Deixa o tempo se arrastar.

Deixa o tempo se arrastar




Para que tanta aflição
Deixa o tempo se arrastar
Ficar triste por um dia é recomeço
Afinal, somos peregrinos de terras desconhecidas
No mais positivo, somos apenas seres de passagens
Tudo passa e passas velozmente,
Então deixa o tempo se arrastar
Somos de essência interminável de peregrinos constantes.


Feira é uma feira

Feira é uma feira



Feira é de aglomeração
De barracas, gentes, carros e expansão!

Feira é de rua e de família
De artistas, comércios, folias e partilhas!

Feira é de retirantes
De acolhimento, sertanejos, confusão e imigrantes!

BACURAU

BACURAU




Bacurau, um filme brasileiro estrelado em 2019. Segundo os sites populares, “Bacurau é um filme brasileiro, dos gêneros dramafaroesteterror gorefantasia e ficção científica, escrito e dirigido porKleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. É produzido por Emilie Lesclaux, Saïd Ben Saïd e Michel Merkt e estrelado por Sônia BragaUdo Kier e Bárbara Colen e outros muitos atores. O título do filme é o apelido do último ônibus da madrugada no Recife, e a origem do nome vem de uma ave de hábitos noturnos comum nos sertões brasileiros, que era chamada pelos povostupis de wakura'wa”.
Atirar nas pessoas, inclusive em crianças, tacar fogo nas casas é coisa normal e lúdica. Estender no varal os despojos dos mortos é selvageria. Que ironia essa crítica de costumes e de civilização. Um filme recheado de crítica social e política. O nordeste afamado, mantido como curral eleitoral de políticos corruptos e vendidos. Os norte-americanos que se sentem dono do mundo, de tudo, sem respeitar ou levar em conta as culturas regionais. Todos são subumanos, quase gente: “são parecidos conosco, mas os lábios e o nariz não”, frases tipo essa que denotam o preconceito, o prejuízo e o utilitarismo mesquinho de quem se sente superior. Certamente o filme carrega sua dose de ideologia, mas não inocenta ou vitimiza as pessoas do povoado não, mas mostra que todos são bons ou maus a depender das situações, mas existem pessoas que fazem por não considerar os outros com a mesma dignidade e o mesmo valor. Atualíssimo: um Brasil cedido como espaço de aventura dos ricos. Numa outra voz: “que importa, amanha vamos embora mesmo”. Vem, deturpam, cagam em todo território e se retiram e todos devem ficar calados porque são “gringos”, como afirma o prefeito vendido.
A paisagem seca e sombria, denotam o descaso e a chaga do lugar abandonado, os rostos sofridos e sem lamentações dos nativos clamam por uma esperança que não se sabe como chegará, talvez num tanque-pipa ou num ônibus circense. Aquele povo que afirma sua identidade e tem orgulho de ser o que se é, sem ganância ou complexo, combina a necessidade com a engrenagem da modernidade, pois entre a falta de água e o sinal da internet, o drone é objeto conhecido de todos. Conservam os costumes e as cantorias dos ancestrais, mas antenados aos últimos acontecimentos. 

O filme mostra que quando as pessoas se sentem parte de uma mesma realidade, aceitam-se sem maiores delongas ou sem grandes satisfações a dar. Convivem todos, independentemente das escolhas e das opções: bandidos, religiosos, crianças, adultos, cristãos e de outras denominações, trans, gays, lésbicas, prostitutas, políticos, ou seja, acolhem sem colocar dificuldades. Os estrangeiros ou de outras regiões são acolhidos também. Claro que tem uma pitada de ironia e algumas piadas, mas sem grandes preconceitos, isso porque cada um vivem para si sem esperar muito da sociedade ou da opinião dos outros. Eles tinham consciência de onde estavam e das consequências de serem dali e se orgulhavam de pertencerem àquela infame realidade. Triste, mas era a vida deles. Não precisa sair ou se vender para ser feliz, basta assumir a própria identidade e lutar por ela. Como enfatizou algum comentarista: é um filme profeta do presente, entre rastros de odio e cantos de amor.

