O encontro do mar com o firmamento: Nazaré
É a página de todos que acreditam na amizade e no seu poder de libertação e felicidade.É o lugar daqueles que percebem na amizade o fator de realização e perfeição. Quem vive a fazer o bem é feliz!
A vida é movimento
UMA VIDA EM MOVIMENTO
Adoro viajar, essa realidade me coloca em contato com a vida mesma: sinto que sou parte de uma realidade que se revela além da minha janela. Viver é caminhar ao encontro do horizonte, que talvez nunca se descortine totalmente, mas que impulsiona a por-se em constante movimento.
Tudo passa continuamente, os nossos dias, as nossas realidades, os nossos sonhos e até a nossa vida: nada é igual, tudo està em mudança, como uma onda que sempre se repropoe, assim é a mesma vida humana, continuamente se faz e se refaz. Por que perder tempo em realidades que sao traseuntes? Por que investir demasiado em situaçoes que somos sabedores que passarao sem deixar rastros? Unico horizonte é a morte, a essa realidade ninguém escapa, logo se deve buscar viver tudo que possa ajudar a viver com serenidade esse momento fulcral, mas sobretudo que faça adquirir um sentido bom aos dias que possamos viver; assim, a amizade sincera, a contemplaçao da beleza do universo, a convivencia harmoniosa com a natureza e com seus seres, ajudam-nos a encontrar a paz interior e a comunhao com Deus.
Para que tantas confusoes e intolerancias quando nao podemos conservar nem mesmo o momento presente? Por que pessoas se consumam para demarcarem as suas vontades, tranformando em razoes ideologicas e dogmatistas coisas que simplesmente bastaria um dialogo aberto? Para que buscar uma uniformidade e unanimidade, quando a pluralidade e a diversidade pode nos levar a um colorido maior na propria existencia? Por que nao acolhemos a vida assim como é, ou seja, uma sucessao de crises e problemas? Para que construir um sistema fechado e acabado quando tudo està em transformaçao continua?
Viver é por-se a caminho, é acolher com serenidade e humildade a transitoriedade e a fragilidade da propria existencia; muito mais que senhores da criaçao, somos embaixadores das fraquezas existentes. Por que esconder nossas mazelas, fraquezas, defeitos, erros, limites e dificuldades? Um vsle pelo que é ou pelo que aparece ser? Quando um olha a si mesmo e busca fazer uma leitura de si proprio, o que ve: o que realmente é ou o que imagina ser? Ser capaz de olhar a si mesmo e descrever com clareza a propria existencia é o papel de quem sabe viver com sabedoria.
Adoro viajar, essa realidade me coloca em contato com a vida mesma: sinto que sou parte de uma realidade que se revela além da minha janela. Viver é caminhar ao encontro do horizonte, que talvez nunca se descortine totalmente, mas que impulsiona a por-se em constante movimento.
Tudo passa continuamente, os nossos dias, as nossas realidades, os nossos sonhos e até a nossa vida: nada é igual, tudo està em mudança, como uma onda que sempre se repropoe, assim é a mesma vida humana, continuamente se faz e se refaz. Por que perder tempo em realidades que sao traseuntes? Por que investir demasiado em situaçoes que somos sabedores que passarao sem deixar rastros? Unico horizonte é a morte, a essa realidade ninguém escapa, logo se deve buscar viver tudo que possa ajudar a viver com serenidade esse momento fulcral, mas sobretudo que faça adquirir um sentido bom aos dias que possamos viver; assim, a amizade sincera, a contemplaçao da beleza do universo, a convivencia harmoniosa com a natureza e com seus seres, ajudam-nos a encontrar a paz interior e a comunhao com Deus.
Para que tantas confusoes e intolerancias quando nao podemos conservar nem mesmo o momento presente? Por que pessoas se consumam para demarcarem as suas vontades, tranformando em razoes ideologicas e dogmatistas coisas que simplesmente bastaria um dialogo aberto? Para que buscar uma uniformidade e unanimidade, quando a pluralidade e a diversidade pode nos levar a um colorido maior na propria existencia? Por que nao acolhemos a vida assim como é, ou seja, uma sucessao de crises e problemas? Para que construir um sistema fechado e acabado quando tudo està em transformaçao continua?
Viver é por-se a caminho, é acolher com serenidade e humildade a transitoriedade e a fragilidade da propria existencia; muito mais que senhores da criaçao, somos embaixadores das fraquezas existentes. Por que esconder nossas mazelas, fraquezas, defeitos, erros, limites e dificuldades? Um vsle pelo que é ou pelo que aparece ser? Quando um olha a si mesmo e busca fazer uma leitura de si proprio, o que ve: o que realmente é ou o que imagina ser? Ser capaz de olhar a si mesmo e descrever com clareza a propria existencia é o papel de quem sabe viver com sabedoria.
