ABISMO

Abismo




Esse imenso dentro de mim e esse abismo entre nós!
O silêncio se torna um vácuo em nossos tempos
Aumenta sempre o vazio nas nossas projeções e metas
Como um penhasco no deserto se abre uma fenda e o coração sangra!


Feridas cicatrizadas e chagas doídas se entrelaçam
Balançam as emoções que ficam incertas como areias movediças
Os sonhos titubeiam como fumaça que competem com o vento
E esse abismo que não apresenta nenhum fundo possível!


A alma se desgarra de si mesma como aurora fugidia
Os sentidos não aguçam e cambaleiam em mil dúvidas
A esperança parece sucumbir diante de tantas fatalidades
E a fé pede um salto que espelha o grito uivante de um abismo!


Tantos absurdos e tantas desgraças que me desnorteiam
Impávidos desejos que não chegam aos seus cumprimentos
Perplexidade perante injustiças e convencionalismos
Abismo que se impera como cataclismo de uma vida errante!


Medos e frustrações de amores mal correspondidos
Infâmias e delírios de convivências insatisfatórias
Lágrimas que banham possíveis desencontros
Autobiografia arranhada pela irrevocabilidade desse abismo!





Jorge Ribeiro
setembro de 14




AS DORES DE MARIA

O significado das dores de Nossa Senhora



As dores de Nossa Senhora têm seu sentido mais profundo no mistério pascal de Jesus Cristo.
Para entender o sofrimento e as dores de Nossa Senhora e a dureza com a qual ela é tratada por seu Filho Jesus Cristo nas narrativas bíblicas, é necessário compreender o sentido da constante iniciação à fé pura e o estar de pé junto à cruz. Maria esteve com Jesus, junto à cruz1, “não sem desígnio de Deus, sofrendo com o seu Filho único, e associando-se com coração de mãe ao Seu sacrifício, consentindo com amor no sacrifício da vítima por ela mesma gerada. Finalmente, pelo próprio Cristo Jesus moribundo na cruz foi dada como mãe ao discípulo com estas palavras: ‘mulher, eis aí o teu filho’”2, e depois ao lado daquele a quem Ele amava: “Eis a tua mãe!”3. Todo o sofrimento da Mãe do Senhor, especialmente as dores pela crucifixão e morte do seu Filho, tem seu sentido mais pleno no mistério pascal, na obra da salvação do mundo.
Nossa-Senhora-das-Dores---940x500
Ficamos surpresos, sem saber a razão das palavras e do tratamento de Jesus para com a sua Mãe, tanto em Caná como no Calvário4, nos quais ela é tratada por “mulher”. Seu próprio Filho Jesus Cristo é “o primeiro a empunhar a espada que a deve trespassar”5. Maria estava sendo preparada, desde a profecia de Simeão6, passando pela forma dura com a qual Jesus a tratou em Caná7 e em outras narrativas bíblicas, para o momento decisivo aos pés da cruz. A providência divina usou dessa dura pedagogia com a Virgem Maria para o seu amadurecimento na fé, para que ela estivesse de pé junto à cruz de Cristo8.
No Calvário, manifestam-se o aparente fracasso do Filho e o seu abandono pelo Pai, aos quais a Mãe precisa dizer “sim”, pois ela havia aceitado todo o destino de seu Filho9. “E como para encher totalmente o cálice amargo, o Filho, ao morrer, abandona explicitamente sua mãe, na medida em que se lhe retira e lhe atribui um outro filho: ‘Mulher, eis o teu filho’”10. Nesta passagem bíblica, vemos o cuidado de Jesus com a sobrevivência de sua Mãe, e se “torna evidente que Maria manifestamente não tinha outros filhos segundo a carne, pois, senão, a sua entrega ao discípulo amado seria supérflua e inadmissível”11.
Entretanto, há um outro motivo para essa passagem, que não deve passar despercebido: “Tal como o Filho é abandonado pelo Pai, também ele abandona sua mãe, de forma que ambos estão unidos no mesmo abandono. Só assim ela está intimamente preparada para assumir a maternidade eclesial relativamente a todos os novos irmãos e irmãs de Jesus”12.
