ENIGMA

Enigma



Que fardo, que mistério, que enigma!
Manter o sorriso no rosto
Fingir não está sofrendo
Mascarar os reais sentimentos
Cobrir os traços da dor
Isso é fruto da:
Crueldade de um mundo sem alma
Identidade de uma sociedade hipócrita
Captação desastrosa de aparências
Construção de facticidades mentais
Isso resulta em:
Busca desmedida de aprovações
Servo-arbítrio que se acredita livre
Álgebra de ilusões programadas
Subjetivismo como critério de verdade
Sublimação de desejos trágicos
Fragmentação do realismo existencial
Enigma de um universo em pedaços!









Como continuar acreditando?

Acreditar de acreditar



Voltar às raízes?
Purificar os desvios?
Superar as aporias?
Retornar ao essencial?
Como continuar acreditando?


Revigorar a esperança?
Desmistificar os dogmas?
Revitalizar a fé?
Secularizar a mora?
Como continuar acreditando?


Negar os contraditórios?
Reduzir os niilismos?
Direcionar a caridade?
Afastar as ameaças?
Como continuar acreditando?


Reorganizar as paixões?
Intensificar as responsabilidades?
Caminhar sem destino?
Amar sem condições?
Como continuar acreditando?


AMIGOS

Amigos



Amigos são eternos
São preciosos e únicos
Amigos são imprescindíveis
E são raros também!

O amigo não te condena
E chora pelo teu suplício
Não se alegra com tua amargura
E não te esquece por coisas banais!

Os amigos são insubstituíveis
Não fazem promessas
Atravessam a escuridão ao teu lado
Antecipam a tua necessidade!

Os amigos consolam e perdoam
São presenças mesmo quando ausentes
Despertam a alegria e exorcizam o mal

São anjos divinos ao teu alcance!

Abraços

Abraços


A ternura dos teus abraços
Adentra-me ao paraíso
A doçura dos teus abraços
Mergulha-me no infinito da irrealidade
A beleza dos teus abraços
Naturaliza-me com o divino
A veracidade dos teus abraços
Permite-me crer na eternidade!


Existencia Consumada

Existência consumada



Por a fragilidade pessoal como critério de verdade e de afirmação da própria identidade e ancorar nessa os ditames de uma existência autêntica e sincera, eis  um modo para viver a serenidade de espirito e não deixar que a falsidade e as máscaras incidam em um jeito de ser e viver com fingimentos, perplexidades e mentiras.
Uma personalidade totalmente livre de engrenagens, penso ser meio difícil de encontrar, especialmente quando se preza muito pelas opiniões e pela aparência; entretanto, quando a pessoa se sente livre de ser o que é e não ter medo de se apresentar na sua mais terrível o fascinante realidade, então encontramos alguém que se pode dizer: uma pessoa autêntica,  um sujeito coerente ou uma existência livre.
Geralmente, as pessoas que são livres ou buscam viver a liberdade como tradução da própria dignidade, são destinadas a pagar um preço alto e sofrer perseguições, pois a sociedade do espetáculo não tolera quem revela a simplicidade e a espontaneidade de viver a vida. Complica-se e procura-se meios de não ser feliz, ou seja, pecamos muito em viver em função de coisas ou pessoas e esquecemos de ser feliz. Ilude-se e deseja-se o que não se tem e almeja-se ser o que não se é e tudo isso transforma a existência em um consumar-se por questões inúteis e perde-se o gosto de saborear as pequenas e reais manifestações de joia e de felicidade que se possa experimentar.
O dinamismo da experiência humana leva ao paradoxo da própria realização da pessoa como destinado à felicidade, isto é, para que uma existência seja útil e não se lamente das insatisfações e frustrações, necessita que seja uma existência consumada por razões de senso e de significado. O amor gratuito e a dedicação do próprio tempo por situações que levam os outros a viverem melhores, é o passaporte para uma vida que sente o prazer de ser vivida.
O medo de  não agradar os outros ou a pusilânime educação que incentiva a formular identidade falsa, causa dor, desesperação e perplexidade, dado que o individuo vive dividido entre o que realmente é e sente de ser e as exigências que ao longo de sua mesma vida se foi idealizando e construindo.
Chega-se um momento que se deve decidir entre a imagem de letras mortas e retratos mal elaborados e a despretensiosa fisionomia de si, que ainda que não seja a idealizada, mas é a real; nesta encruzilhada  um deve ser consciente que pode ser mal interpretado, excluído ou negado, ou seja, de pagar o preço da própria liberdade ou pode recolher os aplausos e viver na dicotomia.

Certamente existem as pessoas superficiais e que se satisfazem com a banalidade do aparecer e não entram em sincero vínculo  consigo mesmas; existem as que não prendem seriamente o próprio viver; a provisoriedade e a precariedade do ser-no-mundo não devem levar ao indiferentismo ou a lei da vantagem, mas a consumar-se por ideais e realizações que façam encontrar a própria identificação e felicidade, ainda que exija-se sacrifícios e renuncias. Para ser feliz basta ser o que se é e não o que se imagina de ser. Viver é a arte mais complexa e mais importante!

Pra se pensar ....

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