si fa nutrimento e gioia, Gesù è venuto e continua a venire tra noi proprio “perché la sua gioia sia in noi e la nostra gioia sia piena” (Gv 15,11).
Non è vero che il tempo è denaro: esso è infinitamente più prezioso del denaro. Certamente accogliamo l’invito di S. Paolo “di mangiare il proprio pane lavorando in pace” (2Tm 3,12), ma il tempo che il Signore ci dona su questa terra, non è solo per lavorare, ma anche per pregustare con fantasia e creatività il vino nuovo della festa, il vino dell’incontro, per sperimentare che, pur tra difficoltà, sacrifici, sofferenze, tutti siamo chiamati alla gioia piena quella che, come quell’acqua trasformata in vino, non perde mai il sapore e l’intensità.

Autoaccettazione


Autoaccettazione



LA VERA GIOIA PARTE DALL'AUTOACCETTAZIONE
La vera gioia interiore parte dall'autoaccettazione.
Ho riconosciuto ben presto che, più si va avanti su quel cammino, più ci crediamo lontani dalla meta, così ora mi rassegno a vedermi sempre imperfetta, e trovo in ciò la mia gioia. (S.Teresa di Lisieux, dottore del Chiesa, Scritto autobiografico.)
La logica umana ci dice che chiunque si vede imperfetto e lontano dalla meta, tende a scoraggiarsi per tanti motivi. Non accetta profondamente la sua natura, i suoi fallimenti, i limiti che intravede. Si è proposto degli ideali che vorrebbe perseguire, ma sente pesantemente la sua impotenza nel realizzarli. Fa dei continui sforzi per rientrare in quell'ideale che si è costruito, ma invano. Non accetta di essere quello che è, si è eccessivamente proiettato in quell'ideale e la sua vita diventa un tormento, uno sforzo continuo di proiezione ed alienazione da se stesso.
Vita che trascorre scialba, malinconica e può sfociare nella depressione cronica. Le continue autoanalisi non fanno altro che ribadire i vecchi fallimenti, l'eterno senso di frustrazione che gli fanno perdere la gioia per la vita. Chi è scontento di se stesso, inconsciamente rischia di essere scontento degli altri, i cui difetti gli ricordano i suoi. Come può crescere l'amore verso Dio e gli altri in una persona siffatta? Può sinceramente amare Dio e il prossimo uno che non ama se stesso?
Innanzittutto bisogna far prendere coscienza di come Dio agisce verso l'uomo, e questo solo la Rivelazione può dircelo: il suo amore è senza limiti. Egli ama ciascuno di noi così come siamo perché tutti siamo sue creature, poste in essere dal nulla. Egli nota lo sforzo che facciamo per migliorare i nostri difetti e spesso interviene per aiutarci. Non possiamo dire che ami i suoi figli in gradi diversi. Ama ciascuno in modo speciale, perché ai suoi occhi siamo "speciali".
Ci vuole molto coraggio per accettarci così come siamo, nel prendere coscienza dei nostri difetti e nel cercare di migliorare . Spesso ci giudichiamo troppo : l'esame di coscienza rischia di intrappolarci nel nostro egoismo, nel pretendere una perfezione che ha bisogno dei suoi ritmi e dei suoi tempi. Questo Dio lo sa meglio di noi. Quando crediamo di essere migliori ai suoi occhi ciò può non essere vero. Quando ci crediamo peggiori, può darsi che invece per Lui stiamo progredendo. Il nostro metro di giudizio è veramente fallace.
Santa Teresina l'aveva ormai capito bene. Liberandosi dagli scrupoli, il suo slancio d'amore diventava più energico. Sapeva bene che un cuore contrito è gradito a Dio perché la vera contrizione non porta alla chiusura in se stessi, ma a confidare unicamente nella misericordia divina. Dio non delude chi confida in Lui, perché lo aiuta ad accettarsi profondamente, a non abbattersi di fronte alle difficoltà della vita spirituale.
Per quale motivo Teresina trovava la sua gioia nello scoprire in sé le imperfezioni? Il segreto sta nel suo profondo amore per Dio. Smettendo di giudicarsi entrava nel cuore dell'umiltà e Dio ama gli umili. Ogni imperfezione che scopriva lungo il cammino spirituale, la faceva sentire più bisognosa della misericordia divina. Perciò esclamava : sono un bambino che vive solo di latte!
Questo generava in lei gioia, la gioia di sentirsi amata così come era. La sua coraggiosa santità, esercitata tra le mura di un monastero, ha illuminato molti spiriti che hanno ritrovato la gioia di amare Dio e il prossimo perché hanno preso coscienza di essere da Lui infinitamente amati per quello che erano.

Cammino senza destino


Cammino senza destino


Cammino per le strade senza destino

Non so in giorno mi fermerò

Guardo sempre avanti e seguo

Non voglio vedere le cose passate

Varco le porte e gli orizzonti che trovo

Se qualcuno vuole sapere chi sono io
Io posso dire che solo il movimento può definirmi
Cammino sempre da solo e il tempo è sempre più stretto
Giro cercando dimenticare l’amore perduto
Ho paura che non li trovi mai più
Per questo cammino senza direzione
Magari trovi quest’amore un’altra volta
Tornerò a sorridere tranquillamente e camminare con destino
Quando troverò questo amore
Non ritorno più in questa strada  di nostalgia!

Estrada de Santos


As Curvas da Estrada de Santos

Roberto Carlos

Se você pretende
Saber quem eu sou,
Eu posso lhe dizer.
Entre no meu carro
E na estrada de Santos
Você vai me conhecer.
Você vai pensar que eu
Não gosto nem mesmo de mim
E que na minha idade
Só a velocidade
Anda junto a mim.
Só ando sozinho
E no meu caminho
O tempo é cada vez menor...
Preciso de ajuda!
Por favor me acuda!
Eu vivo muito só...
Se acaso numa curva
Eu me lembro do meu mundo,
Eu piso mais fundo.
Corrijo num segundo.
Não posso parar!
Eu prefiro as curvas
Da estrada de Santos
Onde eu tento esquecer
Um amor que eu tive
E vi pelo espelho,
Na distância se perder,
Mas se o amor que eu perdi,
Eu novamente encontrar...
As curvas se acabam
E na estrada de Santos
Não vou mais passar.
Não! Não vou mais passar.

Pra se pensar ....

Desespero anunciado

Desespero anunciado Para que essa agonia exorbitante? Parece que tudo vai se esvair O que se deve fazer? Viver recluso na pr...