A obediência da Mãe do Salvador, a sua abertura à vontade do Pai, a fez livre para assumir esta maternidade espiritual sobre os crentes. O engrandecer Deus13, que está presente em Maria, significa tornar-nos livres para Ele, significa um verdadeiro êxodo, uma saída do ser humano de si mesmo, a passagem da oposição para a união das duas vontades, a vontade humana e a divina, que passa pela cruz da obediência. Este aspecto crucificante da graça, da profecia e da mística, encontramos referido em Lucas, no que diz respeito a Maria, em primeiro lugar no encontro com o velho Simeão. Ele diz profeticamente a respeito da Mãe de Jesus: “Uma espada traspassará a tua alma!”14. Esta profecia de Simeão nos remete à profecia de Natã a Davi, que havia mandado matar Urias: “A espada jamais se afastará de tua casa”15. “A espada que impende sobre a casa de Davi fere agora o coração de Maria. No verdadeiro Davi, que é Cristo, e em sua mãe, a Virgem pura, a maldição é executada e superada”16. A espada que transpassará o coração de Maria está ligada à paixão do Filho, que se tornará a sua própria paixão.
A paixão da Virgem Maria começa na sua visita ao Templo17. Nossa Senhora deve aceitar a primazia do verdadeiro Pai e do Templo, renunciando Àquele a quem deu à luz. Ela leva às últimas consequências o “sim” à vontade de Deus à medida que se retrai e liberta o Filho para sua missão. Nos momentos em que é repelida por Jesus, durante a sua vida pública, neste retraimento de Maria dá-se um passo importante, que se cumprirá na cruz com a palavra: “Mulher, eis o teu filho”18. Já não é Jesus, mas sim o discípulo amado que é seu filho. “A aceitação e a disponibilidade é o primeiro passo que lhe é pedido; o abandono e a renúncia é o segundo. Só assim a sua maternidade se torna perfeita”19: a bem-aventurança segundo a qual é dito “Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram”20 só se realiza, verdadeiramente, quando se torna outra bem-aventurança: “Felizes, sobretudo, são os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática”21. Dessa forma, “Maria é preparada para o mistério da cruz, que não termina simplesmente no Gólgota. O seu Filho permanece sinal de contradição e ela é mantida até o fim na dor da contradição, no sofrimento da maternidade messiânica”22.
Na imagem de Nossa Senhora das Dores, da Mãe sofredora, que tem o Crucificado nos seus braços, “nesta mãe compadecida os sofredores de todos os tempos viram a imagem mais pura da compaixão divina, que é a única verdadeira consolação. Pois toda a dor, todo o sofrimento é, na sua essência última, solidão, perda de amor, felicidade destruída pelo inaceitável. Só o ‘com’ da com-paixão pode curar a dor. […] Deus não pode padecer, mas pode compadecer-se”23. Há uma paixão muito íntima em Deus, que é a sua própria natureza: o amor. Por ser Amor, não é estranho a Deus o sofrimento sob a forma de compaixão. Nesse sentido, “a Cruz de Cristo é a compaixão de Deus pelo mundo”24.
No Antigo Testamento, a compaixão de Deus se expressa em hebraico pela palavra rahamim, que significa “seio materno”. Esta palavra hebraica exprime o estar “com” o outro, a aptidão humana de estar presente com o outro, recebê-lo, sustentá-lo, dar-lhe vida enquanto ser assumido. “Com uma palavra da linguagem do corpo, o Antigo Testamento diz-nos como Deus nos acolhe e nos sustenta com um amor de compaixão. […]. A imagem da Pietá, a mãe que chora o filho morto, tornou-se, na tradução viva desta palavra: nela se torna manifesto o sofrimento maternal de Deus”25.
Assim, na imagem da Mãe lacrimosa, imagem da rahamim de Deus, a imagem da cruz se cumpre inteiramente, porque a cruz é assumida, a cruz é compartilhada no amor que nos permite, na sua compaixão maternal, experimentar a compaixão de Deus. “A dor da mãe é dor pascal que já opera a abertura da transformação da morte à presença salvífica do amor”26. A alegria da anunciação está presente no mistério da cruz, pois a verdadeira alegria nos permite ousar o êxodo do amor até o íntimo da santidade ardente de Deus. Esta alegria verdadeira não é destruída pelo sofrimento, mas é levada por este à sua plena maturidade. Tal maturação possibilita uma nova maternidade. Esta “’nova maternidade de Maria’ […] gerada pela fé, é fruto do ‘novo’ amor, que nela amadureceu definitivamente aos pés da cruz, mediante a sua participação no amor redentor do Filho”27.
Nossa Senhora das Dores, rogai por nós!