MICHEL DE MONTAIGNE
MICHEL EYQUEN, conhecido como Mixhel de Montaigne, porque nasceu neste Castelo, na regiao perigordina - Bordeaux, França (1533). Cavaleiro, membro e conselheiro do Parlamento, prefeito de Bordeaux; amigo de Catarina de Médicis, Henrique III e Henrique d Navara, exerceu grande influencia na França de entao, como embaixador de paz, nesse periodo de oito (08) guerras de religiao e da guerra dos <>.
Casado, uma filha (Leonor), uma "fille d'Alliance - Marie de Gournay -, discipula que publicou postumamente os seus <> em 1595. Segundo alguns estudiosos ele escreveu os <>, a causa da solidao e da perda do grande amigo, Etiene la Boétie, morto em 1563. Um homem extraordinario, ao qual Montaigne lembra sempre nos seus escritos e a ele dedica alguns ensaios, especialmente o Da Amizade (Ensaios I,27).
Montaigne escreveu além dos Ensaios (em tres volumes), o <>, mais de trinta Lettres e algumas anotaçoes em Livros dos antigos; fez a publicaçao das Ouvres de La Boétie.
A meditaçao sobre a morte e a busca da serenidade da vida perpassa todos os escritos de Montaigne; um movimento que ele mesmo alimentava na sua vida e na dinamica de seus escritos, porque a vida é movimento (Ensaios III, 13), mas é sobretudo um aprender a morrer (Ensaios I, 20), ainda que para experimentar esse realismo da vida se necessita vivenciar profundamente a amizade (Ensaios I,27), mas com o maximo de tolerancia, acolhendo o <> como de fato é (Ensaios I,31).A sua meditaçao que vai do realismo experimental a uma meta-antropologia.
Casado, uma filha (Leonor), uma "fille d'Alliance - Marie de Gournay -, discipula que publicou postumamente os seus <
Montaigne escreveu além dos Ensaios (em tres volumes), o <
A meditaçao sobre a morte e a busca da serenidade da vida perpassa todos os escritos de Montaigne; um movimento que ele mesmo alimentava na sua vida e na dinamica de seus escritos, porque a vida é movimento (Ensaios III, 13), mas é sobretudo um aprender a morrer (Ensaios I, 20), ainda que para experimentar esse realismo da vida se necessita vivenciar profundamente a amizade (Ensaios I,27), mas com o maximo de tolerancia, acolhendo o <
O medo do outro
O MEDO DO OUTRO
BY Pe. Jorge Ribeiro
O outro, quando situado em relação a si mesmo, é aquele que não sou eu, o diferente de mim. Todas as alteridades (que supõem a identidade) é frequentemente colocada à distȃncia: o outro é associado a outro lugar: que seja um lugar que não seja aqui. Era o outro mundo como dizia os gregos ou os romanos; um oriente fascinante e terrificante como se apresentava a Idade Média; o novo mundo para o Renascimento (América e Índia); a utopia lunar no século XVII, e nos dias atuais o nosso medo....
Hoje em dia não se mede tanto o medo do «outro» por uma distȃncia geográfica, mas se ajunta uma outra razão, a do desconhecido, ou seja, no nosso século se acrescenta o medo ao próprio medo. Será por isso tanto especulação em relação aos extra-terrestres? Temos medo que esse outro seja relamente «totalmente outro»?
Diante do outro, eu não me compreendo mais, eu não me reconheço mais, eu me pergunto se «este também é igual a mim». Este é, como eu mesmo, membro da humanidade, mesma metamorfosis, ou ele está fora dessa humanidade? Muitos pensadores enfrentaram e refletiram sobre essa questão. Não é uma questão superficial e muito menos descontada. Basta perceber as reações que se capitam ao «diferente», ao «estrangeiro», ao «diverso».
A questão do «outro» e o medo que esse provoca invade as nossas casas, familias, comunidades e nações. Por que tanta rejeição aos imigrantes? Por que determinados indivíduos afastamos de nossa convivência? Seria somente porque pode nos causar «mal» ou por que temos medo de perder a nossa identidade e ao nosso «status»?
Analisamos rapidamente alguns pensadores com seus textos, somente para se perceber que é uma questão que sempre encontrou interesse e significado e por fim buscaremos iluminar situações novas que denotam o quanto esse «medo do outro» ainda é tão presente em nosso meio.