Sombra da morte

Sombra da morte


Por Pe. Jorge Ribeiro


A vinda da morte é indesejada
A sua presença é excomungada
A sua vizinhança é exorcizada
A sua certeza é ignorada.

            Qual é tua cara Ó morte?
            Porque almejas levar minha sorte
            Não te quero como consorte
            Pra teu desgosto estou mais forte.

A morte é triste, mas traz justiça
A morte iguala todos além da cobiça
A morte não é, ela é fronteiriça
A morte não pede licença e nem eriça.

            Seu nome oh morte se busca esquecer
            E de sua sombra se busca correr
            Da vida se lamenta e exala todo sofre
            Mas se quer a vida e ninguém quer morrer.


Delírios

Delírios



A fantasia e o futuro são fascinantes porque permitem os delírios, sem compromissos.
Espaçando os lixos que acumulei e descartando o que não agrega à minha escolha atual.
Fazer uma opção a cada dia é renovar o objetivo, não é negar a opção fundamental.
Um ser finito como pode acolher o infinito? Como direi para sempre se sou sujeito ao tempo.
O que é o tempo? Engano e autoengano, mania de deixar transcorrer as coisas sem direção.
Os acontecimentos são inevitáveis, mas podemos escolher a forma como eles sucedem.
Talvez seja muita loucura querer encarar a realidade como autorreferência e dar-lhe sentido.
Delírio mesmo é sonhar um mundo apaziguado, quando se tem negação até do obvio.
Refletir sobre essa aventura na terra não resolve, todos sabemos, mas oferece um paliativo.
Usa-se armas inadequadas para construir guerras até então impensadas.
Aproveitam de situações inusitadas e recorrem em benefícios dos próprios caprichos.
Como é triste viver para dar satisfação. Não seria essa uma forma moderna de escravidão?
Escondem-se num camuflagem chamada autoconsciência para fugir do realismo da vida.
A autorreferência como critério de verdade é liberdade ou afirmação forçada de si mesmo?
Estou delirando em querer um mundo realista. As pessoas preferem o autoengano e os falsos elogios, a educação  e a o egoísmo não preparam para encarar a vida, mas para fugir dela.
Geralmente as pessoas não se sentem confortáveis em falar da doença e da morte. Por que?
A doença evidencia a fragilidade e a falta de controle da pessoa consigo mesma.
Tudo o que sou e o que construí é o que mesmo? E os devaneios e delírios a que servem?
E a morte? É algo totalmente fora de mim. Não tem autorreferência, para que lembrar?
Ela chega assim mesmo, sem pedir licença e sem levar em conta a autossugestão da pessoa.
Delírios são delírios, ideias inacabadas ou pensamentos que se arrogam um lugar no mundo.


Futilidades

Futilidades



O apego aos próprios caprichos é uma coisa fútil
É fútil também a mania de soberania e de imposição
Pensar e achar que pode solucionar tudo, isso é fútil
Como é fútil o vício de quem insiste em ideologias
Correr e correr, depois todos devem parar, isso é fútil
Querer e querer, depois deixar tudo, outra coisa fútil
Tentar manipular e distorcer as situações, muito fútil
Perder a chance de se alegrar, é bem fútil
Passar por aquilo que não se é, terrivelmente fútil
Fingir ter ou se construir encima de aparências, catastroficamente fútil
Achar que vão reconhecer ou acolher sem preços ou demandas, bastante fútil
Poderia enumerar milhares de futilidades, que apenas fazem a pessoa ainda mais fugaz, mas as futilidades servem para desenhar o semblante de uma pretensão escamoteada. Ser fútil é se deixar prender por pequenos detalhes e se obstinar pelas próprias ideias. O cordeiro é assim, na natureza e na aparência, o fútil também, importa-se menos pelo comum e resguarda seu orgulho. Eliminar as futilidades é dirigir a vontade ao essencial e não se embriagar nas gostas que por vezes possam entusiasmar. É fútil a própria vida se a ela damos um sentido diverso do seu propósito, ser sinal do amor incondicionado do Criador.


Pra se pensar ....

Desespero anunciado

Desespero anunciado Para que essa agonia exorbitante? Parece que tudo vai se esvair O que se deve fazer? Viver recluso na pr...