O MILAGRE É VOCÊ

O MILAGRE É VOCÊ


“Foi dirigida a Jeremias a palavra do Senhor nestes termos: Vai e desce à casa do oleiro, e ali te farei ouvir minha palavra. Desci, então, à casa do oleiro, e o encontrei ocupado a trabalhar no torno. Quando o vaso que estava a modelar não lhe saía bem, como sói acontecer nos trabalhos de cerâmica, punha-se a trabalhar em outro à sua maneira. Foi esta, então, a linguagem do Senhor: casa de Israel, não poderei fazer de vós o que faz esse oleiro? – oráculo do Senhor. O que é a argila em suas mãos, assim sois vós nas minhas, Casa de Israel” (Jeremias 18, 1-7).
Eu não sei o que você está vivendo, mas sabemos que muitas pessoas estão nos hospitais, nos presídios, e nós poderíamos dizer-lhes o que o profeta Jeremias afirmou: “Desci, então, à casa do oleiro, e o encontrei ocupado a trabalhar no torno”. Talvez o seu coração esteja endurecido, saiba que o Senhor, que é o Oleiro, quer trabalhar nele. Você está nas mãos do Oleiro! Confie, porque Ele ainda não acabou a obra. Aquilo que o Senhor começa a fazer Ele o termina; eu tenho certeza de que Ele vai completar a obra.
O que Deus precisa para fazer um milagre em sua vida? Milagre não é algo estranho e raro, porém, ele vem só de Deus. A matéria-prima que o Senhor precisa não são as suas forças, não são as nossas soluções. A matéria-prima que Ele precisa para fazer o milagre na sua vida é a sua fé.
Talvez algumas pessoas que estavam em seu caminho tenham ido embora; ou talvez a sua saúde, que estava ótima, de repente tenha piorado. A vida pode lhe tirar tudo, menos a sua fé. Se você tiver fé do tamanho do grão de mostarda, Deus fará milagres em sua vida. É com essa fé que Deus Pai trabalha.
Há pessoas que reclamam de tudo e dizem não ter fé. Jesus disse que não é necessário ter toda a fé do mundo, basta que ela seja do tamanho de um grão de mostarda. Infelizmente, há cristãos que não dão atenção para esse pequeno “grão de mostarda” da fé. Essa fé do tamanho de um grão de mostarda é capaz de completar o que Deus quer realizar na sua vida. Use a sua fé hoje e Deus vai realizar o resto.
Quem vive da fé vive da Palavra. No Novo Testamenho, na Carta de São Paulo aos Romanos, no capítulo 8, 28, está escrito que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos, segundo os Seus desígnios. Quem vive da fé vive desta certeza: todas as coisas concorrem para o nosso bem.
O apóstolo começa a dizer assim: “Aliás”, ou seja, “entretanto”. Talvez você pense: “Ai, meu Deus, quanto mais eu rezo tanto mais tentação aparece”. Se você vive da fé e cuida do “grão de mostarda” que você tem nas mãos, na sua vida você não perde nada. Deus pode usar até da nossa fragilidade e limitação para nos fazer experimentar a fortaleza d’Ele. Eu não sei o que você está vivendo, mas Deus sabe e pode usá-las [fragilidades e limitações] para fazer com que a obra d’Ele aconteça na sua vida. Jesus disse que nada nos arranca da vontade de Deus. Até mesmo as coisas que nós não achamos boas, Deus pode fazer com que elas concorram para a nossa salvação.
Conheço pessoas que teriam todos os motivos do mundo para ficarem na tristeza e na depressão, mas elas optaram por viver em Deus e são canais da graça para outras pessoas.
Eu não sei o que você tem vivido, mas Deus o pode utilizar para o seu bem. Há pessoas que deparam com situações difíceis, se desmoronam e se entregam ao desânimo. Não desânime no meio do caminho! Deus ainda não finalizou a Sua obra em sua vida! Todas as pessoas que fazem reformas em casa se programam para gastar certa quantidade de dinheiro, e quando o servente começa a mexer na obra, muitas acabam percebendo que precisam de arrumar outras coisas que não estavam no orçamento. Algumas param a obra porque vão precisar de mais de dinheiro. Da mesma forma, quando os nossos “recursos” acabam e quando alguma coisa acontece fora dos nossos planos, os recursos do Pai não acabam! Deus pode ajudá-lo a terminar a obra de salvação em sua vida. Todas as coisas concorrem para o bem dos que amam a Deus.
Não deixe espaço dentro de você para nenhuma desconfiança para com o Pai do céu. Deus cuida de nós e pode mudar qualquer situação, porque todas as coisas cooperam para o nosso bem!