Leiamos Aristóteles (384-322 a.C), em Política I,2 e aí vejamos que o filósofo chama de «bárbaro» todos aqueles que não fazem parte da civilização grega e, portanto, são diferentes, inferiores. Com um salto no tempo vejamos Marco Polo (1254-1324), em A diversidade do mundo (1298), LXII, CXCII, escreve e descreve um novo mundo, uma nova realidade paradisíaca, mas tanto quanto a ser controlada e colocado dentro dos padrões europeus. Andamos a Michel de Montaigne (1533-1592), quando no capítulo Dos Coches (Ensaios III,6), ele fala do «novo mundo», América, Brasil, onde relata esse outro como «bom selvagem», gente sábia, civilizada, feliz, mas diferente, por isso causa medo e desconforto ao povo do velho mundo. Citemos um clássico, Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), que no seu Discurso sobre a origem da desigualdade entre os homens (1755), narra que a vida do «selvagem» é mais coerente que aquela do povo «civilizado». E por fim nos aproximemos de um outro pensador: Henri Michaux (1899-1984), o qual no capítulo «O imaginário», n°164, do livro entitulado Un bárbaro na Ásia (1933), coloca o discurso na boca do bárbaro, onde ele denota ao mesmo tempo homour e ironia.
Em todos esses pensadores citados e em tantos outros que se expressaram, o «outro» sempre causa um desconforto, seja como o que há de desprezível que se deva eliminar, seja como um ideal a ser seguido, mas sempre causa um «mal-estar» nos que se percebem estabelecidos, o que a sua vez se traduz em medo. Um medo que causa perseguição, supressão, indiferentismo e «inquisição». Esse outro que a partir dos textos citados é colocado como um «povo», ou um «mundo», é traduzido na dimensão pessoal e particular, como um relacionamento de alteridade, isto é, o rosto do outro me causa uma impressão, que tantas vezes me faz pensar e perceber que existe um «outro», individuo ou mundo, fora de mim, do que é meu. Isso causa choc, maledicências, calúnias, diminuição da figura do «outro» para que eu possa afirmar a minha identidade.
Esse medo do diferente e do outro que foi causa de grandes escravaturas, guerras, genocídios e indiferentismos hoje pode ser visto nas grandes e pequenas «fobias» que transmitimos com as nossas exclusões, com nosso desejo incomensurável de aprovação e de uniformidade, assim como no comportamento atroz do relativismo relacional, moral e social. Apegamo-nos a «pseudas – verdades» e marginalizamos ou esmagamos tudo que não seja nosso «espelho». Somente quando aprendermos e apreendermos o que seja a «tolerȃncia» esse «medo do outro» poderá ser transformado e transfigurado em princípio positivo, ou seja, em fraternidade e convivência. Talvez esteja cometendo uma infração utópica, mas a paz somente é possível se acolhermos o diverso, o «outro», assim como é. Não deixemos que esse «medo do outro» obscureça o colorido que a própria vida nos ofertou.
BY Pe. Jorge Ribeiro
O outro, quando situado em relação a si mesmo, é aquele que não sou eu, o diferente de mim. Todas as alteridades (que supõem a identidade) é frequentemente colocada à distȃncia: o outro é associado a outro lugar: que seja um lugar que não seja aqui. Era o outro mundo como dizia os gregos ou os romanos; um oriente fascinante e terrificante como se apresentava a Idade Média; o novo mundo para o Renascimento (América e Índia); a utopia lunar no século XVII, e nos dias atuais o nosso medo....
Hoje em dia não se mede tanto o medo do «outro» por uma distȃncia geográfica, mas se ajunta uma outra razão, a do desconhecido, ou seja, no nosso século se acrescenta o medo ao próprio medo. Será por isso tanto especulação em relação aos extra-terrestres? Temos medo que esse outro seja relamente «totalmente outro»?
Diante do outro, eu não me compreendo mais, eu não me reconheço mais, eu me pergunto se «este também é igual a mim». Este é, como eu mesmo, membro da humanidade, mesma metamorfosis, ou ele está fora dessa humanidade? Muitos pensadores enfrentaram e refletiram sobre essa questão. Não é uma questão superficial e muito menos descontada. Basta perceber as reações que se capitam ao «diferente», ao «estrangeiro», ao «diverso».
A questão do «outro» e o medo que esse provoca invade as nossas casas, familias, comunidades e nações. Por que tanta rejeição aos imigrantes? Por que determinados indivíduos afastamos de nossa convivência? Seria somente porque pode nos causar «mal» ou por que temos medo de perder a nossa identidade e ao nosso «status»?