Muitas pessoas têm a medalha de São Bento, em cuja oração está escrito: “bebe tu mesmo do teu próprio veneno”. Porque nós sabemos que, nas dificuldades, Deus Pai está conosco. Confiança é o antídoto de Deus para qualquer tipo de armadilha do inimigo. Não desanime! Você é a luz do mundo. Deus tem cuidado de nós.
"Você está nas mãos do Oleiro. Confie!", anima padre Antônio. Fotos: Daniel Mafra/CançãoNova
“Você está nas mãos do Oleiro. Confie!”, anima padre Antônio. Fotos: Daniel Mafra/CançãoNova
Há muitos anos, havia nos Estados Unidos uma serva de Deus conhecida com “Miss Haleluia”, porque em tudo ela dizia: “Aleluia!”. E e ela tinha um vizinho que ficou irritado com isso, então ele pensou em fazer alguma coisa. Foi à mercearia e comprou uma cesta cheia de compras e pensou: “Vou ficar escondido para mostrar a ela que eu que a comprei”. Ela viu a cesta e disse: “Aleluia, Senhor! Obrigada por essa cesta!”. O vizinho disse: “Eu que a comprei!”. A senhora então disse: “Obrigada, Senhor, por essa cesta que o Senhor me deu e fez até o diabo pagar”.
Quando você adora a Deus, a sua oração o faz parar de olhar para o problema e olhar para Ele. Quando você não souber o que orar, adore a Deus. Dentro do seu coração habita o Espírito Santo de Deus. Adorando, você vai ver que o seu problema é grande, mas vai perceber que Deus é maior do que essa dificuldade. Quando você adora, você engradece a Deus.
Quem vive de fé confia e sabe que tudo concorre para o seu bem. Louve a Deus. Infelizmente, lá fora, nós não somos ensinados a adora, mas à nos sentirmos revoltados. Se você louvar e confiar com a força dessa oração, você vai conseguir continuar o seu caminho.
Deus ama a todos sem distinção, mas só quem O ama sabe fazer de todas as coisas matéria-prima para o bem. A Palavra já diz: “Todas as coisas concorrem para o bem segundo os seus desígnios”. Deus está comprometido em levar você até Seus planos de salvação.
No Evangelho de domingo passado Jesus dizia que ia ser perseguido, morto e ressuscitaria no último dia. E São Pedro disse: “Senhor, não deixe que isso aconteça”. Então o Senhor disse: “Afaste-se de mim, satanás, porque os teus pensamentos não são os de Deus”. Mais na frente Jesus disse: “É preciso deixar algumas coisas”.
Há muitos cristãos que não querem fazer a vontade de Deus. Irmãos, falar de fé não é falar do sentimento gostoso que acontece em nosso interior. Fé é muito mais do que emoção, fé é também razão e decisão.
Na Palavra está escrito que: “Quando o Espírito Santo vier, Ele te ensinará todas as coisas!”. Porque, muitas vezes, não sabemos nada. Nós precisamos ser verdadeiros e quando não soubermos o que fazer, precisaremos pedir ajuda ao Senhor. Nós poderíamos ir muito mais longe se dependêssemos mais de Deus. Há momentos na vida em que, se não dependemos de Deus, ao chegarmos ao fim do dia, percebemos que estamos fatigados. Há uma passagem bíblica que diz que o Senhor renova as suas forças como a da águia. Jesus quer ser o Mestre da sua vida.
O que hoje na sua vida tem que deixar de ser do seu jeito e começar a ser do jeito de Deus? No seu coração o que precisa começar a ser do jeito de Deus? Em Romanos termina: “Tudo concorre para o bem daqueles que confiam em Deus”.
Sabe qual o melhor milagre que Deus quer fazer na sua vida? É você! O maior milagre não é só curar o seu pé direito, sua cabeça, etc., mas transformar o coração amargo e descrente. O propósito de Deus é lhe dar um coração como o de Jesus. Moldar o seu coração para ficar parecido com o de Jesus. Uma coisa eu lhe digo: Não dá para ficar com o coração igual o de Jesus se você não passar pela cruz.
Aos olhos do Pai, as chagas de Jesus são a nossa salvação. Pode ser que hoje você se sinta pregado na cruz, porque Jesus nos diz que para cada dia temos uma cruz. Mas eu quero lhe dizer que as feridas que hoje você tem, um dia vão ser tocadas pelo Pai. As suas feridas vão ser o seu troféu, porque você segue os passos de Jesus Cristo. Depois dessa cruz na sua vida, Deus tem um caminho lindo para você. Depois dessa prova o Pai tem um troféu para você. Não desista do que Deus está fazendo na sua vida. O maior milagre que Deus está fazendo em você é transformar o seu coração para que ele seja semelhante ao de Jesus.
 Transcrição e adaptação: Jakeline Megda D’Onofrio

Pra se pensar ....

Desespero anunciado

Desespero anunciado Para que essa agonia exorbitante? Parece que tudo vai se esvair O que se deve fazer? Viver recluso na pr...