Analisamos rapidamente alguns pensadores com seus textos, somente para se perceber que é uma questão que sempre encontrou interesse e significado e por fim buscaremos iluminar situações novas que denotam o quanto esse «medo do outro» ainda é tão presente em nosso meio.
Leiamos Aristóteles (384-322 a.C), em Política I,2 e aí vejamos que o filósofo chama de «bárbaro» todos aqueles que não fazem parte da civilização grega e, portanto, são diferentes, inferiores. Com um salto no tempo vejamos Marco Polo (1254-1324), em A diversidade do mundo (1298), LXII, CXCII, escreve e descreve um novo mundo, uma nova realidade paradisíaca, mas tanto quanto a ser controlada e colocado dentro dos padrões europeus. Andamos a Michel de Montaigne (1533-1592), quando no capítulo Dos Coches (Ensaios III,6), ele fala do «novo mundo», América, Brasil, onde relata esse outro como «bom selvagem», gente sábia, civilizada, feliz, mas diferente, por isso causa medo e desconforto ao povo do velho mundo. Citemos um clássico, Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), que no seu Discurso sobre a origem da desigualdade entre os homens (1755), narra que a vida do «selvagem» é mais coerente que aquela do povo «civilizado». E por fim nos aproximemos de um outro pensador: Henri Michaux (1899-1984), o qual no capítulo «O imaginário», n°164, do livro entitulado Un bárbaro na Ásia (1933), coloca o discurso na boca do bárbaro, onde ele denota ao mesmo tempo homour e ironia.
Em todos esses pensadores citados e em tantos outros que se expressaram, o «outro» sempre causa um desconforto, seja como o que há de desprezível que se deva eliminar, seja como um ideal a ser seguido, mas sempre causa um «mal-estar» nos que se percebem estabelecidos, o que a sua vez se traduz em medo. Um medo que causa perseguição, supressão, indiferentismo e «inquisição». Esse outro que a partir dos textos citados é colocado como um «povo», ou um «mundo», é traduzido na dimensão pessoal e particular, como um relacionamento de alteridade, isto é, o rosto do outro me causa uma impressão, que tantas vezes me faz pensar e perceber que existe um «outro», individuo ou mundo, fora de mim, do que é meu. Isso causa choc, maledicências, calúnias, diminuição da figura do «outro» para que eu possa afirmar a minha identidade.
Esse medo do diferente e do outro que foi causa de grandes escravaturas, guerras, genocídios e indiferentismos hoje pode ser visto nas grandes e pequenas «fobias» que transmitimos com as nossas exclusões, com nosso desejo incomensurável de aprovação e de uniformidade, assim como no comportamento atroz do relativismo relacional, moral e social. Apegamo-nos a «pseudas – verdades» e marginalizamos ou esmagamos tudo que não seja nosso «espelho». Somente quando aprendermos e apreendermos o que seja a «tolerȃncia» esse «medo do outro» poderá ser transformado e transfigurado em princípio positivo, ou seja, em fraternidade e convivência. Talvez esteja cometendo uma infração utópica, mas a paz somente é possível se acolhermos o diverso, o «outro», assim como é. Não deixemos que esse «medo do outro» obscureça o colorido que a própria vida nos ofertou.
Eu recomendo - Elogio da Loucura de Erasmo de Roterdam
O Elogio da Loucura, de Erasmo de Roterdão, mais que uma sátira contra os costumes, é uma obra que propõe conceitos teóricos absolutamente sólidos e originais, ainda que disfarçados de discurso frívolo. O pensamento de Erasmo chega a ter semelhanças notáveis com as concepções propostas no âmbito da neurologia por António Damásio. Assim como Damásio se rebela contra a concepção cartesiana da racionalidade, Erasmo rebela-se contra o estoicismo. Se Descartes opunha a razão à emoção*, em que esta última apenas servia de empecilho na formulação de qualquer julgamento são (ainda que, depois, seguisse o coração na sua prova da existência de Deus), o mesmo faziam os Estóicos. Erasmo propõe, para o bom governo da humanidade e de cada um, que se dê à loucura o seu devido lugar no Panteão dos deuses que guiam os passos humanos. Quase que se assume como a chama de Prometeu. É uma proposta pragmática, de facto. E, paradoxalmente, serve como contra-proposta de si mesma. Porque o pragmatismo é o que é. O pragmático é aquele que bem maneja as unhas para seu proveito. Chamem-no louco.
*"Todas as paixões pertencem à Estultícia", diz a própria Estultícia através da pena de Erasmo.
Artigos da mesma série: elogio da loucura, notas
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